O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

AMORES ED ETERNUM.

O amor acaba, meu bem. Ele se dissipa igual aquela fumaça que a esquadrilha da fumaça deixa nos céus no dia da independência. Ele vai embora sem aviso prévio e sem data marcada, de supetão, ele arruma as malas e sai destrambelhado porta a fora. O amor tem dessas coisas, sabe? De querer permanecer apenas onde é bem-vindo, de desejar ser aquecido nas noites de inverno, de refrescar-se com um banho de mangueira nas tardes ensolaradas de setembro. O amor só fica onde é bem quisto, onde é visto, onde é venerado.

Tenho dito - tantas vezes - que a ampulheta corre depressa demais, que ela (pré)anuncia o findar dos meus sentimentos. O desaparecer das emoções que me invadem diante de ti. A morte das borboletas que sempre, tão animadas, faziam festa dentro de mim. Os carnavais cessarão e a bateria do meu coração já não mais tocará teu samba preferido. Tenho avisado, constantemente, que sentimentos se vão como um dente-de-leão soprado ao vento. Voam rapidamente, perdem-se no ar, caem ao chão e morrem. Sucumbem.

O amor se vai, meu amor. E tenho indicado através dos meus trejeitos, do tom da voz ao lhe falar, do modo como volto sempre no mesmo assunto desejando que a sua retratação seja o suficiente para consertar nossas vidas. Não é. Disse há dias que alguns abraços que me envolveram hoje não me apetecem mais, que bocas que me beijaram já não seduzem mais, então, por que insistes em achar que tudo é eterno? Tudo finda. A vida acaba.

Ciclos são fechados, histórias começam e outras se encerram, pessoas vêm e vão de nossas vidas, esbarramos com possíveis amores todos os dias nas esquinas da vida, na padaria logo de manhã, na roleta do ônibus após um dia estressante de aula, no banco da praça, tantas situações apontam que a vida se pontua por si só, que pontos finais arrematam nossas histórias mesmo que não queiramos. É, meu bem, em breve você será mais um. Uma névoa a se dissipar na imensidão dos meus pensamentos. Anote ao lado do meu nome em sua agenda de celular: "não existem amores ad eternum". Não para mim.

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