O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 8 de março de 2016

NAS CURVAS, UM POEMA.


Não me canso de admirar.
Correção.
Não me canso de admirá-la.

Decorei cada pelo que cobre aquele corpo, memorizei cada cicatriz, curva e marca deixada pelo tempo. Os anos não passam despercebidos e, honestamente, seria um crime deixar que passassem. Cada vinco carrega um mar de histórias, de paixões, de amores, de tristezas e de superação. Ela não sabe, mas se supera cada dia.

É visível no riso cansado o tanto que se esforça. Ela tenta ser um pouco melhor todas as vezes. O abraço que dá carrega cada dia mais ternura. O beijo que recebo é cada vez mais doce. O corpo é  moldado pelo prazer que tem de aproveitar as coisas boas que a vida lhe oferece. E ela é resolvida demais quanto à isso, deixando-me ainda mais encantado por ela.

Decidiu que podia ser o quisesse e assim o fez. Num dia é chef de cozinha, n'outro dia sai para correr, julgando ser maratonista. Num dia é bailarina - sai dançando na casa, na vida, na rotina. N'outro parece criança, miúda. Eu vejo quando ela quer se esconder do mundo. Nesses dias eu cedo meu abraço, para que possa se aninhar e ser pequena o quanto precisar. Finjo não ver as lágrimas que ela esconde. E ela finge não perceber que eu a observo e seguimos bem assim.

Às vezes ela me tira para dançar e me guia. E eu me permito levar, porque ela sabe o que quer. Vai driblando problemas, rodopiando rotinas e me abraça no fim, inclinando-me para um beijo demorado e recheado de outras intenções. Tem dias que ela acorda leoparda. E domina.

Outros dias, se permite dominar.

A gente finge que não, mas vivemos conforme suas regras. Crescemos quando ela está miúda. Tiramos o time de campo quando é ela quem entra pra jogo. De verdade, não mandamos nada. E é tão bom assim. Dá certo, compreende? E um dia me ensinaram que não se deve mexer naquilo que funciona. Então não mexo.

E ela não permite mexer.

Sendo assim, a observo. Todos os dias. Percebo seu humor com a mesma urgência que uma pessoa perdida no deserto precisa de água. É fundamental para sobreviver. Para sobrevivermos. Não adianta querer mudar a natureza. E se fosse diferente disso, não seria tão característico, tão apaixonante.

Não me canso de admirá-la. Decorei cada pelo que cobre aquele corpo, memorizei cada cicatriz, curva e marca deixada pelo tempo. Os anos não passam despercebidos e, honestamente, seria um crime deixar que passasse. Cada vinco carrega um mar de histórias, de paixões, de amores, de tristezas e de superação. Ela não sabe, mas cada curva carrega um poema. E dos poemas, ela é o melhor.

Ela, a mulher.

A minha.

A sua,
As nossas.

3 comentários:

  1. Que beleza de texto Mafê...Aproveito a deixa para parabenizar todas as mulheres. Grande abraço!

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  2. Não me canso de admirar. Invejinha literária infinita desse texto. <3

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  3. Eu vi um pouco de mim, de você, da Gi e de tantas mulheres que conheço. A gente é várias em uma só. E a gente quer, no final das contas, ser quem somos sem medir palavras e gestos. Perfeito, MF. Já disse que sou sua fã hoje?

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