O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 16 de março de 2016

O AMOR É BREGA


O amor é aquela canção em que ouvimos na jukebox, enquanto bebemos um vinho barato e quase sem sabor, é a música de Reginaldo Rossi implorando ao garçom um pouco de atenção, de um ombro amigo, de uma resposta àquilo que já está respondido: a mulher de sua vida irá casar e o fim foi decretado. O amor é Fred Mercury rasgando nossos corações com Love of my life e mostrando que Camões estava certo quando dizia que o amor era fogo que ardia sem se ver. O amor é Tiago Iorc desejando boa sorte a quem ama, mesmo em lágrimas, mesmo sofrendo sem saber onde o amor irá atracar.

O amor é Beatles implorando que ela acredite, é Barão Vermelho prometendo loucuras como andar mais de 1.600 km a sua procura, é Paralamas do Sucesso carregando em sua retina, em sua íris, a feição da pessoa amada por todos os cantos, por todas as estradas, onde quer que ele vá. Ele é a junção dos votos mais improváveis, dos desatinos mais absurdos, da fé e esperança que florescem em nossos corações. Ele é a sinfonia que toca em nossas almas, que embala nosso sonho, que nos acorda ao som de Jorge e Mateus e nos adormece baqueados com Pablo -  A Voz Romântica.

O amor é brega e isso não é pejorativo. Passam anos, entram décadas, saem séculos e ele sempre será uma canção a tocar em uma radiola, a ser sintonizada em uma FM da vida, a ser executada em uma loja de departamento. Ele sempre será o combustível de vida das pessoas. O óleo que desenferruja e movimenta a engrenagem de nossos destinos e faz com que todas as coisas tenham sentido. O vento que sopra o cabelo em nosso rosto enquanto escalamos uma montanha ou atravessamos um abismo.

O amor é brega e nós não nos importamos com esse adjetivo, não nos incomodamos em usá-lo como vestes e abraçá-lo com ardor, porque muito embora saibamos o quão piegas e vulneráveis nos tornamos, ainda assim arriscamos dar dois passos para esquerda e para direita - numa valsa descompassada -,  mesmo correndo o risco de cair ou pisar no pé do outro.

O amor é aquela canção da jukebox, eu repito. Aquela que faz você pedir uma garrafa de tequila, pois não quer ter que chamar o garçom novamente para anotar mais uma dose. É a vontade que se tem de gritar o que rasga o peito de forma voraz, que dilacera a carne, e nos faz pensar e repensar o quanto vale a pena tê-lo em nós. Amor é hospedeiro. É aquele vírus que se embrenha em nossas veias, percorre a corrente sanguínea e nos contamina por inteiro. É o causador de alucinações. É o termômetro do desespero.

O amor é a minha playlist que chora copiosamente desde Tiago Iorc até Onze:20. É a minha forma de olhar para o passado com ressentimento, de dizer ao destino que não sou marionete, de explicar aos céus que mais um baque eu não me importaria de ser arrebatada. O amor agora são alguns caracteres em tela, um café que tentamos todos os dias requentar, é um laço que se desfez e que a todo o momento eu mexo às pontas tentando transformar em nó.

3 comentários:

  1. Mel arrasando! Que texto incrível!
    O amor é brega, mas quem não é? <3

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  2. " É o termômetro do desespero..."
    Ah, texto lindo!

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