MUITO MAIS QUE CINCO SEGUNDOS




Você sabe que sou tímida, então não me olha assim, com esses olhos que mudam de cor, me mostrando o quanto sou boba por não deixar você me encarar por mais de cinco segundos. É que seu olhar me deixa sem jeito, desnorteada e faz com que eu queira muito mais de você, mas não é só um beijo a mais e nem um pedido de fica aqui comigo só mais cinco minutinhos. É um desejo de que você fique por tempo ilimitado e queira ficar também, é uma vontade de te ter de segunda a segunda porque todo dia é dia de te querer um pouco mais; é saudade dos momentos que ainda não vivemos, mas que já estão rascunhados na minha memória só esperando você transformá-los em arte final; é uma sede incontrolável de cuidar de você e te fazer entender de uma vez por todas o tanto que eu quero que você fique.

Logo eu que tinha tanto medo de quando chegasse alguém assim como você, um medo bobo de não saber como agir que me afastava de todas as possibilidades que a vida oferecia e hoje agradeço por não ter aceitado nenhuma delas, pois o que eu realmente estava esperando era por você. Você que não tenta ser um super-herói e nem perde seu tempo tentando me impressionar, porque sabe que o jeito certo de fazer a diferença é sendo você e foi exatamente do seu jeito que eu aceitei abrir a porta e deixei que entrasse assim, sem medo do caos que reina por aqui.

Sei que por ora posso parecer um pouco durona demais, mas é que essa vontade de você já é gigante, vontade de conhecer cada pedaço seu e ler nos seus olhos tudo que eles têm a dizer; sair por aí sem pressa e curtir um dia inteiro ou vários do seu lado, aproveitando um pouco a cada minuto, porque temos tempo, não é? Eu sei que temos. Temos tempo para demorar no beijo e deixar uns sorrisos rolarem entre um e outro, ainda temos horas de sobra para deitar a cabeça no peito um do outro, só ouvindo a respiração baixinha e é aí que eu largo meu escudo de vez e retribuo seu carinho com um afago no pescoço, perdendo toda essa armadura que fazia parte de mim. É que quando eu tô do seu lado todas as marcas da vida somem, como se nunca tivessem existido, fazendo com que eu sinta mais vontade de você do que deveria e eu fico só imaginando esse sorriso bonito que você abre toda vez que me vê. Fazia tempo que eu não me sentia bem assim que se um dia a rotina devorar e eu não puder ficar grudadinha com você, não tem problema, eu te guardo aqui dentro e espero a vida acalmar.

Todo esse seu jeito de menino mesclado a homem fez com que eu tivesse coragem de tirar os pés do chão novamente, trazendo para o meu peito sentimentos que havia afastado e você chegou devolvendo todo o meu desejo de sentir sem medo do que pode acontecer, porque por você eu sei que vale a pena arriscar. No início confesso ter tido medo de me deixar levar por esse seu sorriso gigante e cativante, mas por dentro algo já me avisava que mais uma vez eu estava sendo boba por não deixar você me encarar, encontrar e ter por mais do que cinco segundos.

Fonte da imagem

ERA TUDO, MENOS PRA SER.





“Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver.
Forte eu sou, mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar.”
Fernando Brant e Milton Nascimento

E tem dia que eu choro. Não dá pra ser forte o tempo todo. Não consigo conviver, ainda, com a saudade e cada lembrança sua me faz te sentir aqui. É incontrolável esse desejo por seu cheiro, por seus olhos, por seu gosto, por seu toque, por tudo que vem de você. Minha pele ainda te chama e a única coisa que acontece é que a noite se arrasta.

Alguns casais não acontecem pra ser romance e não éramos pra ser – não naquele momento. Minha mão suava muito na sua, daí a impossibilidade de caminharmos de mãos dadas. Estávamos sempre ocupados demais pra nos olhar, mas a caixa de e-mail vivia lotada (quanta ironia!). Estávamos cansados demais pra nos abraçar, doloridos demais pra nos doar. E o que era pra ser amor se transformou num jogo de empurra-empurra das horas.

Você tinha mesmo que ir. Nossas chances eram nulas. Seu coração é do mundo, sempre foi, e seu destino será sempre a solidão – mesmo você acreditando piamente que o nome disso é liberdade. E eu achava que o caminho estava florido e perfumado, tudo no seu gosto, mas não era bem assim, tudo era bonito pra mim, estava enfeitando pros meus olhos. Talvez seus olhos não conseguissem captar.
Todas aquelas palavras de adeus ecoam como xingamentos na minha memória e dói. Consigo sentir tudo como se fosse agora. É insuportável tocar os dias com a certeza de que não somos e nem seremos mais. O que restou foi muita saudade e esse meu lamento intacto.

Você se foi e eu também – mesmo que aqueles momentos vez ou outra me visitem. Nosso amor permaneceu nas entrelinhas e aprendemos a conviver com tudo que passou. A saudade cicatrizou alguns desejos e algumas perguntas tomam conta dos dias. Não sei o que nos tornamos e nem se você ainda pensa em mim. Eu sei que reservo alguns dias, sem pré-agendamento, pra pensar em você e chorar também com saudade.

Eu gosto de pensar que todas as pessoas são eternas, não fosse assim as lembranças não existiriam. A falta, a perda, assim como o não, são fontes de aprendizado, mesmo que pareça afundar um buraco no peito.

"(...) Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer (...)"
Fernando Brant e Milton Nascimento

SE ENTREGUE SEM MEDO.



Não se entrega não. A entrega te deixa frágil e, por vezes, a paixão vai te deixar em um estado meio fora do normal. Você vai sentir a necessidade de falar com aquela pessoa e, acredite, por mais que você não tenha vergonha, na hora que essa pessoa aparecer a sua vergonha aparece junto. Evite trocar mensagens com a pessoa que mexe com você, evite o contato e qualquer tipo de troca de olhares. Não se entrega não e com isso você vai evitar diversos estresses futuros. 

Mas devo te alertar, você vai sofrer. Mesmo que tente não se entregar, em algum momento você vai quebrar a cara. Mesmo que você evite se envolver, passará algumas madrugadas pensando nesse alguém, imaginando como as coisas estão e, quem sabe, olhando para a conversa recente do whats, só para poder puxar um papo.

Então, quer saber, é melhor você se entregar sim. Não fazê-lo não significa estar livre de quebrar a cara e tudo aquilo que a entrega traz, significa somente se privar de algo, evitar viver algo que pode te fazer bem e feliz por um longo tempo.

Se entregue porque deu vontade, largue esse medo de lado e todos esses falsos rótulos que são colocados em quem se arrisca. Quer saber? Se jogue e viva as maiores aventuras, ainda que te renda algumas frustrações amorosas.

Em algum momento você vai abandonar alguém, ou vai ser abandonada e se isso acontecer o erro não será seu apenas por tentar, e sim, porque em alguns momentos os caminhos simplesmente são outros e não tem mais como permanecer ali, mesmo que tenha dado tudo de si.

Não se entrega não, ou melhor, se entrega sim. Aproveita tudo de bom que a vida lhe trouxer, seja feliz, se solte, se jogue e, acima de tudo, viva. Depende somente de você.







QUERIDO EX,


Você tinha razão quando disse: “você não encontrará alguém igual a mim”. Ainda bem que não. As pessoas são bem melhores. E não desmereço a história que vivemos. Apenas enxergo que existem pessoas que se importam, que têm empatia com as dores do outros, que sabem o real sentido da palavra reciprocidade, que têm a coragem de te estender a mão - sem medo e reservas – para ajudar a atravessar as avenidas da vida. Ainda bem que não encontrei um cara igual a você. Que péssimo seria. Ou como diria a minha irmã adolescente: “que morte horrível”.

Você tinha razão quando disse: “o universo devolve o que oferecemos”. Isso é tão verdade que venho, desde então, colhendo sorrisos largos, abraços sinceros e beijos de verdade. Hoje compreendo que abraços são mais que braços entrelaçando nossos corpos. São atitudes. Hoje entendo que o amor não nasce de exigências. Ele brota em meio ao caos diário, no beijo de canto de que recebemos enquanto gargalhamos, no cafuné que fazemos em quem se esparrama no sofá, sobre nossas pernas, enquanto assistimos nossas séries preferidas.

Você tinha razão quando disse: “o amor não é roteiro de novela”. Realmente ele não é. E, descobri da melhor forma possível: vivendo um grande amor. De “novelístico” recebi de você apenas tramas, traições e perseguições. E hoje percebo, mesmo que tardiamente, que elas devem ficar reservadas somente às telinhas e telonas. Você quis demonstrar várias vezes que o romantismo que buscava era algo tão surreal que, por tantas vezes, eu quase acreditei. Quase.

Você tinha razão quando disse: “você não viverá outra história igual a nossa”. Graças a Deus que não. Hoje me entendo muito melhor, porque consigo dividir as angústias e sonhos com alguém de carne e osso. Hoje eu me amo muito mais, porque identifiquei a necessidade de me amar antes de estender o que sentia a alguém. Percebi que nunca fui metade e por isso não precisava de uma outra banda. Que não precisava de alguém para caminhar, porque as minhas pernas eram e são fortes o suficiente para me sustentar.

Você tinha razão em tudo, querido ex. Só não tinha razão quando disse que eu sentiria a sua falta. A sua existência hoje me recorda apenas que nem toda tristeza é eterna, que tempestades são passageiras e que amor se atrai com amor. Hoje me amo muito mais, querido ex. E, por tabela, eu devo isso a você. Obrigada por nada. E, ao mesmo tempo, obrigada por tudo. 

DAQUILO QUE APRENDI COM A VIDA

Fonte da imagem
A gente cresce e começa a perceber que a vida é quase como um jogo de aprendizados, a gente vai perdendo ou ganhando muitas vezes, mas no fim sempre sai vitorioso de alguma forma. Cada momento traz algo novo e significativo que podemos levar como aprendizado, tem coisas que nem sequer percebemos durante e sim vamos passar a entender anos mais tarde seus porquês. Viver é jogar limpo com si mesmo.

Não digo que aprendi pouco, nem muito, digo que aprendi o suficiente. Aprendi, por exemplo, que se importar com pequenas coisas fúteis é perda de tempo, mas dar valor à atos simples é libertador. Me diziam que ganhavam buquês de rosas vermelhas e brancas e eu não entendia tamanha gratidão por essas e desprezo por uma margarida de jardim. Sabe, eu sempre preferi as margaridas perdidas por aí, elas são mais a minha cara e combinam com o meu cabelo quando colocadas apoiadas na orelha, são mais o meu jeito livre de ver o mundo. E eu aprendi a dar valor para esse tipo de pequenas coisas. 

Aprendi também que o amor vem sem querer e que as pessoas as quais amamos vão embora quase do mesmo jeito. Além disso soube que amar é deixar ir, sem correntes e amarras, pois o amor não tem clausuras que sustentam a tese de posse. Amar é aceitar o destino do outro, as suas escolhas e saber agradecer por ter tido a chance de viver grandes momentos que por mais longe que hoje estejam já nos alegraram. Aprendi a não guardar rancor de ninguém e a não despejar ódio gratuito por aí. Cada qual com seus motivos para agir de tais formas que não aceitamos, basta compreender e usar um jogo de cintura para escapulir do que tenta nos machucar. Vingança nunca foi a chave para nada e nunca será, está aí outra coisa que aprendi. 

Aprendi que a vida corre rápido e que aos quinze não se vê a hora de chegar aos dezoito e dali em diante não se perde tempo querendo envelhecer. Com isso aprendi a levar a criança que fui um dia pelas mãos para onde eu fosse e sorrir um riso largo para o adulto que formo aqui dentro. Aprendi a cuidar de mim e admirar o meu passado, aproveitando o presente e com meus olhos no futuro. Aprendi que o que faço hoje é consequência do que fiz e provavelmente um passo a frente do que quero fazer. Soube que o caminho para alcançar o que queremos nunca vai ser tão fácil quanto parece, mas que a partir do momento em que se põe os pés na trilha voltar atrás é fracassar. E eu nunca fui alguém que gosta de desistir. 

Aprendi a andar de bicicleta nas avenidas da vida, a me levantar de tombos feios e beijar o joelho sozinha para sarar mais rápido. Nadei nos oceanos das mágoas e fugi de lobos carnívoros por florestas sem fim com medo e muita coragem, embora pareça contraditório. Aprendi com isso que é importante ter medo sim, o que não vale é deixar ele ser maior do que a coragem de viver. Aprendi que certas conversas são músicas para os ouvidos e que algumas presenças silenciosas valem mais que grupos de amigos rindo à toa. Aprendi que um sorriso verdadeiro não se compra num bar à meia-noite dividindo bebida com um bando de gente que se viu algumas vezes, mas sim é tão involuntário que nem se percebe as curvinhas da boca se moverem para cima, seja no bar ou na cafeteria da esquina.

Aprendi tanta coisa e dentre elas a principal: podemos viver uma vida e não vamos ter aprendido tudo, não vamos ter explorado tudo e não vamos ter vivido tudo o que a gente queria. E mesmo assim, mesmo sabendo do fim não desistimos da vida. Não desistimos porque confiamos no amanhã, não desistimos porque aprender é da nossa essência. Em algumas primaveras vividas e várias margaridas na orelha espero jogar muitas vezes mais esse jogo da vida.   

ERA PRA SER VOCÊ


Eu me convenci que era pra ser você. Não importa o desfecho. Se vamos dividir a vida por anos a fio ou se vamos apenas tomar um café na estação, todas as vezes que a necessidade de esbarrar no seu sorriso me fizer perder a razão, e te convidar pra rir por aí. Pode até ser que a gente escreva uma nova história, sem aqueles clichês que a gente tanto decora, vai saber. O tempo vai passando e as certezas vão preenchendo os espaços em branco.

Às vezes tenho a sensação que você é a resposta para todas as preces que fiz, é como se você soubesse traduzir os meus medos e me acalmasse antes mesmo de eu mencioná-los. Você decora as entonações da voz, sabe compreender os meus gestos e se diverte com as minhas manias estranhas. Você chega me abraçando e automaticamente varre pra longe qualquer dúvida. É como se você encaixasse todos os meus questionamentos de uma só vez. Era pra ser você.

Talvez o tempo tenha encurtado demais o encontro ou talvez tenha faltado percepção. Talvez a vida esteja certa e você só tenha vindo pra me colorir em amor algumas boas estações. Não sei. Mas sei que quando estou com você me sinto melhor. Não enfraqueço diante das dificuldades e não desisto de seguir. É como se você fosse combustível pra todos os meus sonhos, e devo confessar que não seria má ideia continuar segurando a sua mão quando a vida seguisse apressada por aí a fora. Eu quero contornar o seu sorriso, quero ser motivos para muitos deles, que isso inclua sorvete de flocos na ponta do nariz e brigadeiro de colher nas noites frias de inverno. Quero esquecer que você vai embora na manhã seguinte e que logo depois a saudade vai calejar o peito outra vez.

Era pra ser você o antídoto daquele passado nebuloso que ainda me fazia andar pra trás. O despertador das borboletas preguiçosas. Foi você quem me beliscou e ainda me fez sonhar acordada, foi você quem me resgatou quando eu dei motivos de sobra para ir sem olhar pra trás. Foi você quem me encorajou a fechar os olhos e embarcar outra vez. Foi você. Era pra ser você. Mesmo que a gente não contemple todos os pores do sol, que meu colo não seja sempre o seu refúgio, que meus abraços não possam sempre te alcançar. Era pra ser você. Mesmo que a gente continue se perdendo e se encontrando no mesmo sorriso, na mesma letra ou na mesma frase.

Vai ser sempre você. A memória fresca que o coração aquece e vive em silêncio.

TE QUERO BEM, MAS TE QUERO LONGE.



O que deu em você pra [re]aparecer depois de tanto tempo?


Não sei por onde andou nos últimos anos, não sei quantas garotas conheceu, quantos lugares visitou, quantas paixões te arrebentaram ou quantos corações você partiu. Nunca fui atrás de saber quantas vezes você trocou de emprego ou de carro, quantos casamentos desmanchou, quantas voltas você deu e parou no mesmo lugar por ter mania de mesmice. E isso aconteceu assim por um motivo. Dos bons.

Entende, não é que eu tenha cultivado algum tipo de mágoa ou guardado um resquício de ódio. O tempo foi meu companheiro e me ensinou tanto, mas tanto mesmo, que nem tenho como mensurar o quanto cresci depois de você. Enquanto você procurava alguém pra te engrandecer, eu me tornei grande. Me vi gigante em frente ao espelho e tudo de ruim que eu sentia virou poeira, então varri pra fora de mim. Faxinei tudo e deixei a casa pronta pra receber coisas boas. Entende? Não é dor, é desapego.

Sabe, tempos atrás eu tinha tanto pra te dizer. Lembro que te escrevi uma pilha de cartas, lotei minha pasta de rascunhos do e-mail e no meu bloco de notas do celular só dava você. Até que não deu mais, assim como a gente. Numa dessas fases de crescimento eu criei forças e deletei tudo. Tudinho. Não sobrou uma palavra sequer pra falar da falta que você me fez ou das noites em claro lembrando de nós — e dos nós . Eu sei que é contraditório, visto que fui eu quem te trancou pro lado de fora.

E agora, muitas primaveras depois, ver teu número surgindo na tela do meu telefone não me estremece mais. Te ouvir falando do trabalho, dos planos e desejos, como se o tempo não tivesse passado pra você, já não me toca mais. Não me entenda mal, te desejo toda felicidade do mundo. Lembra do eu vou te amar pra sempre? Não menti, só que amor é sentimento mutável. Pode ser tantas outras coisas e essa mudança acontece de forma tão repentina que até me assusta. Pode se transformar num segundo ou num bater de porta. E no momento em que eu passei a chave na fechadura eu prometi não te odiar, não ficar maldizendo teu nome por aí nem praguejar sobre teu futuro. Te quero bem, apenas, mas te quero longe na mesma proporção.

Então, por favor, entenda quando eu, do lado de cá da linha, apenas te desejo uma vida longa, um amor que te ensine a ser grande também, uma família que te acolha e um espelho bem grande pra você admirar tudo que vai construir nos próximos anos. A torcida aqui é grande, ainda que distante. E se a gente se cruzar por aí, pode me sorrir e acenar. Do lado de cá vou te sorrir também, com carinho.

Se cuida.

*Fonte da imagem*

CABERÁ A NÓS, APENAS AMAR



Eu já desconhecia todo e qualquer sentimento quando conheci você. Vinha numa linha de pensamento em que nada mais acelerava meu coração, duvidava até das vezes em que ele batia, sentia ele tão parado que desconfiava se ainda funcionava. E para minha surpresa, ele despertou quando te descobriu, fluiram em mim novos batimentos sem fim. Não imagina a euforia que me tomou. Foi como despertar de um transe no qual eu nem sabia que estava e para mim era tudo normal, mas bastou você aparecer e meus dias mudaram, se encheram de cores, alegrias, motivos, se encheram de você. E desde então, tenho tido dias lindos e que valem a pena serem vividos e divididos com você.

Me trouxe paz, calmaria, suspiros em qualquer hora do dia, faz meu coração se alegrar e eu te sinto tão presente, tão comigo, tão minha... Não estou mais sozinha. Lembro que passei anos e anos relutando e, ao mesmo tempo, tentando encontrar alguém. Não me dava conta de que tudo estava ali, ao meu alcance, literalmente perto dos olhos e do coração. Talvez, você tivesse dado diversos sinais e eu não sabia como interpretá-los, por estar trancada dentro de mim, sendo prisioneira do meu próprio eu. Mas, de supetão, meu coração te sentiu aqui em meu interior e veio desabrochando rapidamente, fui invadida por sentimentos novos-velhos [des]conhecidos e, aos poucos, pude te reconhecer.

De fato, o amor vem quando menos se espera, quando se desiste da procura... Sorte minha que você não desistiu, pelo contrário, insistiu e me arrebatou como jamais alguém fez! Talvez eu não tenha sentido o amor assim logo de cara, mas com certeza houve rebelião de borboletas no meu estômago – nem sei se eram apenas borboletas, pela força poderia jurar que eram elefantes. E todo esse misto de sentimentos encontrados e re-organizados nos levaram a ser o que somos hoje, nossa lição de amor é aquela que nos golpeia todos os dias, parecendo nos acordar e mostrando como se ama alguém na mesma proporção ou simplesmente mostrando que o amor é doação natural. O que você dá e espera pode vir, como também pode não chegar, mas que mesmo sem voltar não vai deixar de ser amor.

É assim com a gente, aconteceu comigo e com você, meros humanos estranhos, desobedientes, mas amáveis em toda e qualquer proporção de relação que nos foi dada. Hoje eu só desejo poder ser o amor que você espera e que. em diversas formas, esse mesmo amor reine sempre em nós, seja na toalha molhada em cima da cama, no tubo de pasta de dente jogado sem tampa, na sua terrível mania de tomar água direto da boca da garrafa, como também no café que te levo na cama, na lembrança do nosso primeiro beijo que você faz questão de comemorar a data e, principalmente, naquele suco de laranja completamente natural [sem gelo e sem açúcar] que eu gosto. Não seria querer demais cada dia me esforçar, te cuidar, te querer, suportar qualquer dificuldade que possa nos aparecer. E quanto a amar, isso apenas nos caberá.

CAMINHOS DA FELICIDADE


Roteiros de vida, receitas de bolo, manuais de autoajuda, guias prático para alcançar a felicidade e conquistar um padrão de vida – como se a felicidade fosse um padrão. A sociedade esboça modelos preconizados de como deve ser a vida perfeita, o relacionamento perfeito, a roupa ideal para este ou aquele momento, o produto que confere status, o perfume afrodisíaco que lhe permite comer aquela mulher (será que ela goza utilizando o olfato?!). Muito além do simples apelo comercial, somos a todo instantes conduzidos como fantoches, verdadeiras marionetes do modismo a comprar a suposta felicidade. Pessoas que, mesmo insatisfeitas com determinado estilo, levantam bandeiras e seguem uma legião que acredita ferrenhamente que viver se resume a isto. Mas quanto vale essa tal felicidade? 

Se alguém souber o valor exato, a fórmula perfeita ou a medida ideal, por favor, me avise. Sou capaz de contratar um empréstimo e pagar longas prestações, apesar de acreditar que não podemos comprar a felicidade, mas sim adquirir momentos louváveis e que, por isso, expressam grande êxtase — no entanto não representam a plenitude. Basta abrir a caixa de e-mail e comprovar que preciso aumentar meu pênis em uma semana, ou aproveitar o último dia para comprar qualquer produto ofertado. Pior ainda é comprovar que as mulheres também são abordadas pelos apelos penianos – num dia desses, minha mãe recebeu uma oferta para alongar o pênis – acho que a confundiram com a Rogéria ou não conseguiram o endereço eletrônico do meu pai e indiretamente tentaram alcança-lo. 

Sinceramente, não preciso seguir padrões para encontrar a felicidade nem tão pouco pesquisar no google o segredo da sedução. Se eu sentir vontade de ir ao parque aquático de calça jeans ou assistir ao casamento do meu primo de chinelo Havaianas e blusa de malhas, de forma alguma deixaria de aproveitar e satisfazer as nuances do meu objetivo, mas com certeza, o maldito olhar social iria me subjugar – posso imaginar aquela adorável tia fofoqueira dizer: “eu sabia que este moleque usava drogas, eu sabia”. Mal sabe ela que toda droga ilícita que me recuso a experimentar é ofertada por seu único e estimado filho – aquele playboy que vive a dizer que a violência no Brasil é sufocante, mas adora financiar o tráfico. 

Talvez este posicionamento humano seja capaz de explicar a onda de desamor que paira no ar; tudo é artificial. Um devaneio de sorrisos falsos, aspecto físico forjado, interesses materiais e uma gama de desejos inescrupulosos onde o objetivo final é a obtenção de vantagem. Não importa a ferida causada, lagrima derramada ou efeito proporcionado. Acabo de lembrar que ano passado comprei três livros de autoajuda com os seguintes títulos: 1. Como dormir pobre e acordar rico? 2. Receita do relacionamento ideal 3. O caminho para a felicidade. 

Posso seguramente afirmar-lhes que estou pobre e solteiro, mas encontrei o caminho para a minha felicidade e não pretendo retornar ou desviar a rota.

QUANDO FOI QUE DEIXEI DE AMAR VOCÊ?


Não lembro o dia que deixei de te amar. Eu parei para pensar como as coisas deixaram de ser, mas, de fato, não sei mensurar dia, hora e local que deixei de te amar. Você vai dizer que parei de te amar quando bati a porta e saí para a rua, mas a verdade é que aquela porrada doeu mais em mim do que na madeira que estremeceu com o impacto.

Não foi fácil, sabe? Eu precisei reunir tudo de coragem e força de vontade para sair para o mundo que me chamava lá fora e te deixar para trás, porque simplesmente não te via comigo lá na frente. Mas eu fui te amando muito. Cada passo dado doía e a gravidade me puxava – loucamente – de volta para você.

Venci. Te amando muito, mas venci. E parece um bocado estranho essa vibe de dizer que fui embora sentindo amor e você ficou sentindo amor, então, porque porra a gente não ficou junto, grudados, enlaçados sentindo e fazendo amor? Eu amava esse grude, entre panelas e lençóis, então não sei porque parti sabendo que te amava demais.

Sufocava, confesso. Eu deixei de ser eu e passei a ser quem você queria que eu fosse. Adorava essa nova versão de mim, mas cada dia me via menos nela. Num rompante de falta-de-ar-preciso-ser-livre, assim, sem pausas, eu decidi que era hora de ir embora. E fui.

Sabe, mais do que ir embora amando você, doeu o fato de você ficar me olhando partir. Você não moveu um dedo sequer pedindo para que eu ficasse – simplesmente me deixou ir. Enquanto descia o elevador, vendo minhas lágrimas rolarem naquele espelho, acho que te amei um pouco menos.

Minha cabeça não para de pensar... Eu gosto de pontuar tudo na minha vida, saber quando, quem, poréns. Então busco saber quando foi que botei um ponto final no meu amor e ele deixou de ser, para ser qualquer outra coisa: carinho, gratidão, indiferença. E não sei dizer.

Vez por outra arriscava dizer que não tinha pontuado ainda, porque ainda sobrava um tico de amor do lado de cá. Vez por outra arriscava dizer que não tinha pontuado ainda, porque ainda tinha esperança de ter um pouco de amor do lado de lá. Vez por outra arriscava dizer que não tinha pontuado ainda, porque eu esperava você vir atrás de mim, me segurar pelos braços, me olhar no fundo do fundo da minha íris e implorar para eu ficar, derramando clichês atrás de clichês sobre mim.

Mas cutucando essa ferida já bem cicatrizada, não sinto mais amor-amor. É mais uma saudade daquela que fui e isso, de fato, não tem nada a ver contigo, sabe? Ou tem? Me assusta essa falta de ponto final na nossa história. O não saber como, quando ou porquê... 

Desculpa, mas não lembro o dia que deixei de te amar.

QUIETIAPINA



Quando há calmaria você surge.
É proposital e eu sei.

Sinto sua presença de longe.

A mesa que demorei a limpar fica coberta por suas lágrimas em segundos.

Seus insultos tem gosto de álcool.
Toda vez que há luz a sua sombra a tortura.
Você é o ruído.

Você não sara.

A inquietude da sua alma não permite o meu sossego.

E é sempre instantâneo o caos se a paz for instalada.

Você suja os meus sonhos.

Você macula o meu desejo.
E você some.

O divertimento cruel do seu espírito só é belo para quem conhece a intenção.
Você não é má.
Você só está perdida.
E para não se sentir sozinha não permite que eu me ache.

Me resta te amar te odiando.
Jamais senti tanta fidelidade.

JUREI NÃO ME APEGAR, E AGORA?


























— Sabe qual a pior parte? Eu acho que tô gostando.

Sabe, eu te entendo moça. Acredite, eu também já quis não querer, já quis não pensar em alguém e não desejar essa (con)fusão da saliva, do suor, do corpo e do afeto, que acontece quando as bocas se encontram. Desse jeito que para o tempo, sabe? Claro que você sabe. Pois é, fiz tantas juras de "nunca mais", "de jeito nenhum", "eu não posso", "isso não vai acontecer". "Você endoidou? Eu não tô afim de nada" — essa era a minha predileta. Fiz tantas que acabei me perdendo no meio delas, até que esbarrei em uma única verdade: eu já estava envolvida há tempos e nem sabia. Ou sabia e não queria acreditar, mas deixa essa parte pra lá.

O fato é que eu nadei, nadei, nadei e morri na praia. Ou (re)nasci, ainda não sei direito. Mas quando me dei conta já era tarde, eu já passava noites desejando aqueles beijos, já sentia falta da voz, do papo, do toque, do cheiro e até da chatice. É, eu sei o quanto isso é coisa de novela e romance água com açúcar, mas eu sentia. E daí?

Eu queria ver todos os dias, queria ficar perto e, confesso, gostei quando soube que até o cachorro já conhecia meu cheiro. Mas, eu, admitir? JAMAIS! Logo eu que tinha jurado de pés juntos que não queria me apegar? De forma alguma! Mas quando percebi, eu já sentia. O quê? Sei lá! Não me faça perguntas difíceis. Não tinha nome certo e eu não estava nem um pouco preocupada com isso. Nomear é limitar, rotular. E quem usa rótulo é garrafa.

— Mas eu preciso dar um nome pra isso que eu sinto! Será que é amor? Eu não sei e isso me enlouquece. 

Apego? Costume? Paixão? Amizade colorida? Curtição? Amor? Quem se importa demais em dar nome perde tempo, perde chances e perde minutos. Me fazia bem e isso bastava, assim como eu sei que te faz bem e isso basta. Eu poderia listar conselhos como "se arrisque", "aproveite" e todos os outros clichês que vemos por aí, mas com você isso não funciona. Nenhum deles ultrapassa os muros da sua teimosia. Mas tem um que eu tenho certeza de que você vai entender. Então, de uma vez por todas, vê se me entende... Te acrescenta? Então tenta.