O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 4 de março de 2016

DESISTI DE DESISTIR.



Já pensei inúmeras vezes em ir embora, confesso! Já quis xingar até a quinta geração da sua família, já quis te mandar pra longe e que você levasse junto tudo que fosse seu pra eu nunca mais precisar lembrar que te conheci. Quis pedir que esquecesse meus telefones, meu endereço, meu nome e qualquer possibilidade de futuro ao meu lado, mas não deu. Não dá. Nunca consegui. Pra falar a verdade, eu nunca quis nada disso.

Não sei como seria chegar em casa e não encontrar a toalha largada em cima da cama ou o pote de gel aberto na pia do banheiro. Não saberia me comportar se não tivesse que recolher seus sapatos pela casa, nem a xícara de café no balcão. Que graça teria acordar no meio da noite e não esbarrar em alguma coisa que você deixou pelo caminho? Quem iria puxar meu cobertor no meio da madrugada e depois me cobrir dizendo estar cuidando de mim? Com quem eu vou gritar pra largar o videogame e vir jantar? Quem vai fazer campeonato de NBA comigo? Quem iria mentir que fico linda quando saio do banho, com a cara toda borrada de rímel, fazendo cosplay do Kung Fu Panda? Não faço a menor ideia e não estou interessada em fazer.

Não saberia viver sem a nossa bagunça na casa e na vida. Eu sei, algumas coisas ainda estão uma zona, precisam de tempo e dedicação. Sei também que de vez em quando essa vontade de fugir toma conta de ti e, como eu, você sempre volta ou nem vai. Essa é a nossa (des)ordem e eu não abro mão dela por nenhuma outra vida, arrumadinha ou não.

Todas as vezes que pensei em ir, jogar tudo pro alto e sair pela porta com minhas malas, me lembrei de todos os motivos que me fizeram entrar por ela e ficar, dia após dia. Lembrei do sorriso e dos olhinhos apertados, cheios de preguiça, que me recebem todas as vezes que eu chego, do "Oi meu amor", com essa (minha) voz de travesseiro, cada vez que giro a maçaneta depois de mais uma manhã chata de trabalho. Lembrei do "E o meu carinho?" antes de dormir e do "Se prepara que eu tô chegando e hoje você é só minha" quando eu menos espero. Você sempre me surpreende.

Sei que tudo isso pode parecer uma lista de bobagens para quem nunca dividiu mais do que as escovas de dentes, pra quem nunca soube o que é a real matemática de um relacionamento de verdade, desses que se vive diariamente e não só quando a intenção é pintar um quadro bonito pra exibir nas redes sociais. Tudo isso pode parecer invenção para quem tem como verdade apenas aquilo que vive. Mas amor mesmo, tem várias formas de ser.

Amor que é amor, ocupa tanto o nosso tempo, que não sobra pra julgar o sentimento ou relação alheia. E o nosso me ocupa os minutos mais bonitos. Com você eu aprendi a ser e colocar amor em tudo, no meio das brigas, no grito, no "sai daqui", no "me deixa quieta", na contabilidade que eu detesto, na faxina que você tem preguiça de me ajudar a fazer e até no feijão que eu aprendi a cozinhar. Sim, por amor eu até aprendo a cozinhar.

Com amor e por amor, por nós... Eu desisti de desistir.

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