POR UMA VIDA COM CICATRIZES E INCERTEZAS


Eu nunca consegui entender o motivo que as pessoas têm de ter medo de viver, a mania insistente em achar que tudo foi feito para machucar, magoar, entristecer e perecer.

Nunca consegui entender o medo de se entregar, se afogar, de brindar a vida com momentos inesquecíveis e lembranças que queimarão na memória apenas porque tem medo de que esse momento intenso não dure para sempre.

Não consigo e nunca conseguirei entender porque as pessoas tem tanto medo de sentir, de viver, de ser feliz, de estar triste, de se magoar, de se entregar, porque, para mim, a vida é isso, um mundo vasto de sentimentos e emoções que não sabemos o que um dia sobrará dentro de nós, mas dentro de mim eu sei que ficará apenas a alegria de não ter me contido.

Falta coragem nas pessoas, coragem de realmente viver a vida e não apenas passar por ela, coragem de se apaixonar perdidamente e ficar com o coração esfarelado depois por não ter sido o seu “eternamente”, mas garanto moça, que um dia você olhará para trás e agradecerá à vida por não ter sido ele.

Falta coragem de levantar a cabeça, conhecer a si mesma, assumir quem você é sem rédeas, padrões ou intromissões de espectadores da vida alheia, coragem de enfrentar as próprias emoções e domá-las a ponto de querer se perder totalmente em um momento que lhe dê prazer sem medo ou inseguranças e sem pensar no amanhã.

Falta coragem de abraçar as incertezas e entender que a vida é feita disso, porque ela não é um livro que já veio escrito, não tem um manual para que saibamos o que dará certo ou não. Cá entre nós, gente, INCERTEZA é o que há de melhor, pois a vida é uma celebração às surpresas do dia-a-dia, um conjunto de momentos e sentimentos que apenas você é capaz de sentir e mais ninguém poderá vive-los e senti-los por você, e nessas incertezas você se permite ter novas experiências.

Sou muito a favor de uma vida cheia de cicatrizes, eu tenho várias e me orgulho de cada uma delas, porque me provam que não sou de recuar, sou de viver, de aprender, de sentir intensamente, de querer mais, de a única certeza de se ter é a de que não é porque me machuquei andando de bicicleta que nunca mais vou pedalar e valorizar a sensação do vento bagunçando meus cabelos, apenas porque tive medo de arriscar novamente.

Acho que todas as pessoas deveriam aprender a dirigir sua própria vida, pegar no volante, se perder nas estradas sem fim de possibilidades, colocar um som nas alturas e viver de acordo com o ritmo que mais te agrade, dar satisfação apenas a você mesma de acordo com os seus próprios valores e não ao dos outros, e ter a certeza de que, por mais que se perca, é você quem está na direção e cabe apenas a você arranjar um meio de se encontrar.

Vamos dizer mais SIM à vida e mudar essa postura vitimista? Vamos ter coragem de sofrer, se regenerar e sofrer de novo? Vamos ter coragem de assumir a responsabilidade de enfrentar a vida e sentir as amarguras sabendo que nesse mar de sentimentos teremos muitas conquistas, realizações, satisfações, felicidades, alegria e liberdade? Porque se dessa vida nada se leva, então não podemos nos prender.


MARCINHA ROCHA
Paulistana, geminiana e dona de uma gargalhada que chama a atenção. Estudante de ciências contábeis, viciada em pessoas, em comportamento humano, filosofia e música e adora uma boa conversa. Apaixonada por olhares e sorrisos, ouve mais do que fala e o que não fala escreve sem parar. Intensamente viva, brutalmente apaixonada por momentos espontâneos de felicidade e praticante voraz de uma dança descompromissada,

EI, AINDA É INVERNO DESDE QUE VOCÊ FOI



Você entrou pela porta lateral como se não quisesse ser visto, mas eu ouvi seus passos silenciosos. O barulho do zíper do seu casaco se fechando parecia gritar pelo meu nome. Suas botas ensopadas me intimidaram, mas pareciam não te intimidar. Então você pede um café quente e quase não coloca açúcar — como se já estivesse acostumado com o sabor amargo da vida —. Reclama do tempo chuvoso só que com um sorriso no rosto, o que destaca a sua covinha no meio da barba cheia. Aliás, lembro-me bem de esquentar meu rosto nela, em dias frios como hoje. Lembro também o quanto te irritava a mania de colocar minhas mãos geladas dentro do bolso dessa mesma jaqueta, dando um choque térmico em suas mãos já tão quentinhas.

Vendo você aí, batucando com o pé no chão no ritmo da música que toca na rádio, me lembro das inúmeras vezes que você me salvou! Das vezes em que você me deu a mão quando eu precisei (e a apertou tão forte, que meu coração permitiu sentir-se seguro). Logo eu, tão resistente, tão cheia de mim... Me entreguei. Confiei naquele seu sorriso de canto. E quem não iria confiar na pessoa que tem o abraço mais gostoso do mundo? Duvido se alguém resistiria sentir teu perfume tão de perto e não suspirar.

Você me fez acreditar que o amor merecia uma outra chance e que já não era tarde demais. Teus olhos lindos e amendoados, não eram sinceros, mas mentiam suficientemente bem para me envolver. E eu? Bem, eu não resisti. De repente já me sentia hipnotizada pelo teu belo par de olhos. E que olhos! Eles poderiam ser janelas da alma, mas diferente de mim, você não se abria facilmente. Digo o quanto senti a sua falta e confesso que eu sempre te encontrava em algumas letras do Caetano e em algumas notas daquela bossa que você mesmo me apresentou.

Te conto como passei a odiar dias frios, mas escondo que durmo com aquele mesmo cobertor que usamos no acampamento. Você me devolve com um sorriso e diz que também se lembra de mim ao entardecer e que hoje mesmo, no caminho da cafeteria, lembrou de mim enquanto o rapaz declamava um poema na praça. Mas sinto que as coisas mudaram. Sinto que alguma coisa aí andou. É, andou... Andou como alguém que só quer ir pra frente e nem pensa em voltar. Andou como um trem bala que atravessa grandes metrópoles e nunca mais volta a ser o mesmo — até pode ser a mesma carcaça, mas volta com bagagem e com algumas pichações sobre um tal de desamor.
Bruno Figueiredo e Suélen Emerick

GRITO DE RAPINA


Às vezes tenho a impressão de que estou fazendo as coisas no tempo errado: indo levar meu sobrinho pra escola no tempo errado; indo buscá-lo no tempo errado; escrevendo em horários errados; dormindo no tempo errado; acordando no tempo errado; vivendo no tempo e do jeito errado; trabalhando no lugar errado; sonhando do jeito errado; ficando com os pés no chão no tempo errado; amando errado.

No fim das contas, eu acabo procurando refúgio nas pessoas, como se, da boca delas, Buda fosse pular fazendo uma acrobacia, ficaria bem na minha frente e diria “olha, garoto, você ta fazendo tudo errado” e depois me entregaria um pergaminho com uma lista extensa de coisas que venho fazendo de forma errada, seguidas de suas respectivas soluções.

Eu espero dos outros a Clarice Lispector. Espero mesmo. Espero que alguém apareça e que, na verdade, seja a sua reencarnação e comece a recitar um daqueles textos extremamente emotivos e sem sentido, mas que eu entenderia. Então, só aí, me sentiria especial e começaria a acreditar que poderia continuar escrevendo textos sem sentido, que um dia eles fariam sucesso e manteria esse pensamento egoísta em forma de ego só pra acreditar um pouquinho mais em mim.

Não parece, mas eu fico procurando Deus. Como se ele fosse surgir só pra mim, como a entidade cósmica maravilhosa que é, e eu me sentiria abraçado por ele e também me sentiria amado. Então eu começaria a amar como ele e começaria a fazer os outros amarem como ele. E só aí eu acreditaria que o amor é a única solução.

Eu sempre acabo caindo nessa coisa de questionar tudo, então me vem à cabeça o porquê escrever. Entendo que às vezes tudo que eu sei fazer é gritar. Gritar em palavras. Às vezes, tudo que sei fazer é chorar. Então vou lá e choro em palavras.

Não, eu não escrevo pra impressionar. Eu escrevo pra me libertar. Pra alguém me ouvir ou pra alguém me salvar. Eu escrevo pra não explodir, pra não surtar. Escrevo porque às vezes não posso gritar e porque, outras vezes, sinto vontade de me matar. Escrevo pra não agonizar e pra mágoa passar. Escrevo pra eternizar. Eu escrevo pra existir. Escrevo pra sentir.

Escrevo porque eu queria sentir um amor daqueles que te faz rir sozinho enquanto anda na rua e que, enquanto você ri, as pessoas que passam por você também sorriem e se sintam felizes pela sua felicidade. Queria sentir daqueles amores que chegam de mansinho, sem pressa. Que se acomoda em cada cômodo do seu corpo, até não querer sair mais. Mas eu não queria um amor cômodo. Eu escrevo porque queria sentir um daqueles amores de novela, que os mocinhos não desistem um do outro fácil e que, se não vivem felizes para sempre, vivem felizes pelo tempo que for necessário.

Queria sentir um amor que me fizesse escrever um texto feliz. Que, depois de escrevê-lo, eu ficasse mais feliz ainda e, depois disso, enviaria por e-mail para uns três amigos e quando eles o lessem, também sentiriam felicidade a ponto de ligar pra várias pessoas que amam, só pra dizer o quanto eles as amam e contar o quão felizes estão. E que esse texto feliz chegasse à um enfermeiro triste, responsável por uma ala desolada de um hospital. Que ele pudesse ler esse texto para seus pacientes até que os mesmos se esquecessem de suas fases terminais. Que eles ficassem tão alegres que repassariam a leitura para seus parentes tristes, passando também felicidade imediata. E que esse texto alegre conhecesse o mundo e o tornasse mais... Feliz.

Queria sentir um amor acolhedor e, ao mesmo tempo, ofegante. Daqueles que fazem sentir como se eu fosse infinito. Queria sentir um amor que não me fizesse desistir dos outros amores. Ou um daqueles amores de comédia romântica, onde os protagonistas não são as pessoas mais lindas e, muito menos, perfeitas do mundo, mas estão ali: sentindo um amor real.

Por isso eu escrevo.

Escrevo porque preciso. Escrevo porque sou abismo. Escrevo pra sentir e pra fazer alguém sentir. Às vezes, escrevo pra alguém me notar. Eu escrevo. Escrevo sobre mim. Mas nem sempre sou só amor. Às vezes, você pode achar que um texto meu é sobre amor. Mas na verdade é mais um dos meus gritos de rapina. Às vezes, é só mais um dos meus gritos de socorro.


BRUNO FIGUEREDO
Poeta e Escritor. Capricorniano com ascendente em Paulo Leminski e lua em Tati Bernardi. Fã de ficção cientifica e de romances clichês. Dono do pseudônimo @sujeitoeu. Escrevo, mas escrevo sobre mim, e nem sempre sou só amor..

AMOR VERSUS GANÂNCIA


Dizem por aí que o grande mal da humanidade é a falta de amor. Eu discordo.

Sabe, não é que nos falte amor ou, tampouco, que as pessoas não querem mais amar. Acredito que não seja bem esse o problema. Ainda existe amor por todo canto, talvez com menos romantismo que tempos atrás, mas existe. O grande problema é que vivemos o século do amor corrompido. Julgamos tanto as ações corruptas dos políticos que não temos tempo para observar o quão corruptores podemos ser com nossos próprios amores.

O grande mal da humanidade é, sem sombra de dúvidas, a ganância. Somos gananciosos quando se trata de dinheiro, de fama, de sucesso e, porque não, de amores. Amamos de forma tão gananciosa que queremos fazer com que o outro cumpra um papel que nós mesmos não conseguimos. Exigimos tanto do outro que não damos espaço para discernir o que é interesse mútuo e o que é privado. Amamos de modo tão ganancioso que nem nos damos conta de que não vivemos amores, vivemos negócios. E, talvez por isso, relacionamentos têm durado cada vez menos. Tratamos nossos parceiros como se fossem acionistas da grande empresa que tornamos, onde seus investimentos devem surtir lucros. Imediatos, se possível. E, velho, isso não é amor. Não em sua essência.

E sabe por que isso não é amor? Porque amor, de verdade, não exige nada. Nada mesmo. Quando se ama se tem respeito, dignidade para com o outro. Tipo música, com harmonia e notas afinadas, saca? Não se cobra nada por que já subentende-se que o essencial está no pacote. Não há o "eu" porque o "nós" sempre prevalece. Não há o questionamento porque já se sabe a resposta. E não porque seja a resposta um clichê, mas porque não há motivos para fazê-lo de tão óbvio.

Se eu sou o cara que cobra, mas não se doa, exige, mas não oferece, quer, mas não oferta, eu não sou um amante. Sou apenas um membro corporativo da empresa na qual transformei meu coração. Um associado que procura em seus amores uma forma de saciar o próprio ego. Alguém que transforma amores em negócios.

Não deixemos que a ganância sele nossos olhos pros amores da vida. Porque ela é curta demais pra deixarmos escapar por entre os dedos as coisas boas que podem nos acontecer. Acorda, cara!



EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

EU NÃO QUERO ME APAIXONAR POR VOCÊ


Eu não quero me viciar em cada gesto bonito teu. Nem fazer do teu olhar o meu preferido, que brilha cada vez vê algo bom. Não quero ser dependente do enlaço dos teus braços, que me acolhe nos meus piores dias. Não quero te assustar com a minha risada escandalosa, cada vez que contar uma piada sem graça e eu rir só pelo modo como conta. Nem me pegar em murmúrios, quando estiver cansado demais para ouvir minha voz alto falante.

Eu não quero doar mais que do que estou disposta a receber, porque eu tenho mesmo o hábito de afastar tudo que me faz bem. Por achar que sentimentos não merecem tantos holofotes assim, que momentos nos trazem lembranças eternas e elas, sim, merecem ser vividas no máximo de intensidade que pudermos. Por receio. Por burrice. Ou por medo mesmo.

Eu não quero me derreter, sempre que falar com esse seu sotaque atrevido e pronunciar palavras que só você entende. Não quero ter que inventar que estou com sono, só pra sairmos do bar e corrermos pra minha cama. Pra te mordiscar inteiro. Arrancar tua camisa. Acariciar teu corpo. Fazer de uma noite chuvosa uma memória gostosa. Eu não quero ter que te achar especial por me ouvir filosofar sobre o Universo, a natureza e como é mágico observar o pôr do sol.

Eu não quero ter que adiar o sentir. O teu sentir. Eu não quero ter que ficar prolongando um sentimento que na verdade já chegou, mas se esconde em todo o meu caos. Eu não quero ter que fingir ser um robô humano, que pega e não se apega. Eu não quero ter que repetir mil vezes para mim mesma "não se apaixona", cada vez que meu coração dispara quando você me manda uma mensagem de voz porque eu não resisto mesmo ao timbre da sua fala, que se arrasta docemente transformando uma frase estúpida numa melodia.

Eu não quero me perder nas suas entrelinhas, quando desvenda meus mistérios. Eu não quero me perder no tempo, tentando te decifrar, sabendo que eu não consigo nem decifrar suas tatuagens. Eu não quero ser a amiga chata, que repete teu nome descontroladamente e arruma um jeito qualquer para te colocar em pauta na conversa.

Eu não quero me entregar só porque consegue acompanhar cada movimento meu. Você chegou com prazo de validade. Sua ida tem data prevista, talvez sem volta. Eu não quero me decepcionar se eu descobrir que você não é o cara que eu imagino que seja. Eu não quero gaguejar, sempre que me disser "não crie expectativas". Eu não quero ser válvula de escape pra aliviar suas tensões turbulentas. Eu não sei lidar com pouco, com o menos, com metades, com incertezas. E é por isso que dou adeus ao que nunca teve início.

"Eu não quero me apaixonar por você", foi o que eu repeti quando, em teoria, eu estava convicta de que eu não queria mesmo me envolver. O que eu não sabia é que eu já estava envolvida. Em um nó bem-feito, disfarçado de laço bonito.


ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

A PRESENÇA DA SAUDADE


Tem gente que marca a nossa vida de um jeito que, mesmo estando ausente, faz presença em nossa saudade. Você é assim para mim... Percebi isso quando vi uma foto sua no Facebook. Foi um amigo nosso em comum que publicou, já que eu nem sequer sei se você tem um perfil (afinal, nós nos afastamos e eu nem lembro o porquê). Não sei se eu me magoei com algo, se foi você quem se magoou... Não sei sequer se algo aconteceu para que a gente não se falasse mais, só sei que há alguns anos a gente não tem contato algum.

Enfim, você estava todo sorridente na foto e com um brilho no olhar... Parecia feliz e realizado, sabe? Se divertindo com os amigos e com um copo de cerveja na mão (não seria você se não houvesse um copo junto!). Confesso que te achei até mais bonito.

Bastou te olhar, mesmo que somente através de uma fotografia, para me bater uma saudade gigantesca do tempo em que tomávamos uma, passávamos a noite toda conversando, ríamos das nossas besteiras... Até senti o cheiro do seu perfume. Ah, como eu amava te abraçar e sentir aquele cheiro doce! Sinto falta disso também. Então, depois de passar alguns minutos hipnotizada com a sua imagem, decidi ler a legenda da foto. Talvez este momento tenha sido um dos mais (senão o mais) chocantes da minha vida.

Você havia falecido há uns dois ou três dias. A foto foi publicada para te homenagear. Nela estavam dezenas de comentários de pessoas que te amavam (alguns repetidos, dizendo que "os bons morrem jovens") e que estavam inconformadas com a sua morte repentina. Poderia ter um comentário meu ali no meio, mas eu não consegui fazer nada além de sentir as lágrimas percorrerem o meu rosto sem que eu pudesse segurá-las. Acho que no fundo eu também senti que não tinha o direito de mandar algo agora, era tarde demais... Você morreu lá fora e talvez você pensasse que já havia morrido há muito tempo dentro de mim, mas não. A verdade é que em mim você nunca morreu. Nunca houve velório, enterro... Talvez uma sensação de luto pela enorme falta que eu sentia de você, mas morte não. Nem mesmo agora que eu soube que você não está mais aqui.

Achei melhor desligar o notebook e ir para o meu quarto. Me joguei em minha cama e o choro, que antes era silencioso, passou a gritar com toda força. Eu não tive tempo de te dizer que você fazia (e sempre fará) muita falta para mim. Não tive tempo de te dar um abraço para sentir o seu perfume outra vez. Não pude ver aquele seu sorriso, que iluminava o meu dia, pessoalmente. Não pude nem mesmo ir ao seu enterro porque eu soube da sua morte depois...

Mas sabe, eu lamento mesmo é pelas coisas que não fiz enquanto você vivia. Lamento por não ter deixado o orgulho de lado, por não ter corrido ao seu encontro, por não ter dito o quanto eu gostaria que tudo fosse diferente... Lamento mesmo é por você ter partido sem saber da enorme importância que tem para mim. Talvez agora você saiba, se puder me ver e, principalmente, me sentir aí do outro lado. Mas não importa... Eu só espero que você esteja bem, que descanse em paz e que o seu sorriso permaneça. Em minha memória ele será eterno, assim como o amor que sinto (e sempre senti) por você.

BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

DESAPEGAR NÃO É PRECISO

desapego

Desapegar por medo de sofrer. Revidar silêncio. Ficar fazendo joguinho só pra ver se alguém realmente gosta de você. Na moral? Se você quer chegar em algum lugar, pode parar por aí. Não precisa gastar todo seu tempo com isso. Eu mesmo vou lhe dizer onde essa estrada termina: lugar nenhum!

Desde que entendo a forma do mundo girar, as coisas caminham assim. Só te procuro se você me procurar, só vou estar do seu lado se você estiver do meu, só vou te responder se você me responder – rápido –, e com carinho. Só vou isso, só vou aquilo. Sabe aonde você vai? Lugar nenhum! Sim, isso é fato!

O que você vai acabar conseguindo é afastar um certo alguém que, mesmo andando por caminhos meio tortos, escolheu estar ali, tentando – e com reciprocidade – fazer o seu dia um pouco mais feliz.

Chega de arrumar desculpas para julgar que alguém não te merece só porque, por um motivo compreensível, ou não, não pôde estar ao seu lado em um certo momento. Lembre-se de que nem você e nem ninguém é perfeito. Acho que estar numa relação é muito mais que isso. É entendimento, compreensão, diálogo e deixar o outro respirar o seu próprio ar.

Mas se você quer desapegar de alguém, vai lá e desapega! Não desperdice todo bem querer que alguém quer dar pra você só por puro capricho. Desce do muro que divide o que é amar e o que é jogar. Sai desse chove e não molha de bem me quer, mal me quer. Não fique ocupando o lugar da felicidade de ninguém. Se você tem medo de sofrer, seja ao menos humano e deixe o outro viver.

Agora, com sua licença eu irei ali me apegar, me apaixonar e me doar. Vou quebrar a cara, perder o rumo, desacreditar, resmungar e chorar por alguns dias. Se tudo aquilo que eu escolhi e acreditei não der certo, eu ao menos fiz aquilo o que mandou o meu coração. E ele, por mais burro que pareça, sabe que amanhã é um novo dia, e nele começa uma nova história em que o fim só depende de mim.


FERNANDO SUHET.
Um pisciano romântico e cabeça dura. Palavras e músicas ditam sua ordem. Apegado aos sentimentos mais simples e completamente ligado à família. Fiel aos poucos e verdadeiros amigos. Acredita na força do amor e, principalmente, na necessidade de solidariedade.

VOCÊ NÃO MATA A SAUDADE, MAS ESTÁ DEIXANDO ELA ME MATAR


Qual é?! Achou mesmo que eu nem ia notar tua ausência? Você foi embora achando que eu não sentiria falta, mas quando você foi, algo desmoronou por aqui. Quando você foi, faltou tudo para mim. Faltou abrigo, faltou atenção, faltou sorriso, faltou amor, faltou a gente na minha vida, que virou uma sobra de lágrimas e dias regados de disfarces, para ninguém perceber o vazio que você deixou nessa sua despedida covarde, nesse avião que você entrou olhando para trás, mas sem coragem de voltar.

Você pegou um voo sem escala, para bem longe da minha vida, e agora eu fico te vendo nessas fotos que não te mostram mais. Afinal, três meses se passaram e eu só percebi, no primeiro dia do quarto, que você não voltaria mais. E doeu, e tem doído. Você nunca vai saber o que a saudade está fazendo comigo. Você nunca vai voltar e eu demorei demais para aceitar. Assim como demorei para te aceitar na minha vida. Depois demorei para admitir que te amava. Mas, eu te amava demais.

E enquanto isso for verdade, ainda vai doer, moço. Vai doer até eu encontrar um novo amor, pois a vida é assim, feita de encontros e despedidas, e, mais que tudo, feita de muitos amores. Saiba que encontrar outro amor jamais diminuirá o amor que tivemos, sabendo que fomos únicos e suficientes, mas você não conseguiu continuar e, sei que, um dia, entenderei. Mas, hoje, eu só consigo chorar sua saudade, pois, hoje é o segundo dia do quarto mês. Ontem tudo se tornou real e eu ainda sinto sua falta!

Saudade. É isso que carregamos um do outro. O pouco que conseguimos levar quando tudo acaba, parece um furacão. É pouca coisa aquilo que conseguimos segurar com os braços desesperados por salvar um pedacinho do que foi construído, muito menos do que gostaríamos.

Eu espero que você também sinta saudade, e na minha esperança covarde, espero que ainda sinta aquela vontade de olhar para trás, mas dessa vez, crie coragem para voltar.

NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

AMOR À LA FREJAT


Checklist
- Video game
- Netflix
- Pizza
- Chocolate
- Música

Ok, que venha mais um 12 de junho. Quem é que precisa de namorado quando se tem uma lista de sobrevivência pós apocalipse? Da boca para fora, a gente fica bem, sim, bem, até a página 2. Mas quem é que não deseja todo aquele velho clichê de casal? Não pela data, mas pra vida, seja companhia para uma rede preguiçosa na varanda, um vinho bom na cama, chocolates de surpresa na hora do almoço, aquela visita no trabalho, que te faz ter vontade de sair correndo pra casa antes mesmo do expediente terminar.

Eu estou bem, claro que eu estou. Irei sobreviver a toda essa doçura que está invadindo a galáxia, mas confesso que me traz algumas reflexões, aquelas do tipo: “Porque é que não temos mais aqueles amores estilo o dos nossos pais”? Sério, que legal pegar todos os álbuns de fotografias e ver aqueles momentos e notar que eles continuam exatamente iguais, claro, algumas rugas de complemento, um cabelo branco daqui outro dali, mas as noites de pizza em família continuam exatamente as mesmas, corrigindo, com um acréscimo de amor que só os anos a fio é capaz de trazer.

Então eu escuto eles falando de quando se conheceram, e fico imaginando, quando é que irei conhecer aquele garoto espetacular com a mesma doçura que meu pai ainda tem nos dias de hoje ao olhar para a minha mãe? Ou será que um dia vou ter vontade de surpreende-lo, seja ele quem for com essas parafernálias de casais, mas que valem mais do que qualquer vintém trocado encontrado no bolso da calça na hora de lavar?

Não sei, nessa geração que só se importam com o outro se ele não demonstrar, se ele não se apegar, acredito que ficarei com a programação original. Sim, eu estou bem, claro que eu estou, como diria o Mateus Santana, grande poeta da atualidade: “Me disseram: "você vai ser pra sempre só", eu entendi: "pra sempre sol". E percebi que antes sol do que mal iluminado.”

E de complemento? Estou nesse momento ouvindo Frejat, sabe aquele trecho da música “segredos”, que diz: “Eu procuro um amor que ainda não encontrei, diferente de todos que amei”. Pois bem, tá ai, só quero se for assim, casual, frivolidades, boca a boca, corpo colado, toques, tesão que incendeia, eu seria hipócrita se dissesse que tudo isso não me seduz. Porém são momentos, e com eles levam os meus dias que nem sempre são coloridos, e é disso que estou falando, estou sozinha, mas eu estou bem, e vou continuar bem, vou ficando bem, porque eu quero alguém para dividir muito mais do que a minha cama, mas sim para despir verdadeiramente a minha alma, qualquer coisa que chegar até mim que não me cause uma confusão de sentidos e desejos não é o suficiente para que eu tenha vontade de querer que permaneça.

— Exigente! Grita a minha mãe.

Sou sim, talvez até um pouco abusada, mas é que eu sei o tamanho do meu valor para desperdiçar com as mãos erradas, então antes de querer conhecer o calor da minha pele, esteja disposto a conhecer a intensidade da minha essência, porque eu estou bem, e continuarei assim, sozinha no 12 de junho? Cada um entende como quiser, eu ainda estou com a poesia do Mateus: Antes só do que mal iluminada.

RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

O DIA QUE RESOLVI PARTIR


Fazia muito tempo que eu estava longe de mim. Eu me escondia na rotina e, fatalmente, era sugada por ela. Dia após dia desenhando histórias que não eram minhas. Dia após dia adiando a vida. Só existindo, sem viver. Esperando... Esperando o quê? Não tinham respostas para as minhas perguntas. Sequer haviam perguntas, porque não me preocupava muito em pensar nelas. Foi então, determinado dia, que acordei e percebi que o tempo havia voado e não dava mais para ficar sentada esperando. A vida escapava dos meus dedos e eu precisava reagir.

Não foi fácil.

O ser humano tem a mania de se amarrar no comodismo e se camuflar na rotina. Tendenciamos a caminhar pela trilha que exige menos de nós. É como estar num barco e deixar que a maré te leve, porque remar é trabalhoso demais. Mas você enxerga o problema? Se permitirmos que nos levem, não sabemos onde iremos dar. Eu estava a deriva e, quanto mais o mar me afastava, mais ansiosa e preocupada eu ficava.

Num rompante, resolvi pegar os remos e comecei a remar.

Ok, ok, ok. O 'rompante' não foi tão imediato. Levei meses de choro, crise e taquicardia até ter coragem de ditar meu próprio caminho. A ansiedade foi companheira por semanas e aprendi a lidar e controlar, mas alguns dias ela vinha tão forte que possuía total domínio sobre mim. Eu me sentia miúda. E doía, intensamente.

Não é fácil perder o controle da própria vida e demorou um tempo para conseguir me reinventar e me reconhecer outra vez. Tive várias pessoas que me ajudaram nessa fase transitória e me incentivaram a pegar os remos e sair do lugar, ditar as regras, seguir meu caminho. Eu me joguei sem medo. Senti os braços queimarem, o cansaço bater, mas tinha algo tão lindo em mim que valeu a pena (e ainda vale) todo o esforço:

Um sorriso. Imenso.


MAFÊ PROBST.
Santa Catarina. Escritora, blogueira e engenheira. Praticamente uma hipérbole ambulante. Autora de Saudade em Preto e Branco. Tem dezenas de projetos em andamento e sonha abraçar o mundo. Colecionadora de sorrisos, dentes-de-leão e clichês.

QUANDO VOCÊ PARTIU


Desculpa por ser dessa forma, por não te dizer diretamente tudo isso. Mas vai ser melhor assim. Eu não vou te mostrar todas as músicas que queria, nem vou te contar o nome que quero dar para os meus gatos... Está doendo, querido. Porque acho que acabamos e parece que tudo terminou mais mal do que parecia ser, apenas por que eu estou muito magoada com você. E quando entramos nisso, sem mais nem menos, não era pra gente se machucar assim... Porque eu tenho mais sentimentos do que te mostrei ou demonstrei, de repente você se tornou a pessoa mais importante pra mim. Porque eu acordo olhando para o celular para ver se você também já acordou e poderia, talvez, estar pensando em mim.

E aqui estou, novamente, sentindo que sou a mais idiota do mundo por ter deixado outa pessoa entrar na minha vida, nos meus sonhos de novo. Porque pensei, por um momento, que pudéssemos nos curar de toda dor que já sentimos, de toda magoa do passado. Não quero aguentar firme, nem mesmo me iludir novamente porque tudo na minha cabeça grita pra me afastar de você. Quando a dor voltar vou me arrepender.

Eu vou perder tudo, por que vou te arrancar da minha vida e de mim. Vou construir muros mais altos e mais fortes ao meu redor, fortalezas intransponíveis com toda essa dor do meu peito. Você venceu minhas barreiras muito fácil e aqui estou eu, novamente, machucada, arrasada. Eu disse que iria te magoar, agora vou, tanto quanto também estou sendo ferida. Fazer exatamente o que devia ter feito desde o início e não deixar nada desse impossível sonho ridículo se tornar real. Contos de fadas não são reais e nada disso vai acontecer comigo, porque eu não sou uma princesa em um castelo e você não é meu príncipe.

Mesmo que eu tenha perdido meu caminho, está na hora de encontrá-lo novamente. Não me diga que vai fazer tudo diferente, porque tivemos nossa chance, mas, quem somos nós para termos o direito de sonhar com felicidade? Duas pessoas feridas demais, inutilmente tentando construir algo, algum sonho idiota de verão com borboletas no estômago e pedaços de felicidade; quem somos nós para reclamarmos o direito de felicidade? Ela nunca pertenceu a nenhum mortal, nem mesmo ao mais corajoso ou mais sonhador. Ninguém pode dizer que foi feliz durante toda a vida.

Para nós sobra apenas pequenos momentos desse sentimento que buscamos com tanto esforço. Quantas vezes te pedi pra sair da minha vida antes que sentíssemos qualquer coisa, antes de suas cantadas idiotas no meio do dia me arrancar sorrisos iludidos e bobocas. Não somos metades, nem mesmo somos inteiros, não somos muita coisa nessa piada que chamamos de existência. Estava indiferente ao passar das horas, até você se jogar na minha vida e dentro de mim.

Agora dói e vai doer por muito tempo. Da felicidade nos é permitido conhecer pequenos relances. Agora da dor... A dor, meu querido, podemos conhecer cada nuance, cada mínimo detalhe desta sempre companheira. Agora, depois de te arrancar do meu peito e deixar essa ferida sangrando por muito, muito tempo, seguirei tentando nunca mais me permitir achar que posso ser assim tão bobamente iludida de novo.


VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

SUAVES PRESTAÇÕES DE FELICIDADE

amor

Dizem que na casa do ferreiro o espeto é de pau. Quando ela esconde o sorriso, eu tenho certeza disso. Não, ela não é Ferreira. Ferro mesmo só os braquetes do aparelho. Ela é uma menina incrível que sorri tímida com os lábios, mas gargalha com a alma. Essa sim, sem nem um pingo de timidez.

A transparência dela é encantadora. E não é da roupa, que mostra as curvas delicinhas que ela tem, que eu estou falando. É uma parada muito mais profunda. É da verdade translúcida que ela traz nos olhos grandes e escuros. Também podia ser a transparência da pele dela, branquinha que dá pra ver cada veia pulsando.

Te falta melanina, mas te sobra coração, menina. E isso é do caralho. A cor a gente espera o próximo feriado e resolve isso na praia. No pior cenário, a laje te espera pra um banho de sol. 

Ela tem a paciência nula, a autoestima de uma leonina ímpar, e um humor par. Faz companhia com as minhas idiotices e piadas de tio do pavê. Ela é linda, mas a vibe dela é mais ainda. Tem um cuidado especial em cada coisinha que ela fez, fala ou faz.

Provavelmente esteja na hora de parar de falar, mas, como ela não sabe ver a hora nos ponteiros, eu vou ficar aqui. Só pra pirraçar. Só pra ela aprender a gostar. Deu ousadia, agora vai ter que aturar. Já que o relógio é só enfeite, vou te ajudar: tá na hora de você pagar o sorriso que me deve, mas vou cobrar em doses homeopáticas.

Suaves prestações de felicidade.

Pra vida toda.

DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 24 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.