O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 17 de março de 2016

MINHA PARIS



Tomei Paris pra mim há tempos. Desde quando descobri suas paisagens, histórias à beira do Rio Senna, desde que descobri sua fortaleza poética. Henry Miller, Anais Nin, Baudelaire e tantos outros. Em Paris, respira-se uma poesia perfumada, viva mil vezes. Eu nunca soube entender bem. Talvez seja porque é preciso estar lá, respirar por lá. E ainda assim, talvez eu só possa SENTIR.

Não me recordo do ponto alto da minha paixão, já que quando se fala em Paris, essa chama é permanente. Já me rendeu textos, romances, cenários, tudo construído no que os olhos me trazem, no imaginário mesmo. Qualquer dia, acordo lá. Anoiteço, adormeço, amanheço e vou degustar macarons. Alugo um apê daqueles antigos, com janelas bem grandes e vista para a arte, monumentos, paisagens emocionais.

Não quero essa Paris luxuosa que encanta a muitos, para minha humilde inspiração de escritora já bastam os cafés, as livrarias, as feiras livres e as confeitarias coloridas. As histórias de amor impregnadas nas paredes, nos silêncios e até nas músicas.  Paris não me decepciona, nem em tempos de terrorismo. A gente baixa os olhos e pede: Deus proteja a poesia, proteja as pessoas.  A Cidade Luz não é só mais um lugar e eu, que não sou a única apaixonada por ela, tenho certeza.

A viagem está nos planos, nas planilhas, na luta acirrada para sustento e lazer na mesma medida. O que me recompõe da frustração de não estar lá é saber que quando eu estiver sempre terei estado, entendem? Aquela velha afirmação de que o pensamento nos muda de lugar.

Você duvida?

Sim, eu vou levar tudo e todos comigo: cachorro, marido, filho, moleskines. Vou concretizar abstratos. Essa coisa de sonho realizado, de cheguei onde queria de “Consegui!”. Eu espero viver lá. Um tempo, uns tempos, alguns meses que sejam. Enquanto não, pego carona nos muitos filmes que a ilustram, que a traduzem.  Nos documentários, nos que a viajam, nos que a deixam por aqui.

Aos amigos, a promessa: enviarei postais, cartas em papéis locais, guardanapos de restaurantes e envelopes personalizados. A família: voltarei periodicamente e levarei um comigo para um tour regado à poesia, para um passeio de trem, sem dúvida. Aquele trem dos bancos marrons, dos diálogos encharcados de personagens problemáticos, aquele trem dos trilhos tortos, janelas límpidas.

Eu estarei lá. E pintarei a Paris que quiser.




1 comentários:

  1. Sou suspeita em falar, até porque meu blog pessoal leva o nome dessa cidade espetacular... só te digo uma única coisa: é maldade aguçar mais as vontades de quem ainda não conheceu Paris! ♥

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