O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 14 de março de 2016

E NO FIM DO DIA, AINDA É VOCÊ


Estou andando de um lado pro outro há pouco mais de setenta minutos. Os pés não cansam e o coração continua igual: inquieto. Já escutei três vezes a minha playlist e nada. Ouvi as músicas que você me sugeriu e o máximo que consegui foi uma vontade súbita de ligar e saber como você está. Eu sei que são três e quinze da manhã, sei que se não estiver deitado de bobeira, deve estar pela cidade, bebendo de bar em bar. Eu sei que também pode estar emaranhado em algum abraço desconhecido. Eu sei. Mas não consigo evitar que os pensamentos na madrugada não sejam seus.

É automático. O corpo silencia pra se aconchegar e descansar. Pronto! A saudade se aloja, o desespero bate à porta e a vontade de gritar mundo afora o que sinto se traduz em insônia. Eu fico olhando pro teto escuro pensando em formas sutis de dizer o quanto me importo, e nada. Não encontro respostas. Me encorajo a ser impulsiva, a partir pro tudo ou nada. Despejar sem cerimônias tudo que venho sentindo e acumulando, mas falta coragem, sabe?

Eu poderia enviar cartas que escrevi semanas atrás e sequer tive coragem de endereçar. Da mesma forma que poderia escrever mensagens seguidas contando o caos que você deixou no meu coração. Vai que você se solidariza com a dor que sinto todas as vezes que não consigo controlar esse pedaço de amor e se muda de uma vez. É. Vai que você decide desocupar meus desejos e acaba me convencendo que isso nunca daria certo. Somos nós e isso por si só já deveria rotular o fiasco que seríamos. Mas não. Eu fico pensando nas vezes que deitei com o coração apertado de saudade, das tantas outras que quis estar perto, segurando sua mão quando tudo dava errado pra você, ou das tantas outras que quis guiar seus passos atordoados por caminhos mais seguros.

Eu poderia confessar as tantas frases feitas que usei, pra não declarar de forma explícita o tanto que eu sempre te quis bem. Eu acabaria contando das vezes que chorei sozinha, enquanto você seguia com a sua vida sem mensurar o quanto era difícil ouvir suas novas aventuras, sabendo que dentro de mim um tanto de amor se destruía a cada passo distante que você dava pra longe de mim. Eu poderia contar das vezes que pensei em desaparecer sem deixar vestígios, pra não ter que justificar que estava impossível continuar assim. Eu quis escrever, quis ligar, depois desisti. Afinal de contas, que direito tenho eu de atrapalhar sua vida, desestabilizar suas certezas se esse amor só vive em mim? 

Eu vivo calculando os meus passos, surrando a minha vontade pra lembrar que algumas histórias não são pra ser. Tipo eu e você. Não te culpo por me revirar do avesso. Não mesmo. Mas me culpo por não parar todas as vezes que o coração sinalizava que você era encrenca, das boas. Inspira, suspira e depois vai embora como se nada tivesse acontecido.

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