VOCÊ NÃO MATA A SAUDADES, MAS ESTÁ DEIXANDO ELA ME MATAR!



Qual é?! 

Achou mesmo que eu nem ia notar tua ausência? Você foi embora achando que eu não sentiria falta, mas quando você foi, algo desmoronou por aqui. Quando você foi faltou tudo para mim, faltou abrigo, faltou atenção, faltou sorriso, faltou amor, faltou a gente na minha vida que virou uma sobra de lágrimas e dias regados a disfarces, para ninguém perceber o vazio que você deixou nessa sua despedida covarde, nesse avião que você entrou olhando para trás, mas sem coragem de voltar. 

Você pegou um vôo sem escala para bem longe da minha vida e agora eu fico te vendo nessas fotos que não te mostram mais, afinal, três meses se passaram e eu só percebi no primeiro dia do quarto, que você não voltaria mais; e doeu, e tem doído. 

Você nunca vai saber o que a saudade está fazendo comigo. Você nunca vai voltar, e eu demorei demais para aceitar. Assim como demorei para te aceitar na minha vida, e depois demorei para admitir que te amava. E eu te amava demais. E enquanto isso for verdade, ainda vai doer, moço. Vai doer até eu encontrar um novo amor, pois a vida é assim, feita de encontros e despedidas, e mais que tudo, feita de muitos amores.

E eu quero que você saiba que encontrar outro amor jamais vai diminuir o amor que tivemos, sabendo que fomos únicos e suficientes. Você não conseguiu continuar e, sei que um dia entenderei. Mas hoje eu só consigo chorar sua saudade, hoje é o segundo dia do quarto mês, ontem tudo se tornou real e eu ainda sinto sua falta! Saudade é isso que carregamos um do outro, o pouco que conseguimos levar quando tudo acaba; parece um furacão, e a gente vai tentando segurar com os braços desesperados um pedacinho do que foi construído, e conseguimos muito menos do que gostaríamos. Eu espero que você também sinta saudade, e na minha esperança covarde, espero que ainda sinta aquela vontade de olhar para trás, mas dessa vez, crie coragem para voltar.


NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

UM SORRISO E TRÊS CHOCOLATES!



Eu tinha falado pra mim mesmo que ia parar com essa mania de ficar reparando nas pessoas, mas como que não repara naquela guria linda vindo na minha direção com o sorriso aberto e com aquelas covinhas?! 

Ela insiste no salto, mas nem sabe que eu curto mesmo é quando ela está baixinha, por motivos óbvios também. Com o salto ela se sente mais mulherão, mas é da guria de sapatilha e jeitinho de menina que eu gosto mais. 

Ela adora vermelho. Seja no batom, na roupa ou num enfeite de cabelo. Aquele cabelo é cheio de ondas, e eu sou doido pra mergulhar. Nos fios e na imensidão que ela é. E olha que eu nem sei nadar! 

Passa pra lá e pra cá e eu fico igual bobo assistindo jogo de ping-pong seguindo com o olhar. 
Ela é tímida, mas só até a página dois. Na três então, já fez 27 apostas e deve uma filial da cacau show. 

Eu não vou falar que fomos feitos um pro outro, até porque ela não gosta de cerveja, de praia nem de comida japonesa. É a prova que ninguém é perfeita. 

Já falei que ela tem uns medos malucos? Mas isso fica para um outro texto. 
Menina boba, fica vermelha com elogios, mas não perde a oportunidade de me deixar sem graça com os dela. 

Ela vai se abrindo, desabrochando conforme vai sendo regada por sorrisos e um papo leve. Ela é meio caipira, de camisa xadrez amarrada na cintura, chapéu e bota de montaria, mas não vá pensando que vai ser fácil laçar essa guria. Ela é meio indomável, adora uma rebeldia, mas fica por conta própria se tiver cafuné e pizza.

Viu?! A gente não é tão água e óleo assim. 
Eu admito que tenho inveja da cachorrinha dela. Divide a cama com aquele corpo gostoso que ela tem e ainda ganha carinho todo dia. Será que aquela foto com o filtro do snapchat serve pra eu arranjar um cantinho?

Provavelmente ela vai ler isso com os olhinhos brilhando e um xingamento passando na cabeça, seguido pela frase 'ele conseguiu'. 

Sim, eu sou um idiota. E aposto um chocolate que você sorriu. Com esse já são três, ok?!


DIEGO HENRIQUE
Prazer, Diego Henrique, 24 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.

A GENTE SE DEVE O PRAZER DE SER FELIZ!



Já é tarde eu sei, tenho sentido essa sensação constantemente nos últimos anos, sinto isso uma vez por semana ou talvez todo dia, quando reparo que ainda falta tanta coisa pra fazer, tanto sonho pra conquistar e muito o que batalhar pra ser o que desde criancinha desejei.

É tanta mudança cotidiana, mal vejo as pessoas curtindo a rotina despreocupadamente. Tudo tão apressado!

A gente pode se acostumar com um novo emprego, uma nova casa, uma nova amizade e até um novo amor.

Pode se adaptar a inúmeras atividades antes desconhecidas,  e nosso modo de pensar é algo que também pode ser modificado.

O tempo continua passando, em nossas faces, rugas aparecendo, fios brancos em nossa cabeça e na barba do vendedor de jornal denotam o quanto nada está igual. Faz uma década ou mais que deixamos de ser as crianças da família e com isso os presentes pedidos ao Papai Noel se tornaram lembrancinhas singelas, que aquela tia que só vemos no Natal deu pra gente.

Mas você deve estar pensando o que quero dizer com essas coisas todas, não é mesmo?! Estou num fase muito auto-analítica e com isso, indissociavelmente, prendo o pensamento no passar das horas, no levar dos anos e na forma que somos: breves e perecíveis. Penso mais ainda na maneira que vivemos. Confesso que fazer essa análise pode prejudicar o aproveitamento da vida, afinal, só sendo muito capaz de reconhecer a razão de termos nascidos nesse mundo e não em marte, pra não imaginar os riscos que nos submetemos toda vez que deixamos de agradecer o que temos e somos, os momentos em que não fazemos o bem pros outros, quando cultivamos ódio, rancor, fomentamos inveja ou aspiramos o que não pode ser nosso.

Mas como iniciei esse texto, a gente pode se acostumar com um novo emprego, uma nova casa, uma nova amizade e até um novo amor, mas acho um desperdício de vida, passarmos por aqui sem conhecer a felicidade.

A gente se deve o prazer de ser feliz, não é certo ficar pra outra hora!

Essa vida tem que valer a pena, e sinceramente acho que todo mundo precisa conhecer de fato a felicidade.


JOANY TALON
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

UM CAMINHO CHAMADO LIBERDADE!



Peguei meu carro e saí. Som alto, vento na cara, pouca bagagem. E você estava lá! O mesmo sentimento, o mesmo trajeto, as mesmas ideias loucas de viver intensamente todos os sabores da vida. Tudo o que eu queria era me perder nos caminhos da vida e me encontrar nos teus braços. Viver sem rótulos, sem convenções, sem ser obrigado a ter uma meta traçada para os próximos cinco anos. O que fazer? Parar em todos os pubs no caminho, tomar umas e ouvir boa música e, enquanto isso, te beijar sem culpa e sem pudor. Dormir no banco de trás, acordar enquanto você dirige se achando a melhor motorista das galáxias. Contar piadas sem graça e achar graça quando você começa a rir. Risos de ingênua felicidade que nos fora proporcionada, risos de quem mal sabia pra onde ia e tampouco se importava com isso.

Cruzamos cidades e estados, províncias e vilarejos, aprendemos muito, ensinamos algo, nos permitimos em tudo. Embalamos crianças, ajudamos velhinhos a atravessar a rua. Choramos com o cortejo fúnebre, consolamos a viúva. Dormimos e acordamos em tantos lugares, comemos em tantas pocilgas, vimos tanta gente, cada qual com seu jeito, sua forma, sua cor, sua crença. Nadamos nos rios, mares e oceanos, andamos de maria-fumaça, navegamos de transatlântico, voamos de teco-teco. Vimos animais de todas as espécies, de todas as famílias, de todas os ecossistemas. Dançamos na chuva, nos bronzeamos ao sol.

Em cada sorriso teu, a certeza de que tudo que outrora fora importante perdera o sentido e que a vida medíocre um dia vivida jamais seria perpetrada por mim. Fomos nos construindo durante o percurso, nossas novas identidades eram muito mais fieis a nós mesmos,  jamais seriamos novamente como fomos em  nossas antigas vidas. Em nosso DNA não havia mais nenhum traço da civilização caótica que havíamos deixado pra trás, éramos uma nova vertente da evolução da raça humana. Vivíamos como se o mundo fosse nosso habitante: coexistíamos. Conseguimos, enfim, tirar nossas vendas para as necessidades do outro, para as necessidades do mundo que, como um ser, conosco convivia. 


Tudo o que aprendemos, sentimos e praticamos está marcado em nossas almas como tatuagens feitas pela mão de Deus, apenas porque nos permitimos viver, nos permitimos amar sem fronteiras, nos permitimos ser mundo e não apenas estarmos nele. E não voltamos atrás, nunca voltaremos. Ora, não há bilhetes de volta quando a viagem é para o infinito e o caminho para chegar a ele é a liberdade!


EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

SOBRE INSTANTES DE CORAGEM E ALEGRIAS.



Ele se lembrou intensamente daqueles olhos, castanhos, que para muitos pareciam comuns -  mas não para ele. Em sua busca incansável pelo acalento dos ditos olhos, sabia que eram únicos e misteriosos. Ela sorriu e pela primeira vez ele sentiu que algo no mundo se encaixava perfeitamente bem, ela, naquele instante, naquele lugar. Lembrava-se de como se sentiu atraído quase instintivamente a abraça-la. Poesia foi feita daquele instante, ridiculamente platônico, nada jamais foi tão injusto como o fato de ela não estar ali em seus braços.
Começou a escrever um novo texto, mas droga, aquilo virou uma carta para ela, ele nem a conhecia e sua veia romântica que pulsava sob as tatuagens e tudo que ele buscava esconder, já saltava a toda. Era, afinal, um romântico incurável. O que faria para ter, colado nos dele aqueles lábios, que já não saíam de seus pensamentos, de repente, tudo era íntimo, tudo era ínfimo. Pensou em perguntar seu nome, dias se passaram até que reunisse coragem, quando finalmente abandonou sua timidez e fez jus a 15 segundos de coragem. Maldita seja toda a vergonha e insegurança que teve ao sentir seu cheiro, ele mal havia se aproximado. E então:

-Oi, você está bem?

Que diabos?! Ele parecia um completo idiota ali, parado, na frente dela, talvez estivesse meio paspalho naquele dia, em especial, tinha que ser. Afinal, havia voltado aos 13 anos?

-Oi, claro. Estou ótimo, prazer, Renato.

Finalmente. Nem sabia de onde as palavras vinham.

-Prazer, Isabela.

Ah, claro. Olhando ali de perto ela parecia tão menina com aquele sorriso infantil, mas com certeza era uma mulher, a mais linda que já havia visto, por padrões totalmente distorcidos, algo de alma.

-Você estuda aqui? Tenho te observado há uns dias...

Por que falou aquilo? Entregou o jogo.

-(risos) Sim eu faço ciências políticas. E você?

-Também estudo aqui, biologia.

-Por que me observava?

-Como te dizer que você me encanta e eu não sei explicar sem parecer um louco? 

Mais risos, naquela noite e em várias, mais conversas leves e a certeza que algo estava acontecendo. Duas semanas, juntos, comentários rolando entre colegas e, finalmente, o primeiro beijo. Não é incrível a sensação quase pura de beijar alguém por quem nos apaixonamos pela primeira vez?!

Dois meses se passaram daquele primeiro beijo, nesses dois meses muitos beijos, e mais que isso, conhecimento. Ele descobriu que a menina dos olhos escuros carregava em si marcas e alegrias, dores e sorrisos-mil. Numa noite que poderia ser tão comum como ele acreditava ser, resolveu que faria aquela pergunta que vinha guardando:

-Namora comigo?

-Achei que já estávamos fazendo isso...

Ela e o dom da leveza e aquele toque sarcástico.

-Sim, namoro com você.


Se lhes contassem aquela história três meses atrás, ambos não acreditariam. Ele escondido em si, ela perdida no mundo. Ele sorriso tímido, ela gargalhada. Ele pernas bambas, ela borboletas no estômago. Ele a amava, ela o amava também.

NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

PARA UM DESCONHECIDO, MINHA CONFISSÃO!

Cheguei, ela não estava lá, não só ela como sua presença, podia sentir o vazio mesmo antes de saber, de procurar o som do sorriso por todos os cômodos do que antes eu cheguei a chamar de lar.
Parecia que meu corpo estava ligado ao dela,  cada fibra minha vibrava com a simples ideia daquela presença, com o perfume que eu já pensava que era meu, que ainda está nas minhas roupas,  na cama que ela deixou por fazer quando saiu,  e não pude mais deitar sozinho desde que me tornei ciente da minha solidão.

Ela com aqueles grandes olhos castanhos sempre me olhando tão fundo. Nunca duvidei que conseguissem ver minha alma. Conseguiam me ler de um jeito tão profundo que me assustava. Eu sabia quando olhei bem dentro deles e não acreditei que eles estavam me dizendo adeus. Ela não iria embora, não poderia, acreditei que ela seria minha para sempre. Agora a nossa casa estava vazia. As roupas não estavam mais lá, nem mesmo a meia de seda que sempre ficava jogada em cima da cama de qualquer jeito. Ainda sou seu; não compreendo meu desespero, não há mais ninguém aqui para ouvir minhas reclamações.

Pedi, implorei pra não ir, mesmo sabendo que era em vão. Quando me arrastei pra dentro desta vida sem ela sabia que não seria possível, sem carinho, sem amor. Amei, com tudo que poderia, como um vendaval em um dia de verão, com todo meu corpo. Doei-me sem pedir nada em troca, mendigando daquilo que em migalhas pelo avesso ela me mostrava ser possível dar. Aquela presença que me fazia sentir incrível e miserável.

 Não me deixou por não me amar. Pelo contrário. Deixou porque enfim amava. E eu sigo amarrado ferozmente nesse sentimento. Não quero me ouvir e sei que você também não quer ouvir as lamentações de mais um desconhecido qualquer que se senta aqui e pede uma bebida barata para poder abrir o coração, mas não me peça para parar agora, quando finalmente tenho coragem para colocar tudo isso pra fora do peito.

Duvidei, como duvidei que ela pudesse ir! Implorei como uma criança que pede a presença da mãe para dormir e não sabe onde ela está. Não nego a culpa que me pertence, de tudo, do meu sofrimento quando não me deu chance, quando decidiu por mim a infelicidade que me atiraria; não importa agora não é mesmo? O que  quer que diga para me vingar, pra ferir de propósito a razão de tudo isso.

Qualquer coisa que eu faça agora, só mostraria que ainda pertenço a ela como um cão que mesmo maltratado chora aos pés do dono por atenção, como um tolo qualquer que mesmo sabendo que existe apenas escuridão e infelicidade no fim do caminho, escolhe permanecer e não mudar aquela estrada cheia de fantasmas que segue. Assim que me enxergo: um coitado que difama e maldiz o que foi meu lar. Que prefere sentir-se melhor em um passado que nunca existiu. Não me olhe assim. Eu fui feliz e ela sempre infeliz.

Quanto mais eu pensava que conseguia leva-la ao paraíso, mais eu me iludia, enganando-me ao pensar estar mais perto; talvez fosse aquele seu purgatório. Então assim dessa forma deturpada e suja, eu me vingo dela, de mim, ainda não sei bem de quem.

Obrigado por me ouvir.



VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

FOTOGRAFIA


Uma cena de um momento importante, aqui, em minhas mãos, embora tanto tempo tenha passado desde esse dia. Olho nós dois, nossos sorrisos, a leveza que transparece espontaneamente em nós. Um lindo cenário, pessoas ao fundo, todas sorrindo e nos observando.

Uma linda imagem, reconheço, mas há tanto tempo que já não somos essas pessoas que chega a doer em mim, de tanto que desejei voltar a ser assim, tão leve, tão feliz, tão sua, da mesma forma que gostaria imensamente que você também fosse esse cara que está nessa foto. Mas não somos mais essas pessoas, já nem me lembro quem são todas essas pessoas ao nosso redor.

Essa fotografia fala de um tempo passado, muito bem vivido, mas que deixou marcas tão profundas que dificilmente consigo distinguir a felicidade de todas as dores que vivemos. É que você assumiu um papel inesperado na minha vida, na vida que nos propomos a ser nossa. E me causa arrepios lembrar de tudo isso, de como fui inteira ao seu lado, para hoje restar tão pouco de mim, da alegria estampada nesse olhar, preso nessa imagem em um papel velho, amassado, gasto pelo tempo. Revisitar essa memória me traz uma nostalgia um tanto dolorosa, sabe? Inesperadamente dolorosa.

Mas é inevitável. Volto àquele dia, como num tipo de túnel do tempo, como se me transportasse e pudesse observar atentamente esse momento tão lindamente registrado pelo olhar de alguém. Agora, esse alguém sou eu. Observo toda a alegria, as risadas, as lágrimas emocionadas, nossa dança, amigos que não recordava, pessoas tão próximas, alguns parentes queridos (outros nem tanto assim), muitas pessoas. Um lugar incrível, lindo, todo enfeitado. Há muita felicidade nesse lugar, dá pra sentir. E volto a sentir, com os olhos marejados e um sorriso que surge bem no canto da boca e vai se espalhando.

Revisitar essas memórias me faz sentir um forte aperto no peito e não sei bem explicar o sentimento que o envolve, embora entenda a dor que perpassa todas as histórias subsequentes. É que você não viveu nada disso como eu estava vivendo, e me deixei levar por tanta emoção, tantos momentos mágicos, assim como esse que agora me aponta um instante tão intenso e ao mesmo tempo tão sutil.

Não há nada que justifique o que foi vivido desde então, e como tudo isso me levou até aqui, agora.
Vejo-me sentada no chão, bem no corredor dessa casa enorme, com uma enorme caixa repleta de lembranças, objetos, presentes, coisas deixadas para trás junto com você, mas é impossível me livrar de tudo isso de uma vez por todas. De alguma forma, vez ou outra esbarro em algumas dessas coisas, e tento ignorar ao máximo, até não conseguir mais e me permitir mais e mais momentos como esse de agora. Vou revirando a caixa, até encontrar algo que me traga certezas, embora nenhuma delas possa garantir um amor que não fora vivido por dois, mas por apenas um, ou era tão pequeno que foi embora muito rápido.

Apenas uma caixa. Dessa vez, apenas uma foto. A sensação de que existe uma saudade gigante é maior que tudo, mas respiro fundo, seguro o choro, dou meia volta, me desligo dessa memória viva, fecho mais uma vez a caixa e guardo bem escondida, mas não tanto assim, afinal ainda precisa voltar aqui e lembrar por que ainda estou viva: por ter deixado você ir embora.

MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

EU NÃO SEI O QUE A GENTE É. MAS A GENTE É ALGUMA COISA.

[ouça enquanto lê:Vanessa Da Mata - Vermelho

Seu beijo escapa pelo lado direto e segue caminhando desenvolvendo um poema bem no meio das minhas marcas de nascença entre o maxilar e o pescoço. Seu toque arrepia, queima, acalma e transcende e também deixa uma insegurança implantada em algum lugar aqui. Me moderam e ao mesmo tempo me tiraram de mim. Me sobrepõem. Me transcendem.

Teus sussurros parecem recitar uma poesia mesmo quando são apenas suspiros e aos poucos me despem; me clamam; me pegam; me fazem sentir vivo. Lembro que sou humano e que também posso pecar — você também pode? Tudo bem.

Recebo mais um beijo. Me contorço, contrário mas não me esquivo. Busco palavras por todo o canto pra dizer que isso não é um jogo, e se for não tenho nenhum plano de contra-ataque então estou a sua mercê, mas nada encontro. Entendo que nada precisa ser dito. Não ali. O que houve ali era só pra ser sentido. Então eu te senti.

O seu sorriso tímido me fazem fixar os olhos em você e memorizar cada movimento seu pra depois retroceder as cenas e pensar na gente o dia inteiro e me convida pra entrar e as covinhas que vieram acompanhadas com ele pareciam acenar pra mim. Você me fala um pouco sobre como a vida é estranha pra você e como você é estranho pra vida.

Você me conta quase tudo sobre a sua vida e eu prefiro não falar muito sobre a minha. Me conta como seus últimos encontros foram um desastre, e quando sorri depois de cada frase percebo a sua sensibilidade e entendo que você transforma experiências ruins e bons aprendizados. Entendo também que não quero ser nenhum dos dois. Nem um encontro ruim nem só um aprendizado.

Digo como gostei dos seus cabelos e sua mão parece ir sozinha em direção a minha e nossos dedos se encaixam como peças únicas de um quebra cabeça nada complicado pra nós. Você me abraça com seus braços longos e me sinto preso. Não no sentido ruim, me sinto amarrado a você e não quero mais soltar. Você coloca a cabeça sob o meu peito e comenta sobre como o meu coração está acelerado, sorrio e penso: “é por você”. Sei que às vezes me escondo sob uma casca grossa, mas se você quiser entrar prometo que te deixo ficar. Mas só tente entrar se for mesmo querer ficar.

Você, com toda essa mudança me convida pra uma dança e depois me diz que isso é a vida. Me puxa pra uma corda bamba que não bambeia com você nela, entendo que assim seria a vida com você. Você, que chega com toda essa mudança e me faz querer mais ainda viver aquele clichê que eu sempre quis viver.

Um feche de luz de um poste da rua atravessa os galhos de uma arvore e chega até você, te fotografo com os olhos e guardo em memória pra ficar revivendo nós dois mais tarde. Meu dedo anelar começa a dançar sozinho e precisei fechar a mão pra que ele não se soltasse de mim e fosse dançar frevo na rua. Senti a ponta do dedão do pé, uns sete ossos da minha costela e ouvi perfeitamente o barulhos dos meus dedos penteando cada fio do seu cabelo. Ouvi a minha própria respiração ofegante e o barulho do seu dedo desenhando um coração no vidro do carro parecia uma orquestra sinfônica daquelas que são encomendadas pra uma cena de suspense que você precisa se segurar na cadeira do cinema. Então arrisco escrever as nossas iniciais dentro do coração e você sorri como se estivesse concordando que dali pra frente seria só nós dois.

Eu ainda não sei o que a gente é. Mas a gente é alguma coisa.


BRUNO FIGUEREDO
Poeta e Escritor. Capricorniano com ascendente em Paulo Leminski e lua em Tati Bernardi. Fã de ficção cientifica e de romances clichês. Dono do pseudônimo @sujeitoeu. Escrevo, mas escrevo sobre mim, e nem sempre sou só amor..

SE VOCÊ ESCOLHER PARTIR



Se você escolher partir, que seja de vez. Que seja sem recaídas, pra eu seguir a minha vida sem incertezas. Que seja sem arrependimentos, pra eu me refazer sem martírios. Que seja sem dúvidas. Sem joguinhos. Sem artifícios. Sem quases. Sem vírgulas.

Se você escolher partir, vá sem se explicar. Não vou cobrar justificativas que me sirvam de consolo. Não se preocupe em deixar pretextos, eles irão ecoar na minha cabeça pelos próximos meses. Todo fim tem seu tempo de assimilação sem cessar e eu também não sei lidar com subterfúgios. Não vou te procurar, porque eu não acredito mesmo que um amor verdadeiro volta. Ele nem vai.

Se você escolher partir, que não sinta a minha falta. Eu sei que a saudade precisa de um tempo pra mostrar que sentimentos chegam ao fim. Que dilacerações só nos despedaçam por escolha nossa. Que se a gente fincar um pouco aqui, mais um pouquinho ali, percebemos que no fim a soma de frustrações está toda enterrada. Mas, por favor, não sinta a minha falta. Vai doer muito mais em você do que em mim.

Se você escolher partir, não deixe vestígios de uma vida com você. Leve tudo. Planos, sonhos, desejos. Leve também as conquistas, as risadas, os choros, os abraços. Leve momentos, lembranças e tudo que couber na sua mala. Leve o que lhe for leve. E se não for, tudo bem. Pra mim também não é. Tudo isso tem um peso que não me é suportável. Não agora. E eu não vou te culpar, não sabemos mesmo onde queremos chegar.

Se você escolher partir, vai. Não te forço a ficar. Você já conhece minha personalidade, minhas manhas, minhas teimosias, meu corpo. Vai, sem olhar para trás. Pra eu não alimentar sonhos e nem carregar esperanças. Vai sem me beijar na testa. Vai pra eu esquecer nossa trajetória traçada e não me perder no meu caminho. Vai, bem depressa. Quanto mais rápido a partida, é mais rápido também a ida. A minha ida. O meu encontro. De uma vida sem você. Não adie isso. Estamos perdendo tempo e sentimento.

Mas se decidir ficar, fica de uma vez. Chega uma hora que cansa. E eu cansei de tentar enfiar goela abaixo que somos protagonistas da nossa própria história. Cansei de tentar, de insistir. Cansei de quem não se permite sentir por uma confusão cerebral ou uma bipolaridade que nem Freud seria capaz de explicar. Cansei de tentar ser reticências na vida de quem só conhece pontos finais. Cansei de te oferecer caminhos com continuações doces -  que você nega - por já estar acostumado com rotas amargas. E em mim, não há espaço para pessoas assim... não mais!

Ou fica com vontade, ou vai sem saudades. Ou fica agora, ou vai sem demora.

ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

TODO CANTO TEM UM POUCO DE TI



Eu ando indo pra cada lugar inusitado... shows de bandas que não me agradam, bares caros, lugares que nunca pensei em pisar, só no intuito da gente se esbarrar. Locais que, pra ser sincero, você nem deva ir, mas vou, ainda assim, na esperança de que você também esteja lá querendo me encontrar, numa tentativa irracional parecida com a minha e que só passe a fazer sentido com a gente se achando.

Eu sei que esse sentimento já deveria ter passado, mas saudade não tem hora e eu voltei a pensar em você. Conselhos de pessoas próximas têm pouca importância em momentos assim. Não precisou de música, filme ou nada que você tenha me indicado. Eu pensei em você por pensar, sem nenhum motivo. Enquanto vagava em pensamentos soltos, enquanto via as pessoas passarem sozinhas na rua, enquanto me vi sozinho, sentado no banco dessa praça, em frente ao carrinho de pipoca que o vendedor entrega o troco a uma moça.

Vai ver tem lá uma razão, quem saiba uma psicanálise de botequim de um sujeito que tem muito tempo disponível pensando consigo mesmo - uma tarde inteira, pra ser mais exato - decifre que eu queria que aquela moça fosse você. Queria que pegasse seu troco e viesse ao meu encontro, que dividíssemos a pipoca e com as sobras enchêssemos a barriga dos pombos que ciscam a nossa volta.
Entretanto, quando aquela mulher virar, deixando finalmente de me dar as costas, quando seus cabelos não mais esconderem seu rosto, eu vou descobrir que ela não vai ser você. Ou vai? Se for você, senta comigo, vai. O vestido é igual a um seu... até quando eu te verei em estranhos? Por todo canto, em olhares rápidos e descompromissados, confundo você com desconhecidos. Nunca é, ela também não é.

Quando o amor consegue enfeitiçar a razão, é preciso encontrar um bom motivo pra não continuarmos juntos. Algum defeito bobo que justifique a tentativa de esquecer. Ainda que cético, me daria por convencido se houvesse algum sinal vindo de qualquer explicação mística. Bastaria que alguma dessas forças do universo respondessem. Olho pra cima, como um descrente aguardando uma resposta divina. Eis que, então, eu posso sentir algo cair sobre minha camisa, algo que vem desse tal além incompreensível. Merda, quem foi o maldito casal que deu comida aos pombos?!

CAIO LIMA
Eu sou tudo aquilo que deixei pra depois e que nunca fiz por preguiça. Tal como as abas que se acumulam na página de pesquisa do meu computador sobre as curiosidades que nunca vou terminar de ler. Sou uma sobrecarga de vontade contrariada, uma ansiedade passageira. Um desvio da rota, um tropeço pelo caminho. As versões que inventei de personagens folclóricos, um filme inteiro de Woody Allen. Sou um atalho impaciente pro jeito mais fácil. Chato pra cacete, mas tem quem ature e diga o contrário. Prazer, eu sou o que to podendo ser.

SEMPRE SOUBE!



Eu estava cansado como nunca estive antes. Minha mente além do meu corpo só queria descansar, entretanto,  estava em pé. Estava lá, parado olhando pra ela. Era isso, ela ria; deixava-me cada vez mais louco toda vez que sorria daquela forma cativante, como se o mundo inteiro pudesse dobrar com um simples sorriso.

Que efeito sombrio esse que você exerce sobre minha vontade; e me arrastou até aqui para ouvir sorrisos direcionados à pessoas que nem sei quem são. Sinceramente nem me interessam, queria estar com você, sentindo seu cheiro e o perfume que tem seu cabelo. Nossa! Como gostaria de estar na sua cama agora, assaltando sua gaveta de doces.

Sei que esconde atrás dessa fachada de certinha,  alguém não tão certa nem tão perfeita.
Como queria saber o gosto que tem sua boca. Morder seus centímetros suculentos.

Fui arrastado até aqui simplesmente porque você queria evitar uma conversa. Porque tem medo de perder sua liberdade e não quer se deixar apaixonar por mim. Mas sei que estou apaixonado por você e não importa até quando vou ter que ficar aqui em pé , esperando por você.

Nós vamos ter que sair por aquela porta alguma hora e você vai entrar no carro do meu lado, me pedir pra dirigir, já que está bebendo pra fingir que não estará conscientemente sã para conversar comigo e responder se quer ser minha, ou o que eu sou pra você.

Não me vejo te prendendo, amarrando você a algo que vai te fazer sofrer, porque sei que um homem não vai nunca definir a mulher forte que é você. Mas quero ser seu momento de loucura, só quero te descobrir e desatar seus nós. Ouvir teus sorrisos e estar com você durante suas lágrimas.

Não sou forte, não como tento parecer ser, você sabe disso. Mas você também não é. Não é de aço, seu coração não está mais congelado como antes. Aceita que tudo deve mudar e não me apresenta mais como seu amigo que passa às vezes de visita. Não me vejo mais como um adolescente que brinca de esconder e mostrar o que sente, sei que você também não.

Estou cansado, vamos embora daqui. Não quero mais brincar de colorir minhas horas. Eu sei que você quer, porque até hoje não quis conversar sobre nós dois e porque assim como eu, tinha medo de querer ficar, ou se assustar demais e ir embora novamente ferida.

Você é exatamente quem é. Por isso não é minha metade. Nunca encaixaremos e isso faz a diferença pra nós dois. Você me enlouquece, me desespera,  arranca meu conforto, me confronta, sou melhor a cada momento que você me mostra que ainda não sou nada bom. Você não me deixa simplesmente ser simples e rejeita o caminho mais fácil pra qualquer coisa.

Mulher, vamos embora,  porque quando a gente chegar a qualquer que seja o lugar que deveríamos estar sozinhos, vou te mostrar como você me aperfeiçoa, me lapida.

Não me vejo mais simples e sozinho, prefiro seus gritos cantados e reinventar cada momento com você. Suas aquarelas corporais e tudo o que você faz simplesmente porque teve uma ideia.

Quando você pinta minhas paredes com frases sem nexo e passa horas olhando pra elas acho você a pessoa mais confusa do mundo. Perfeita pra mim. Você não me completa, não me define; simplesmente se tornou o que é.

Vamos embora, por favor. Eu estou muito cansado pra fingir que não te desejo com cada Quaker (o que seria isso?) do meu ser.

Ela se vira e sorri,  me chama pra ir embora, diz que está cansada. Coloco a mão nas suas costas nuas que se enrijecem com o meu toque. Ela sabe. Sempre soube.

VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

VOCÊ FICA OU VAI EMBORA?

[Ouça enquanto lê: Bruno Mars - It Will Rain]

Eu dei um tempo até conseguir conversar contigo, eu sempre tive medo de que as palavras guardadas desde o fim o fizessem mudar de ideia. Que pretensão a minha!

Eu fiquei sabendo o quanto está bem agora e isso de certa forma me deixa mal porque o egoísmo me faz querer que sofra também; se você já está com sonhos realizados, sinal de que chegou lá não é mesmo?! Tô feliz por tudo que alcançou, eu juro! É que dentro de mim, nada está acabado, por isso não consegui te tirar do coração ainda, mas fica calmo! Uma hora isso vai acontecer.
Eu confesso que imaginava anos e anos ao seu lado, aquela casa, nossos filhos e as viagens que não tivemos “tempo” de fazer. Hoje de manhã me peguei pensando em você mais do que o habitual, e dizem por aí que quando a gente pensa muito em alguém, é provável que a pessoa esteja pensando na gente, me confirma depois se é verdade?!

Enquanto eu passava o café, passava um filme na minha cabeça, cenas do que já aconteceu e o que poderia ter acontecido se nossas diferenças não influenciassem tanto o nosso amor, que era imenso, mas orgulhoso o bastante pra não ficar e resolver do melhor jeito. O que você acha? Nem preciso da resposta, é só reparar em nós, cada um pro seu lado, você do jeito que quer e eu do jeito que posso. Mas preciso dizer que eu sinto falta de tudo que tinha a ver com você na minha vida, saudade mesmo,  entende? Daquela que dói cruelmente e alivia por me fazer sentir que de alguma forma, desse jeito doloroso, está comigo.

Me desculpe, mas não me peça pra não falar nada, eu ensaiei por dias e nunca deu certo. Não tem adiantado só chorar, ficou insuficiente.

Não faz diferença no momento, parece ser tarde demais pra dizer que eu gostaria de ter tentado mais vezes até dar certo, me arrependo de ter aceitado de cara sua decisão de terminar, não podia dimensionar o quão doloroso é amar só do coração pra dentro. No começo até acreditei que seria melhor assim, mas vejo que eu sempre estive errada.

O que foi feito, está feito, já aprendi, sei que não há chance de mudar o que passou, e agora?! Você fica ou vai embora?


JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”