O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EMOLDURADA


Lembro como você gostava de fotografias, e as fotos mais bonitas que tenho são aquelas que, secretamente, você tirou de mim. Vou te confessar que eu disfarçava bem, mas sempre soube que estava sendo fotografada por esses teus olhos de leão. Ou, vai ver, você quem fingia crer que eu não te absorvia da mesma maneira, e fingia que era segredo todos esses cliques de mim.

É. Eu sei que não estou falando nada com nada, mas é que estou numa urgência tua tão grande que preciso só por para fora tudo de saudade que pulsa do lado de dentro. Eu cutuco a ferida, você sabe. Então, na saudade antiga tua, fui atrás das tuas fotos perfeitas, querendo saber mais dos teus caminhos. Sabe? Saber qual estrada você tem passeado, qual comida tem experimentado. Queria mensurar o tamanho do teu sorriso e saber se ele (a)tinge tua íris.  Das memórias tuas, lembro bem o quanto você gostava de fotografias.

Então foi um bocado frustrante ver que não havia nada novo, sabe? Eu vejo tudo parado na tua volta e fico querendo saber porque você estacionou no tempo. Me deu vontade de te perguntar da vida e talvez seja por isso que eu estou aqui agora, te encarando nos olhos e com uma vontade imensa de te abraçar. Daqueles abraços de urso que só você sabia dar. Sabe?

Mas você não me vê. Você não me nota. Tua retina não me fotografa como antigamente. Vem. Diz que está tudo bem. Põe uma mecha para trás da minha orelha, passa teus dedos nas minhas bochechas e me puxa praqueles beijos demorados e doces. Segura minha cintura um pouco, aperta. Me queira perto. Me encara. Daquele jeito profundo. Me faz perder o ar dentro dos teus olhos de piscina.

Eu lembro bem como você gostava de fotografias, e as fotos mais bonitas que tenho são aquelas que, secretamente, você tirou de mim. Mas você não me fotografa mais. E sinto falta das vezes que posei sem saber. Sinto falta das vezes todas que você me emoldurou só pra você.

2 comentários:

  1. Às vezes eu me pego voltando atrás. Dando uma espiadinha no tempo, no passado, só para ver se as coisas continuam iguais.

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  2. As fotografias da mente são as mais lindas e doloridas, porque há vezes que não conseguimos deletar. E ficamos sempre cutucando aquela ferida e revirando um passado tão doce!

    Que lindoo Fê! ��
    Beijooo:*

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