VOCÊ É MAIS CAPAZ DO QUE IMAGINA.



Ei moça, levanta dessa cama, abra os seus olhos tristes e molhados. Então vá até o espelho e perceba o quanto você já chorou por ele... Essas olheiras profundas não são suas, as maçãs do seu rosto costumam ser mais avermelhadas, elas não têm essa palidez toda. O seu cabelo desarrumado denuncia que ele não vê uma escova ou um pente há dias... Logo você, que sempre gostou de fazer aquela trança bonita ou usar aquela fivela de borboleta, que te dá um ar doce e encantadoramente ingênuo. Uma pena que não a use mais, talvez ela te fizesse voar de novo

É, desde que ele se foi você se tornou uma pessoa triste, desiludida e sem nenhuma expectativa. Sabe, eu sei que dói ver alguém que a gente ama partir por escolha própria, mas você percebe que não é assim? Antes de conhecê-lo, você sorria sem motivo por aí, estudava para a faculdade, trabalhava naquela lojinha pequena do bairro, saía de vez em quando com os seus amigos e era feliz. Tinha uma vida comum, talvez sem grandes emoções na maior parte do tempo, mas você era feliz e ninguém roubava a sua felicidade, como parece que ele roubou agora, nem mesmo aqueles namoricos seus que também te decepcionaram.

Olha, eu sei que a saudade grita em seu peito e que as dúvidas confundem a sua cabeça diariamente (a gente tem uma enorme dificuldade para entender o fim das coisas), mas eu também sei que você está muito além de um coração partido e magoado. Por isso, deixa o tempo passar (tenha um pouquinho de paciência com ele, sei que a gente tem pressa para superar mais um caso de amor que se acabou, mas não é do dia pra noite que a gente esquece quem a gente ama). Deixa também a sua dor vir à tona, chore quando sentir vontade de chorar, peça o ombro dos amigos, o colo da sua mãe e qualquer coisa que possa te ajudar a amenizar essa tristeza, moça. Acredite em mim, essas coisas, por mais simples que pareçam, fazem a diferença.

Sei também que você vai relembrar cada uma das histórias felizes que vocês passaram juntos, cada detalhe que marcou a relação de vocês, cada presente, cada beijo, abraço, olhar ou sorriso trocado, mas você precisa lembrar mesmo é de como você era antes dele. É claro que alguns acontecimentos abalam a gente e nos deixam de um jeito que não costumamos ser, mas às vezes a gente perde essa consciência, sabe? A gente já não consegue mais distinguir o que nos tornamos, temporariamente, do que realmente somos e sempre seremos. E você, moça, sempre foi feliz com o que tinha.

Você entendia que quem não quer ficar, não merece a sua atenção. Você sabia que alguns finais são inevitáveis, por mais difícil que seja encará-los. E você dizia por aí, convicta, que só você mesma é a dona da sua felicidade. É, você tinha toda razão, moça. É por isso que eu te digo que isso vai passar, você vai voltar a sorrir e vai deixar de sentir a falta dele quando sentir falta de ser quem você realmente é. E então, você vai perceber que é plenamente capaz de curar o teu coração e que a tua vontade de ser feliz é muito maior que a dor de uma despedida... E moça, pra ser feliz você realmente não precisa de ninguém, muito menos de quem não te quer mais.


BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

AMAR TAMBÉM É DIZER ADEUS

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– Onde foi que nos perdemos? Em qual momento da nossa caminhada nossos caminhos se desencontraram?

Foi exatamente ali. Naquele bendito lugar que nos conhecemos há alguns anos. Eu era recém-chegada em Fortaleza, vinda de São Paulo, fugindo daquela cidade fria e cinza e estudando para entrar no curso de Turismo. Meu primeiro emprego foi naquela cafeteria. Nada de extraordinário.

Eu era uma espécie de faz-tudo lá dentro. Limpava, arrumava, preparava uns expressos, servia as mesas, fechava a cara para uns babacas que faziam brincadeiras com meu sotaque paulista de interiorrrr… Daí, em uma dessas, o conheci. Ele era alguns anos mais velho que eu. Nem era bonito. Parecia o personagem Smilinguido daquela historinha em quadrinhos, só que de roupa e narigudo. Reconheceu meu sotaque assim que cheguei na mesa para atendê-lo.

– Ribeirão Preto, aposto! – Me disse sorrindo.

Errou por uns 20 km na distância, mas o sorriso daquele serumaninho me acertou em cheio o coração. Já tinha saído com uns carinhas antes. Uns beijinhos aqui, umas coisinhas sem compromisso ali, mas acho que aquele cosplay de nariz do Gerard Depardieu devia ter algum feitiço para me deixar tão encantada. Quase toda quinta-feira ele passava lá na cafeteria no mesmo horário e eu sempre ficava na expectativa de sua chegada. Ele tinha aulas de inglês há uma quadra dali, mas dia de terça tinha que correr para a faculdade senão perderia a primeira aula da noite (de vez em quando ele fazia isso só para me ver. Um fofo, gente!). Às quintas era somente o último horário, então dava tempo de um café e ainda me esperava bater o ponto para ir embora e me acompanhava até a parada de ônibus (eu já disse que ele é um fofo?).

Algumas semanas depois veio o primeiro beijo e, quando nos demos conta, já estávamos nos encaminhando para 1 ano de namoro! Foi a primeira vez que ele disse que me amava. Hoje em dia a pessoa beija num dia, pede em namoro no outro, no terceiro dia diz que ama e no sétimo termina. Minha versão desnutrida do Obelix levou um ano para dizer que me amava (tímido e fofo que dá vontade de morder)! Não que isso seja um fator mais ou menos importante para que um relacionamento dure, mas fomos amadurecendo o sentimento de uma forma mais calma, mais segura.

Daquele primeiro momento na cafeteria até o fatídico dia dessa pergunta, foram pouco mais de 11 anos. Passamos por muita coisa juntos. Histórias, viagens, brigas, conquistas, medos, alegrias, sustos (fiz até reza para a menstruação descer, nossinhora do desespero), separações, voltas… Nunca faltou companheirismo. Sempre buscamos respeitar o espaço um do outro, nossas liberdades e individualidades. Momentos de estarmos juntos e estarmos sós. Não éramos exatamente o casal perfeito, mas havia um sentimento muito forte que nos unia.

Só que, de uns tempos para cá, algo estava desalinhado. Não conseguíamos saber o que era. Claro que há um desgaste natural nas relações depois de um certo tempo, por isso a importância do reinventar-se dentro do relacionamento, mas, até mesmo as nossas tentativas de diálogo estavam se esvaziando. Aquele brilho que havia em nossos olhos, que trazia o aconchego ao peito ao fim de um dia puxado, agora estava opaco.

Era como se, mesmo que você mudasse todos os móveis da sala de lugar ou os trocasse por novos, você não conseguisse se sentir mais à vontade ali. O problema não era a decoração, mas a casa. É difícil ficar num lugar onde o sentimento de pertencimento já não existe mais. A gente tenta, insiste, se prende ao comodismo que é estar ali, ao costume dos cheiros, marcas e rachaduras espalhados pela casa. Mas, e no fundo? Qual a nossa verdadeira vontade?

Foi amor. Aliás, foi não, ainda é. E, provavelmente, sempre será amor. Mas não como era antes. Ainda vou achar essa versão tupiniquim magra do Depardieu o cara mais fofo e do sorriso mais lindo que já conheci. Só que, realmente, eu não sei onde nessa caminhada os nossos caminhos ousaram se desencontrar.

Dizem por aí que a paixão dura 1, 2 anos, depois disso a relação deve se sustentar pelas próprias pernas. Nós não colocamos uma meta, deixamos a meta aberta e quanto alcançamos a meta, dobramos ela. Acho que, no final das contas, demos um golpe em nós mesmos. Nos acomodamos de tal forma que, quando caímos na real, encontramos dois desconhecidos vivendo no reflexo de nossos olhos. Se não sabemos onde nos perdemos, como voltar e retomar a partir desse ponto?

É preciso reconhecer quando não dá para seguir adiante. Não seremos covardes por desistir. Aliás, desistir também pode ser um ato de coragem e uma prova de amor, afinal, deixar partir quem se ama é permitir que ela busque ser feliz em outro lugar.


VITOR VILAS BÔAS.

Baiano, professor de história, apaixonado por política, café basquete, fórmula 1, natureza e pizza de atum com catupiry. Hoje caminha sem muita pressa pelas ruas de Aracaju, deixando as ideias fluírem através do encanto captado pelos seus olhos e ouvidos. Anda, frequentemente, de sorriso e coração abertos, vivendo com a intensidade que os seus 30 anos ensinaram.

TE TROQUEI... POR MIM


Coloquei tudo na balança. Fiz gráficos, estatísticas, contei os pontos, apurei os fatos. Concluí. Você não compensa mais. O tédio que às vezes me bate quando fico de bobeira, é infinitamente menor e menos prejudicial ao pouco que você me oferece. Meus afetos guardados são muito mais valiosos do que quando os entrego de bandeja pra você.

A minha solidão tem até uma certa cor, mas desbota quando acordo no meio da noite ao teu lado, naquele silêncio torturador. Desculpa por ter demorado tanto pra partir, mas sabe como é né, estava tentando aprender a gostar em fragmentos pra caber na tua vida. Mas não vale a pena. Você , nem esse jeito feio de gostar que você tem.

E eu gosto de você de um jeito tão, mas tão bonito , que preciso te deixar sem esse afeto, pra que você tenha chances de viver do teu jeito, mesmo prevendo a dificuldade que você vai ter em encontrar outros olhos que te olhem como eu.

Não. Meu amor não é maior. Nem melhor. Mas era seu.

Troco a transpiração dos nossos corpos, por batidas mais amenas no meu peito. Troco o "eu te amo" parado na garganta por risos fáceis com gente que quer viver a vida do meu lado. Troco nossas conversas intimas por um pouco mais daquilo que acho que mereço. Te troco por sonhos possíveis, pelo desejo de ter afeto sem data marcada. Te troco pela liberdade de dizer como me sinto quando as coisas fogem dos planos e a frustração é humanamente aceita. Troco teu calor pelo sol que nunca foi cenário de nós dois. Troco nossa foto guardada no fundo da gaveta pela chance de estampar olhos apaixonados na estante do meu quarto quando o amor acontecer pra mim.

Troco seu nunca por esperanças, suas fechaduras por portas.Troco você por mim.

Troco de ares atrás de lares infinitos que existem em mim e que você não quis habitar. Troco o caminho de casa, troco limites por asas.

Troco de amor, porque amor não é troco.

Peço licença pra sair. E peço desculpas por ter ficado tanto tempo. Por ter tido fé que você acreditaria em mim, mesmo não acreditando em si mesmo. Peço desculpas por você e por mim. Pelo início e pelo tanto de sim que nos trouxe até aqui.

Mas agora sim, fim.



ANA CAROLINA SOUZA.
Jornalista por indução do destino, são paulina por carma. Apaixonada por gatos, praia, livros, carnaval, coca cola e umas delícias a mais. Aquariana com ascendente em áries. Tia babona. Mulher forte e chorona. Menina boba, dessas que escreve para não explodir e ainda acredita no amor.

SE JOGUE NO AMOR



“O amor não é um jogo”. Isso já foi dito — e repetido — infinitas vezes e parece que mesmo assim as pessoas não entendem. As pessoas continuam fazendo do amor um simples jogo.

Começa tudo com um joguinho na hora da conquista, aquela coisa do “eu te quero, mas você que tem que correr atrás de mim”, e de pouco em pouco vai desenvolvendo pra um jogo muito maior, em que ninguém sai ganhando. O AMOR NÃO É JOGO!

Seja lá com qual jogo você deseje compará-lo — futebol, basquete, corrida de Fórmula 1 — apenas NÃO FAÇA ISSO.

Amor não tem regras, não tem competidores, não tem disputas; amor tem apenas pessoas. E pessoas que trazem em si sentimentos. Mesmo que tentem esconder, eles estão presentes. Mas as pessoas têm gostado de se mostrar sem sentimentos, tem fingido não sentir nada, quando dentro de si o mundo tem desabado.

Parece ser um mal da atualidade e suas tecnologias, que todo mundo fala sobre, mas ninguém muda. Vejo um mundo que reclama do jogo que as pessoas tem feito, mas que continuam repetindo o erro, sem saberem ao certo o por que. É um tal de demorar a responder a mensagem só porque o outro demorou, é não querer chamar o outro porque foi você mesmo que iniciou a ultima conversa. Aí eu pergunto: QUAL O PROBLEMA EM MOSTRAR INTERESSE???

Daniel Bovolento já disse e cito aqui “Quem ama mais sempre ganha porque se doa mais, vive mais, aceita melhor a paixão e/ou o amor que vem de dentro” e isso serve para qualquer momento da vida! Seja uma mudança nos rumos de sua vida, seja um novo corte de cabelo, ou seja mesmo no amor. Apenas não faça joguinho. Se jogue de corpo e alma, e se deixe envolver pelo momento.

Deu medo? Vai com medo! Se você não se arriscar, ninguém vai se arriscar por você, e a curiosidade de saber o desfecho vai te corroer por dentro. Não deixe que suas paranóias tomem conta de você, elas só vão te fazer andar em círculos, e se você quer ver sua vida seguindo em frente, já sabe né?! Paranóias não são um bom caminho.

Então se jogue, no escuro e sem amarras, pois somente assim você irá conseguir se livrar dos joguinhos alheios e amar por completo! Seja a si mesmo, seja a um certo alguém.


MARINA COUTO.
21 anos, estudante de Letras, forrozeira e apaixonada por palavras. Escrevo pra me sentir livre, não tenho destinatário certo, acho que assim fico mais desapegada e escrevo Com a alma. Gosto de escrever para as outras pessoas saberem que não estão sozinhas. Quem vai ser meu interlocutor? Quem ler decidirá se aceita ser ou não. Se você se identificar, é um novo interlocutor, escreverei pensando que não estou só. Escreverei pra nós

5 PASSOS PARA VOCÊ DEIXAR DE SER TROUXA




Trouxa, tonta (o), boba (o), seja lá o que for, saia dessa! Apresento aqui cinco passos simples e introspectivos para você deixar de lado esse papel amarrotado de trouxa que tem feito.
Não se entusiasme, não vou ensinar ninguém a socar rostos ou dar pontapés, serei muito sutil.

1. PARE TUDO QUE ESTÁ FAZENDO!


O primeiro passo é apenas parar e se observar, pacientemente. A verdade é que nos iludimos com muitas coisas da vida e a principal é achar que nos conhecemos. Não sabemos nada a respeito de nós mesmos, por isso deixamos tantas coisas passarem. Empurramos problemas com a barriga e engolimos a seco ofensas, desaforos, calúnias, desrespeitos, e por aí vai.


2. VIGIE.


Mais precisamente se vigiar, dar conta de assimilar situações cotidianas e pesá-las. Com a dureza dos dias e a correria das horas, deixamos de lado a sensibilidade que carregamos e que não sabemos canalizar quando ela dá um sinal.


3. PONTUE SUA TRAJETÓRIA.

 

O terceiro passo é se perceber no mundo e nas relações, pontuar sua trajetória até o dado momento e se enxergar nela. Vez ou outra sentimos um vazio ordinário e intenso. E não é um vazio só, na maioria das vezes são vazios – no plural mesmo! –, lutos não vividos ou mal vividos que escondemos por não saber lidar. Por, exatamente, não se perceber como verdadeiramente se é. Esse terceiro passo é um exercício profundo, nele você pode descobrir a importância de viver e não se abafar.


4. AUTOCONHECIMENTO.


O quarto passo é se conhecer internamente, se reconhecer e planejar mudanças. Ele está totalmente relacionado ao terceiro – aqui todos os passos estão interligados –, sendo que um depende do outro pra acontecer. E esse passo concretiza o anterior, te faz um convite assim: Hey! Viva seu luto. Luto é pra ser vivido, sentido mesmo. Viver o luto sana a dor, o sofrimento, e o que fica é o aprendizado, o dia após o outro. Experimenta!


5. RESPEITE-SE.

 

O quinto passo, e não menos importante, é aprender a se respeitar, perceber seus limites e respirar fundo a cada pedaço de caminho trilhado, dando margem e relevância ao que te acrescenta. Ouviu e não gostou? Releve. Abstraia. Finja surdez, cegueira e emudeça.

A vida é feita de perdas, idas, vindas, abraços, despedidas, sorrisos e lágrimas.


Ser trouxa não é apenas ser a (o) otária (o) da vez. No meu ponto de vista, ser trouxa é não saber de si, não conhecer seus próprios limites e não saber se posicionar diante de qualquer obstáculo ou adversidade que a vida nos atira no colo e na cara! E mais, é querer se encaixar sempre, querer se enquadrar em padrões que em nada combinam com a vida que se leva. Tudo por aparência, pra inglês ver. Isso é o mesmo que jogar poeira debaixo do tapete.

Agora deixa de ser trouxa e vai se descobrir!

The Voice excited yes christina aguilera yay


ANA NUNES.
Psicóloga, escritora, mãe, autora do livro Um tanto de coisas. Cacheada, baiana e dona de beijos inteiros! Ama quando as palavras a alcançam e, principalmente, quando convidam a alma de outro alguém pra um abraço coletivo! Acredita que o sorriso transforma qualquer dia amargo em barra de chocolate, e que somente ele pode determinar o rumo do seu dia.

5 MÚSICAS PRA CHAMAR DE MINHAS.



É bem verdade que não há nada nessa vida quem não possa ser embalado por uma boa música. E teimamos em guardar muito mais em nossas memórias esses momentos com suas trilhas sonoras. Um amor, um amigo, um dia, uma viagem, um show, uma conversa... Tudo pode ter uma música pra chamar de sua. Pensando nisso, resolvi juntar cinco músicas que tem feito meu coração palpitar por esses tempos (novos ou velhos) pra compartilhar com vocês.

1.  CARTA - PAGAN JOHN 
Difícil é escolher uma música só dessas coisas lindas, então corre e escuta todas que são de derreter qualquer coração. E os clipes, então, são puro amorzinho.



2.  ESCOLHO VOCÊ - SANDY 
Essa me ganhou no clipe, podem ter certeza. Dei boas risadas. Rolou uma tal identificação.


3.  QUANDO BATE AQUELA SAUDADE - RUBEL 
Simplesmente, não sei lidar com essa letra.



4.  TEMPO DE PIPA - CICERO 
Aquela delicinha que não sai da cabeça nunca, sabe? Essa música me ganha a cada vez que escuto.




5.  SONHO - NAÇÃO ZUMBI
Nação é Nação. Não tem adjetivos nem justificativas. Só ouvindo pra saber o quanto é capaz de mexer com o coração, com a vida.



E vocês, que músicas embalam os corações, histórias, amores? Contem pra a gente.

MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

CARTA PRA NÃO DIZER QUE TE AMO

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Meu amor,

Se eu pudesse te dizer apenas mais uma vez "eu te amo", o faria de forma diferente. Eu beijaria suas pálpebras pela manhã e faria seu café. Também colocaria uma flor dentro de um copo com água, do lado da cabeceira da nossa cama. Sei que você nunca foi muito fã de buquês, mas adorava a simplicidade de uma flor comum que, geralmente, mais ninguém observaria — eu aprendi a observar por tua causa. Aliás, aprendi uma série de coisas contigo que, confesso, antes não dava muita importância. Hoje eu separo o lixo da casa e jamais deixo caco de vidro pra alguém se machucar.

Sabe, meu amor, quando a gente entra em um relacionamento, sempre tem alguém pra dizer que é besteira. Afinal "tem tanta gente no mundo, né?"... "A vida é tão curta" e blá, blá. Ouvimos muitos desses argumentos, mas com tanta gente nesse mundo inteirinho, não tem absolutamente ninguém que mexe nos cabelos como você. Que dá aquele sorriso de canto de boca, que tem seu cheiro doce, que faz voz de bebê pra falar comigo e cara de brava que nunca funciona, de tão fofa que é.

Se eu pudesse dizer apenas mais uma vez "eu te amo", eu não diria. Eu agiria em cada detalhe com esse amor. Eu deixaria, inclusive, um pouco de amor esquecido de propósito na tua mesa de trabalho pra você sempre se sentir bem.

Você é tão linda, meu amor! Tão linda que não merece apenas uma frase de amor. Merece uma vida inteira pra ser amada. Até nos dias despenteados — principalmente neles. Eu adoro esse teu cabelo bagunçado, sabia?

Se eu tivesse só mais uma única chance nessa vida de dizer "eu te amo" eu assistiria um filme do Woody Allen contigo no cinema, sem sequer bocejar. Eu deixaria você montar as playlists com aquelas bandas desconhecidas que você ama e eu nunca me interessei. Eu teria falado menos de mim e te ouvido mais. Por isso não quero mais que você ouça minhas histórias mirabolantes. Quero ser mais que um "Eu te amo" dito. E serei. Serei porque quero que você continue aqui e de preferência pra sempre.

SUÉLEN EMERICK.
24 anos. Brasiliense que vê poesia no cinza do concreto. Jornalista que escreve por/com amor. Uso vírgulas e crases imaginárias pra contar histórias, e o coração pra vivê-las.

MULHERES


Outro dia li um texto em que explicava a relação de cada signo do zodíaco perante os relacionamentos afetivos. Ressalto, antes de tudo, que não acredito nessas definições, entretanto, confesso que ao ler as nuances do pisciano, levei um baita susto — Porra! Por que esta autora está descrevendo com tanta precisão minha personalidade?!

Imediatamente após, lembrei daquela antiga canção de Martinho da Vila — mulheres — e recordei algumas das mulheres que passaram e marcaram minha vida. Mulheres de todas as cores, idades, amores, valores, sabores, etc. Não recordo o signo de cada uma delas, mas as características psicoemocionais ... Ah! Essas eu jamais esqueço.

Logo na estreia do meu primeiro beijo, pensei que seria o último. A menina tinha uma personalidade forte e pavio curto, era uma espécie de José Aldo mirim — brigava por tudo, ou melhor, simplesmente por nada. Acho que fui o primeiro pré-adolescente a consumir Rivotril para combater a insônia e o medo de decepcionar aquela fera. Felizmente a família dela mudou de cidade e, graças a Deus não estampei as páginas do Super Notícias, nem entrei para as estatísticas dos crimes passionais.

Algum tempo depois, contando com alguns milímetros de amadurecimento e alguns quilômetros de lábios provados, comecei um envolvimento com uma mulher um pouco mais velha, no entanto, um tanto mais calma que eu — um tanto mesmo. Ela não esquentava a cabeça com coisa alguma, a vida dela era uma constante meditação. Com esta, vim a perder minha virgindade e provar os prazeres do sexo. Pena que toda sua calmaria era incompatível com minha incontrolável adrenalina, portanto, seguimos rumos que nos levaram a caminhos distintos.

E o que dizer daquela outra?! Meu Deus! Extremamente ansiosa. Logo na primeira semana do nosso envolvimento, me chamava de amor e trafegava nos corredores do shopping a olhar toda e qualquer vitrine das lojas de noivas, numa incrível avidez. No mês subsequente, já escolhia nomes para filhos que ainda habitavam meus testículos. Assustado, eu buscava a porta de saída daquela mulher, mas, sempre que isto ocorria ela me ligava se dizendo “ansiosa” para estar comigo.

Outra que passou por minha vida e bagunçou tudo — inclusive meu peito — foi a mulher incompatível. Acho que meu santo protetor cochilou quando fomos apresentados e no momento em que ele despertou, já havíamos trocado telefones, carícias e beijos. Descobri com ela que palavras de baixo calão podem ser música nos momentos de prazer, que Maria da Penha não se aplica na cama, que o amor é medido enquanto o sexo é desregrado, que nada tem sentido e que a palavra “FODAS” é a forma mais barata de sentir alívio.

Provei e enlouqueci com algumas mulheres bipolares, tipos que te amam na ida e te odeiam na volta. Já fui reprimido por estar sério demais — a famosa cara de bunda —  e julgado por rir de tudo — idiota. Falar “eu te amo” com as bipolares é quase um suicídio —  elas sempre questionam o que você aprontou, enquanto, não dizer “eu te amo” com elas é a morte propriamente dita — Filho da puta insensível!

A grande verdade é que, as diferenças alheias estimulam nossas virtudes. Posso assegurar que a cada envolvimento, cada dissabor e cada momento vivido nas relações supracitadas constituíram grande aprendizado e crescimento pessoal. Toda mulher é especial, não importam as particularidades do famoso “jeito de ser”, cada marca tem o seu valor e cada valor me marca.


DIEGO AUGUSTO.
Mineiro de Belo Horizonte, engenheiro de produção por profissão e escritor por paixão. Amante da vida e das pessoas, acredita que os sonhos embalam a vida e o amor propulsiona os sonhos. Odeia o mais ou menos e pessoas que querem progredir cedo acordando tarde. Apreciador de cervejas e conselheiro de temas que pautam as mesas de bares.

NO FIM, A SAUDADE FICA.


Oi Pai, como tá aí em cima? Confesso que posterguei um pouco esse momento e nem iria fazê-lo, mas por muita insistência eu vim, eu tinha que vir... Porque mesmo que bem pouco, eu ainda me lembro de você.

Eu era tão pequena quando você se foi, sabe?! E saber que foram apenas 6 anos juntos, me dói o coração... Eu queria ter passado mais tempo contigo, só Deus sabe o quanto eu queria. E ainda quero. Eu queria ter ganhado mais cafuné teu, ter ido assistir filmes, passear mais vezes por Maranguape, ir nas lojas de brinquedos e sair correndo pelos corredores contigo. Sinto falta da tua risada, da tua voz carinhosa, do teu abraço reconfortante, do teu chamego e do teu amor. Eu sinto falta de você, sabia?!

Às vezes parecia que você só tava viajando e eu pedia — fiel e ansiosamente — à Deus pra você voltar logo, mas você nunca voltou. E eu nunca mais te vi. Já faz 10 anos, desde então, e eu ainda sinto sua falta, pai.

Hoje, quando as redes sociais estão lotadas de fotos e textos pros pais, a saudade é maior e a lembrança é mais dolorosa, porque mesmo que eu queira, por mais que busque algum resquício em qualquer parte da mente, eu sinto falta de ouvir tua voz. Ainda que eu não me lembre dela — me desculpe por isso. Eu não vou escrever mais, porque dói, sabia?! Eu não quero chorar, porque o senhor nunca quis me ver chorando e sempre fez de tudo pra ver um sorriso no meu rosto, por mais que em você doesse.

Eu nem deveria ter vindo aqui, porque as pessoas são más, pai. Sempre foram. E, muitas vezes, elas não entendem a dor de perder um pai ainda tão pequena, ou de nem sequer lembrar a voz dele. Elas não entendem a falta que faz, mas eu só preciso que você entenda — eu sei que entende. Mesmo que não me ouça, eu sei que me sente...

Pode crer, eu to bem, eu vou indo. To tentando, vivendo e pedindo com loucura pra você renascer.

Eu vou te amar, por toda a eternidade, Pai.


LAYLA MOTA.
16 primaveras. Uma baixinha arretada e apaixonada por um ilustrador. Aspirante à blogueira, escritora e desenha nas horas vagas. Louca por fotografias e pôr-do-sol, cristã evangélica de corpo e alma. Coleciona sonhos, histórias e gosta de compartilhá-los com gente que gosta da gente.

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EU SEMPRE TE AVISEI


Sempre te avisei, alertei e te dei o conhecimento de que alguns outros caras tinham passado pela minha vida. Alguns eu não faço a questão nenhuma de lembrar e diariamente eu tento esquecer, fingir que nada aconteceu e que consigo muito bem conviver com essas lembranças. Ainda assim, alguns foram capazes de deixar marcas e me fizeram começar a pisar em ovos, tomar um cuidado sem tamanho e evitar me jogar de uma forma tão intensa.

Eu sempre te avisei e tentei lhe explicar, porém você não se ligou nas minhas dicas e nem teve o cuidado necessário. Por isso hoje eu te aviso que o vinho está na geladeira, suas roupas se encontram na gaveta, e eu estou partindo, indo e pretendo nunca mais voltar.

Queria poder te dizer que as coisas que deixo aqui não irão me fazer falta, mas não consigo mentir. Esse sempre foi um dos meus maiores defeitos: a minha transparência e a necessidade de dizer tudo aquilo que sinto. 

Deixo com você os meus sentimentos — aqueles mais verdadeiros que te entreguei —, prefiro que eles permaneçam aqui, afinal eles sempre foram inteiramente para você. E diariamente você tinha uma crítica referente a isso, porém nunca me arrependi de correr e permanecer ao seu lado, até nos momentos mais difíceis.

Na mala levo somente o essencial. Estou deixando sua camisa, aquela que era minha preferida e que, por sinal, eu vestia toda vez que ia fazer o café. Não preciso de algo material para reviver esses momentos, eles permanecerão aqui dentro do meu coração.

As minhas gavetas estão vazias. Não me julgue fraca por estar partindo em uma noite fria. Parto agora para que não veja o seu rosto ao amanhecer. Se amanhecesse contigo mais uma vez, não conseguiria ir. Deixo aqui meus sonhos, vontades e todo meu amor. Não carrego comigo nada que me impedirá de seguir em frente.

Se cuide! Prometo que ainda irei te observar de longe, só não dava mais para ficar aqui, sofrendo com todo esse meu excesso de amor. Você irá superar, assim como eu também. Fique bem.

ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

EU SOU GIGANTE DEMAIS PRA VOCÊ

amor-próprio

Eu esperei você me telefonar, andei grudada com o celular por todo o canto, recusei ligações com receio de você desistir ao ligar e perceber que eu já estava ocupada com algo. Torci todos os dias para ouvir o interfone tocar e ser o porteio anunciando a sua chegada. Eu vi o sol nascer no mar, sem seu ombro para apoiar a cabeça mais vezes do que desejei — e te imaginei comigo em cada uma delas.

Você nunca veio, não mudou de ideia e nem quis me ouvir batendo o pé pedindo para ficar. Não ligou, não combinou com o porteiro para entrar sem anunciar sua chegada, só para me surpreender. A tela do meu celular nunca mais viu seu nome e, ainda assim, tem tanto de você por aqui. Você foi embora e deixou sua marca em todos os cômodos.

Por um bom tempo a minha vida ficou estagnada e tudo permaneceu do jeito que você deixou, eu torcia para você voltar e encontrar as coisas nos mesmos lugares. Mas chega uma hora que a gente cansa, sabe? Essa espera maltrata e a saudade bate toda noite, só que eu estava farta de apanhar por uma ausência de alguém que nunca teve a pretensão de ficar. Aí eu transbordei, meu bem. Chorei rios de lágrimas, com a péssima ideia de que a culpa era minha, mas no fundo eu sabia que tinha te dado todos os motivos para ficar e você não quis.

Até que acordei um dia, com um clique, em uma madrugada qualquer, percebi que todo meu tempo estava sendo desperdiçado por alguém que jamais soube ver o melhor de mim. Eu comecei a entender então, que toda essa minha espera — antes inútil — tinha servido de algo, porque ela me mostrou que uma falta de resposta é a melhor resposta que se pode esperar de alguém.

Eu precisei ter meu coração quebrado para aprender a juntar os pedaços sozinha e entender que é melhor aceitar a minha própria companhia do que me diminuir para caber em qualquer canto e, meu amor, eu sou gigante demais para você.

MARI GUIMARÃES 
22 invernos, escritora do livro "E se fosse verdade?". Mineira que vive no Espírito Santo, estudante de Oceanografia, apaixonada por café, livros e escrita desde quando aprendeu a identificar as primeiras letras. Encontrou lá toda a coragem que não tem pra dizer aquilo que vem à cabeça. Aquele eterno e irritante clichê que isa as palavras como seu refúgio. Não fala pelos cotovelos, mas escreve como um furacão.

EU NÃO TIVE UM PAI.



O dia de hoje pede que a gente comemore ao lado de quem, supostamente, cooperou para nos trazer ao mundo, mas essa nunca foi a minha realidade e nunca será. Não me atrevo a opinar se é feliz ou infelizmente. Não me cabe reclamar, só agradecer. A grandiosidade da palavra pai, na minha vida, é tão imensa que não pude torná-la exclusiva. Ao longo dos anos que carrego eu tive o prazer, a alegria e a gratidão de conhecer muitos deles.

Ganhei meu primeiro pai quando ainda nem conhecia o ar do lado de fora da minha quentinha e confortável barriga. Eu tinha pouquíssimos meses quando fui "adotada" pelo meu bisavô. Eu ainda não sabia como eram seus olhos de jabuticaba, mas ele profetizava que eu os herdaria — e assim o fiz. Ele, ao lado da minha mãe, foi o guardião que me protegeu da brutalidade humana que já tentava me impedir de ser. Não me alegro em dizer que muitas delas vieram de quem carrega meu próprio sangue, mas ele estava lá pra garantir que eu herdaria sua sensibilidade também. Quando eu brincava de chutar as paredes, bastava que ele dissesse meu nome e eu voltava a ser calmaria.

Até que eu nasci. E nada mudou. Pela primeira vez ele se viu trocando fraldas, esquentando leite e colhendo flores pelo jardim da minha bisavó — enquanto ela reclamava que ainda iríamos matar todas as plantas dela — só pra colorir o meu berço. Foram infinitas as noites em que tive meu sono embalado pelo som da sua voz, aquecida pelos seus braços que nunca haviam segurado bem mais precioso. "Vovô Menel", eu dizia. "Minha bisneta", era o que saía de sua boca com orgulho, durante os anos em que conseguiu permanecer entre nós. Ele foi o meu primeiro e eterno pai. O meu primeiro herói.

O segundo, o terceiro e muitos outros eu conheci quando ainda não sabia como era guardar lembranças, mas soube que eles foram fundamentais para que eu permanecesse em segurança. Um deles eu ainda tenho o prazer de chamar de "paidrinho", ainda que nunca tenhamos dividido nenhum banco de igreja. Foi com um abraço que ele me batizou e é com amor que ele ainda me educa, me ensina sobre os valores da vida e é meu maior exemplo de honestidade e amor. Com ele eu aprendi que distância é só uma bobagem inventada pra desafiar a saudade. E nós a destruímos uma vez por ano, quando dividimos risadas, feijão fresco e um sofá. Ele foi e ainda é um dos pais que eu escolhi pra vida, sem arrependimento algum.

O seguinte apareceu do nada, numa pousada do centro de Olinda, entre uma cerveja e um violão. Foi por ele que a minha mãe se apaixonou e com ele ela dividiu os vinte anos seguintes. Aos três anos eu lhe perguntei "você quer ser o meu pai?" e, para a minha alegria, ele me disse "sim". Ele me ensinou a andar de bicicleta, a nadar, brincar com bola de gude, a comer macarrão sem morder, arrotar como ele — obrigada por isso, sério — e muitas outras coisas. São inúmeras as nossas diferenças, nossas desavenças e nossos erros, mas quem é perfeito? Devo à ele toda a estrutura que tive, o gosto pela música brasileira e muito mais. Não dividimos carga genética, mas somos mais parecidos do que admitimos.

Depois dele tive muitos outros. Pais de amigas, professores, sogros e amigos da família que minha mãe custou para construir. Listá-los seria uma tarefa longa demais para caber nesta crônica, mas minha gratidão permanece espalhada por todo o meu peito, registrada em inúmeras fotografias que guardo na memória e me causam gargalhadas e lágrimas, enquanto escrevo estas linhas felizes.

O último pai que escolhi nunca me abraçou, nunca me disse um "eu te amo", nem me conheceu quando criança. Ele nunca me viu andando de bicicleta nem dividiu o mesmo teto que eu. Nunca sentamos para conversar sobre a vida — na verdade, nunca conversamos sobre nada — e, pra falar a real, eu o escolhi por tabela. Ele carrega o nome e o sangue daquela que eu escolhi para dividir a vida comigo e, do jeito dele, sei que cuida de nós da melhor forma que pode e consegue. Ele me ensinou que ser pai não tem a ver com dizer amém para todas as escolhas dos filhos, mas reconhecer que se é para o bem deles, passar por cima da discórdia é válido. Com ele eu divido a cerveja, o controle da TV, as sacolas do mercado e compartilho do temperamento um tanto quanto explosivo. Ele trouxe ao mundo a pessoa que hoje chamo de família e, por isso, ele já tem minha gratidão e meu amor. Ainda que nunca tenha lhe dito isso.

Eu não sei de quem herdei os meus cabelos, tão diferentes dos da minha mãe. Eu não sei se ele tem a risada parecida com a minha, ou se nosso jeito de andar é igual. Talvez eu nunca saiba. Ainda assim sou grata à ele por nunca ter se dado ao trabalho de conhecer quem ajudou a colocar no mundo, porque isso me deu a chance e o prazer de ter não só um, mas vários exemplos de amor incondicional, cuidado, carinho e amor.

Eu não tive um pai. Eu tenho vários.

Foto: arquivo pessoal

GISELLE F..
É uma pernambucana por nascimento e paulista por consequência da vida. Escritora, blogueira e brinca de ser poeta de vez em quando. É a típica mulher-eternamente-menina que, apesar de ter cicatrizes profundas, nunca deixou que seu medo lhe impedisse de se aventurar mais uma vez. Quando sente demais, transborda em palavras.