AINDA É VOCÊ!




E cá estou eu, indo para o centro da cidade de ônibus e, sentado perto de mim, alguém com um cheiro igual ao seu. Cheiro de banho e roupa limpa, um cheiro extremamente característico seu. Um cheiro que me fez companhia por vários momentos. O cheiro que foi meu porto peguro quando o mundo pareceu desabar. E agora quem quer desabar sou eu.

Ainda é difícil não lembrar de você diariamente. Sempre tem algo que me remete a você, seja um cachorro parecido com o seu, alguém que parece com você, algo que você gosta ou simplesmente um cheiro igual ao seu. E nesse momento a minha única vontade é de chorar. Aqui mesmo, no meio do ônibus rodeada de estranhos, mas perto de seu cheiro. Não consigo aceitar que posso ser tão tola e acreditar que ter seu cheiro próximo de mim fará alguma diferença ou irá me acalmar, mas me faz bem. Pelo menos é uma lembrança de você.

É incrível o poder que você ainda tem sobre mim, mesmo que não saiba. Qualquer menção a algo que me lembre você me deixa destruída. Eu juro que eu queria entender como isso acontece. Mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tudo, ainda é você.

Ainda é em você que eu penso quando acordo, ainda é em você que penso numa noite fria, ainda é em você que penso quando vou escolher um filme na netflix.

Ainda é você, e não sei até quando vai ser. Sinceramente, não sei se quero que fique pra sempre, ou se quero que se vá. Penso que se você se for de vez não terei mais no que acreditar. Já te disse várias vezes, o que tivemos foi lindo, me faz acreditar que as coisas podem ser melhores, que as coisas boas podem acontecer.

Não vou me delongar mais, já desço para a loja no próximo ponto. Consegui não chorar até agora, mas não te garanto que isso vá durar.

Gostaria apenas que você soubesse que ainda é você. E sempre vai ser.

MARINA COUTO.
21 anos, estudante de Letras, forrozeira e apaixonada por palavras. Escrevo pra me sentir livre, não tenho destinatário certo, acho que assim fico mais desapegada e escrevo Com a alma. Gosto de escrever para as outras pessoas saberem que não estão sozinhas. Quem vai ser meu interlocutor? Quem ler decidirá se aceita ser ou não. Se você se identificar, é um novo interlocutor, escreverei pensando que não estou só. Escreverei pra nós

DISTÂNCIA NUNCA É O PROBLEMA.


Sempre existe aquele tabu de que relacionamentos à distância nunca dão certo, não é? Discordo. Há pessoas que, mesmo distantes, nos devolvem aquele sorriso maravilhoso que tanto almejamos dar, com uma simples SMS, uma ligação ou um “bom dia”. Pessoas que, mesmo distantes, tentam encurtar essa distância bruta entre um lábio e outro, mesmo que os corações permaneçam sempre juntinhos...pertinho.

Compartilhamos uma vida inteira, na presença ou na distância, ao contar como foi nosso dia, sobre o que nos irrita, sobre os nossos ciúmes, nossos gostos, aquela música que, enquanto escutamos, lembramos DAQUELA pessoa. Mesmo longe, somos capazes de sentir aquilo que é verdadeiro, o que realmente vale a pena, o que vale esperar, e o que vale ter.

Presença física nunca facilitou nada. As vezes, até complica. Quem quer estar com você, não observa antes quantos quilômetros os separam, porque sentimentos não necessitam de fita métrica.

Na verdade, o problema dos relacionamentos nunca foi e nem será o fato de estar distante; a distância não foi feita para desunir os que verdadeiramente amam e fazem de tudo para estar sempre junto, o desinteresse sim.

Tudo bem, o mundo hoje em dia anda meio louco mesmo, mas quem realmente quer está perto, permanece, independente de quantas passagens separam. Estar perto não é somente físico, mas, principalmente, interno.

Ps: inclusive, amor, tô morrendo de saudade. 
MARIANNE GALVÃO.
Marianne Galvão, 1990, escritora, autora do livro "Tempo do Tempo: as estações do coração", blogueira, libriana e nordestina. É amante das palavras e filha do tempo. apreciadora nata de tudo aquilo que faz sentir o sangue quente viajando entre as veias, transborda sensações e sentimentos urgentes através da escrita.

SEU ÚNICO DEVER É SER FELIZ, SABIA?



Quando você decide ir em frente deve evitar olhar muito pra trás, o passado tem que ficar no lugar dele. Se queremos mesmo que o futuro dê certo, é necessário que o cultivemos agora, no presente! Sem deixar os erros que cometemos antes acontecerem de novo, sem permitir que as fraquezas de ontem ainda sejam vividas hoje. "Todo mundo erra", você deve estar pensando, e eu não vou discordar da sua opinião, só percebi que o acúmulo de erros alheios servem pra nos ensinar também, certo?!

Tudo isso é muito clichê, e estamos cansados de saber, porém, na teoria a prática costuma ser outra! A gente defende pontos de vista, fala que vai consertar aqui e ali, que vai reduzir a marcha, mas quando estamos de frente com alguma situação impactante, difícil, a gente é sucumbido por uma amnésia e acabamos indo pelo jeito torto. A gente. além de olhar pro que aconteceu, repete erros, pensa como em tempos passados e atropela o que aparece no nosso caminho.

É um exercício diário não machucar quem amamos, não distribuir foras e palavras amargas mesmo sob a justificativa de que é um dia ruim, a gente precisa ser melhor todo dia e superar isso a cada minuto vivido. Caso isso não aconteça, perdemos a chance de equilibrar o que quer que seja. A gente troca energia, vai por mim, e de nada adianta mandar "zica" pro universo que ele devolve quando a gente menos espera.

Olha pra frente e enfrenta seu dia como a única oportunidade de conquistar seus objetivos. Nossa vida é como um livro que é escrito por nós mesmos, cotidianamente, mas não tem rascunho!

Então, capricha na letra e escreve capítulos bonitos pra você e quem escolher marcar sua história! De nada adianta querer que o mundo te ouça se você não grita alto o bastante suas vontades, se não se estica o suficiente até tocar o céu. Seu dever é ser feliz, percebeu?! Ninguém tá aqui pra brincadeira, todo mundo deseja ocupar algum lugar, e ele (o mundo) tá aí, enorme, te esperando com seus dons e conquistas, mas você precisa acreditar.

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”


SINTO MUITO, MAS EU AINDA ESTOU DE PÉ.


Apesar dos pesares. Engraçado, uma hora pensei que não conseguiria me reerguer e pouco depois acabei entendendo que não precisava dramatizar tanto. Talvez eu tenha deixado de ser idiota e um pouco tola, ou talvez só tenha adquirido amor-próprio mesmo. Foi difícil, sempre é. A gente demora para ignorar o que o coração não deixa negar.

Você não tem noção da rebelião de sensações que crescia aqui dentro, sempre que eu tinha a oportunidade de cruzar o teu caminho. Era uma guerra interna entre te querer e te afastar, eu nunca sabia bem ao certo como agir. Cresceram diversas sensações e eu matei todas aquelas borboletas que se criaram em meu estômago. Exterminei cada asinha colorida que destacava nossa história, me envenenei por dentro para te tirar de mim.

Não foi fácil, porém ainda estou firme e forte. Levou um tempo danado para superar toda essa minha mania por você e, nesse meio todo, descobri algo valioso: eu. É, eu mesma. De carne, osso, alma e um coração remendado, entretanto: enorme. Eu me reconheci depois de anos, vi além daquela imagem cheia de olheiras no espelho. Vi além das linhas de expressão, ainda leves em meu rosto, das cicatrizes e arranhões que se fizeram marcas. Eu me descobri capaz o suficiente de, sozinha, me amar. Do dedinho do pé ao último fio de cabelo.

Deixei de lado aquelas manias que já tinha pelo tempo necessário para criar outras novas, ignorei o relógio e fiz cada minuto correr para mim e não de mim. Eu me tornei amiga do tempo, não quis que ele curasse minhas dores, quis que me mostrasse novos amores. Eu assumi a postura da felicidade e a cada dia vi no espelho um novo sorriso surgir como recompensa.

Eu sorri verdadeiro, depois de meses de felicidades forçadas e caretas mal ensaiadas num teatro que eu deveria ter chamado há tempos de vida. E viver é tão melhor do que tentar me tornar um marionete da minha própria dor numa existência infinita. Você não sabe, mas te agradeço imensamente por todos aqueles milhares de fatos dolorosos que me ajudaram a chegar até aqui.

Obrigada por ter me feito, com desfeitas, descobrir um amor eterno por quem eu sou. Por descobrir ser aquela da qual você não quer sentir nem saudades, simplesmente para não lembrar do quão bom tudo já foi um dia. É, eu ainda estou de pé e pretendo continuar me reerguendo tantas quantas vezes se fizerem necessárias e o melhor, já compreendi que não preciso mais choramingar tanto.

GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

UM TEMPO, UM ALGUÉM.


  ❁ Ouça enquanto lê: Sandy e Tiago Iorc - Me Espera 

Um tempo, um lugar, seu sorriso, suas manias, seu jeito de me olhar, suas perguntas, suas mãos. Tanto tempo, passou voando. Voou aqui pra dentro do meu peito. Um dia lindo, nosso dia lindo. Sempre vou ter a sensação que devia ter aproveitado mais. Seus olhos, o abraço. 

Não te contei, mas sentei do seu lado da cama e fiquei ali, te olhando enquanto dormia. É eu fiquei. Coloquei o cabelo atrás da orelha e é assim que vejo você nas esquinas que eu dobro.

Mesmo que eu esteja longe por muito tempo, vou continuar sonhando que você está comigo. E você nunca irá embora. Segura minha mão e não solta. Por você eu resistiria. Aqui dentro mora tanto bem querer por você. Tem cuidado, tem carinho, tem a mão que desenha o rosto, aqui dentro tem música, tem um tanto de você. E pode acreditar, essas coisas existem. E por isso a gente chora. Chora por viver o que a vida permite, sem culpa, com a certeza do que faz bem. Tem lugares enormes que não te cabem, mas tem aqui um abraço pequeno, que te serve, te veste, te aquece.

Sei que mereço uma vida linda, mas isso não faz muito sentido sem você, porque eu sou só a parte da vida e a parte linda foi quando você chegou. Não tem nada de injusto nisso. Injusto é calar o que se sente. A felicidade, por mais que esteja longe do alcance das mãos, nunca está fora do alcance dos sonhos. Mesmo que nosso caminho se desencontre, eu volto pra te encontrar. Volto, nem que seja pra uma última dança, um último olhar, um último pedido de fica um pouco mais.

Volto pra te proteger e te ver feliz. Volto pra te atravessar na rua, pra te deixar no lugar mais seguro da mesa do bar. Volto pra te contar que eu gosto de azul e que não devo comer maionese pela manhã. Volto pra dividir o choro, limpar a lágrima e escutar o coração chamar o nome. Volto pra dizer que acho lindo seu jeito de se preocupar e esconder o rosto. Volto pra onde eu nunca devia ter saído. Volto pra casa, pra alguém, pra onde o coração fala mais alto.

Antes de eu chegar, me procure na página – da ausência – marcada pelo destino no livro, na chuva, no espelho. Me sinta no beijo na nuca, na música da lágrima e no aperto do nariz. Me perceba na notícia boa que vai chegar, no orgulho que eu sinto nas suas vitórias e na minha vontade de ficar. Mesmo que tudo pareça errado, me veja do seu lado, onde você estiver, estarei em coração, em alma e saudades. Em todas as nossas memórias você vai me achar. O final só vai chegar quando um de nós deixar de acreditar.


FERNANDO SUHET.
Um pisciano romântico e cabeça dura. Palavras e músicas ditam sua ordem. Apegado aos sentimentos mais simples e completamente ligado à família. Fiel aos poucos e verdadeiros amigos. Acredita na força do amor e, principalmente, na necessidade de solidariedade.

XÍCARA DE PORCELANA


❁ Ouça enquanto lê: Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar 

Ana sentou no parapeito de sua janela no segundo andar. Não era tão alto, o que a deixava confortável. Sempre teve medo de tudo que a tirava do chão, desde o elevador até um beijo apaixonado. Porém, ela tinha acabado de se mudar e queria observar dali a vista de seu novo bairro. Descruzou as pernas que estavam em posição borboleta e deixou os pés completamente livres. Em suas mãos segurava o inseparável café expresso, sem açúcar, em sua xícara de estimação. Era feita de porcelana — presente de sua falecida mãe, dona Doralice.

Degustou o café demoradamente, enquanto balançava as pernas como uma criança despreocupada. Colocou a xícara de porcelana no outro canto da janela e abriu os braços na medida que o espaço a permitiu. O apartamento era relativamente grande. Ana o tinha escolhido pensando em sua mãe, que era simplesmente apaixonada por aquele bairro e também porque ali teria mais espaço e conforto pra cuidar dela. Agora que dona Doralice havia ido embora, mais cedo que o esperado, Ana não sabia como iria viver naquele apartamento que, de repente, parecia maior que o normal.

Doralice tinha razão em gostar daquele pacato bairro. Era gostoso de se viver, limpo e acolhedor. Tinha quase tudo perto, inclusive a primeira escola que ela lecionou e um sacolão com verduras fresquinhas e sem agrotóxicos. Ironicamente, dona Dora (como era chamada pelos amigos mais próximos e alunos), sempre preocupou-se em evitá-los e ensinou isso para filha. "São extremamente cancerígenos!", ela alertava. Exatamente no dia anterior, fazia dois meses que um cruel câncer levou para sempre dona Dora com seus apenas 53 anos.

Ana estava triste, claro. Sentia uma saudade recente, dessas que doem como corte profundo que ainda não cicatrizou, mas o sentimento que mais a adoecia por dentro era o inconformismo. Ana não conseguia aceitar porque isso fora acontecer justamente com a sua mãe que era tão zelosa! Justo com ela que não permitia doces e refrigerantes como a maioria das outras mães de suas amigas de infância faziam. Era ironia demais do destino, mais do que Ana conseguia aceitar. Mas naquele momento, ela quis parar de questionar tudo e apenas respirar e aproveitar o fim de tarde.

O apartamento era poente, a pedido de sua mãe que amava o pôr-do-sol. Em virtude disso, queria assistir e contemplar o primeiro deles em sua homenagem. Dona Doralice sempre odiou ver a filha de preto. "Você fica gótica demais assim. Coloca esse acessório aqui pra dar uma corzinha!", ela palpitava. Por isso, Ana nunca quis vestir o luto. Sua mãe era sinônimo de vida e de alegria. Naquele momento, Ana estava usando uma camiseta cor-de-rosa, que ganhou de dona Dora no último natal que passaram juntas. Nela tinha a seguinte frase: "You only live once", e seria a próxima tatuagem de Ana. Mais uma ironia do destino, já que Dora sempre dava um sermão daqueles desde que Ana aparecia com uma tattoo nova. Eram sete no total.

O pôr-do-sol parecia demorar mais pra chegar por causa do horário de verão. O dia ia aos poucos se despedindo. Ana já estava em sua segunda xícara de expresso e a segurava com as duas mãos, bem próxima as narinas pra sentir o seu aroma preferido. Ana fechou os olhos para apreciar o silêncio ímpar que aquele lugar proporcionava, mas, de repente, toda aquela paz foi interrompida por um barulho ensurdecedor. Ela assustou-se, abriu os olhos de uma vez só, e viu sua xícara cair de suas mãos e se despedaçar janela abaixo.

Um ônibus que precisou desviar de uma das vias principais da cidade que estava fechada, entrou na viela do seu bairro e se chocou com um pequeno carro que deu ré sem sinalizar. Ana desceu correndo as escadas e em prontidão chamou socorro. Tarde demais. Infelizmente a motorista do carro havia morrido na hora. Ana chorou. Em suas lágrimas, vários motivos contidos. Ela se sentiu ali da mesma maneira que se sentia toda vez que pensava em sua mãe: impotente e inconformada.

Após o primeiro momento de desespero e angústia, conseguiu concluir: a vida é frágil demais, é um sopro. É como a sua xícara de porcelana: podemos tentar segurá-la com as duas mãos, mas quando for o tempo, ela irá nos escapar. Não podemos controlar e nem prever o fim. Ana não conhecia a história daquela mulher, não sabia se ela cuidava da saúde, se tinha deixado família ou dívidas. Mas sabia que, independente de como resolvemos levar a vida, de uma maneira ou de outra, ela sempre acaba.

Ainda ficou ali, paralisada por mais alguns minutos. Ouvindo a sirene de ambulância se aproximando, as pessoas curiosas em volta... tudo em câmera lenta. E então, a natureza seguiu o seu ciclo e o sol se pôs como nos outros dias. O céu ficou alaranjado como Doralice mais gostava e coloriu um sorriso — ainda tímido — no rosto de Ana. Sua mãe, professora de alma e de vida, sempre dava um jeitinho de lhe ensinar uma nova lição de casa.


SUÉLEN EMERICK.
24 anos. Brasiliense que vê poesia no cinza do concreto. Jornalista que escreve por/com amor. Uso vírgulas e crases imaginárias pra contar histórias, e o coração pra vivê-las.

ADMITIR SAUDADE NÃO FAZ NINGUÉM VOLTAR, SABIA?

❁ Ouça enquanto lê: Chimarruts - Versos Simples 

— Oi, estou com saudades.

E, somente com essa mensagem, todas as lembranças caíram em meu colo (como se fossem um paraquedas), não me pediram licença, se acomodaram e aqui estão. Fecho os olhos e consigo me lembrar de cada cheiro, gosto, risadas e até mesmo das lágrimas. Aquelas que derrubei todas as vezes em que você insistia em dizer que eu fazia tudo errado e, “cuidadosamente”, apontava cada defeito que eu tinha. Até aquelas manias, que todo mundo dizia que eram bonitinhas, você criticava — diariamente eu era lembrada de que algo em mim não se encaixava. O meu sorriso tímido, meu óculos quadrado ou meu andar desajeitado.

Fecho os olhos e consigo lembrar das noites em claro que passei, de como chorei pedindo para que você não partisse, mas mesmo assim você se foi. Nada era mais como antes, as músicas nunca fizeram tanto sentido e pessoas nunca estiveram tão sem graça. O mundo perdeu a cor e eu apenas chorava, por ter entregado todo meu coração para alguém, que diariamente me criticava.

Durante tempos eu mandei mensagens com esse mesmo conteúdo, “tenho saudades”, e nunca obtive resposta. Frequentei alguns lugares só para poder te ver e, quando eu te avistava, você me ignorava. Então reuni todo aquele amor que tinha dentro de mim, e decidi seguir.

O tempo passou, a vida mudou, outra música tocou e eu simplesmente segui. Percebi, enfim, que de você eu não queria mais nada. Sabe o que acontece, camarada? A sua saudade está grande, né? Aquela que, durante longo tempo, eu dizia ter, e hoje você quem veio atrás. Ainda assim, te agradeço. Por ter me tornado mulher, forte, e por ter me deixado chorar sozinha.

A vida seguiu, a primavera surgiu e você, hoje, não mais me importa. Quando essa saudade, que você insiste tanto em dizer que tem, bater aí bem no fundo do seu peito, faça como eu. Coloca a nossa música, aumenta no último volume e chora. No início vai ser difícil, mas depois tudo isso vai embora. Acredite em mim, eu te agradeço e estou bem melhor agora.

ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

NAMORAR É PARA OS DISPOSTOS.


Não comece idealizando um relacionamento perfeito, onde tudo são flores e no primeiro tropeço é só descartar e encontrar outro alguém que dê certo. É que, pra muita gente, seria mais fácil usar o famoso “se não foi, não era pra ser” do que consertar aquilo que incomoda e traz desconforto aos dois. Namorar é par. Tu e ele, ele e tu. Tu e ela, ela e tu.

Relacionamento não é conto de fadas, nem sempre está tudo bem e existem diversos obstáculos. Dividir a tua vida, teus costumes, tuas manias, tuas birras, teus ciúmes, tuas músicas preferidas, apresentar aos melhores amigos, criar novos vínculos e fazer alguém ter participação ativa em tua vida, exige tempo, respeito, confiança e, principalmente, amor. Sem amor nada vai ser possível, e as chances de dar errado serão absurdas.

O amor é lindo mesmo, faz o afeto tornar-se matéria de “bom dia, amor” no café da manhã, e aí o dia já começar bonitinho só por aquelas palavras. Às vezes, você se apaixona por um sorriso, por um olhar, por um gesto, ou até mesmo por alguns meses. O amor não. Antes de amar, você vai aprender que o amor não é tudo aquilo que dizem ser. Na verdade é como viver em uma montanha russa: hoje você tá linda, amanhã te odeio, mas não consigo ir dormir sem antes dizer o quanto te amo; e porque te amo.

Namorar não é pra quem tá carente e a procura de uma companhia pra dividir sorvete e sorrisos. Namorar é pra quem está disposto a juntar o coração ao lado do coração de alguém, pra quem quer dividir as birras, os ciúmes bobos, as conversas sérias e as engraçadas também. Namorar é, principalmente, dividir os bons e maus momentos ao lado de quem se ama.

É fácil amar alguém quando tudo está bem, difícil é amar e fazer permanecer o mesmo amor quando as coisas não estiverem bem, mas se caso isso aconteça...não desperdice o sentimento mais precioso e extinto que pode existir nos dias de hoje. Cuide de quem é importante pra você e te trata bem. De quem te dá motivos pra ficar e mostra o quanto quer permanecer também. E se tudo estiver errado, conserta lado a lado.

E se as coisas não estiverem indo bem, se coloca no lugar do outro antes de simplesmente partir, aguenta essa barra aí, juntos. Porque, às vezes, a gente acaba indo embora na esperança de um dia voltar, mas talvez nem volte.


MARIANNE GALVÃO.
Marianne Galvão,1990, escritora, blogueira, libriana e nordestina; é amante das palavras e filha do tempo. apreciadora nata de tudo aquilo que faz sentir o sangue quente viajando entre as veias, transborda sensações e sentimentos urgentes através da escrita.

A MUDANÇA ACONTECE DE DENTRO PRA FORA!


Acabei de acordar e me lembrei que é sábado, não vou precisar levantar apressada pro banho e correr pro trabalho, que droga! Vou ter o dia inteirinho sem obrigações, o que me faz pensar mais do que deveria em você e como tem feito falta na minha rotina. Me lembrei que já sabia de cór, todas as suas manias e gostos. Eu que decorei seus gestos e quantas colheres de açúcar adoçavam seu café, sinto o amargo dos dias que parecem não passar desde que decidimos não ser mais um casal.

Eu amava a gente junto, mas não estava dando mais certo pro amor, e a gente sacou! Pra falar a verdade isso é um porre! Porque o amor ainda existe, mas o que cerca a nossa vida não coincidiu, colidiu. Me remexo na cama na tentativa de acelerar as horas como se algo fosse adiantar, como se pudesse transformar esse sentimento em esquecimento ou, quem sabe, mudar tudo; como se nada ficasse como agora, se ainda fôssemos nós em forma de laço de fita, que dividia as séries e brigava se assistíamos algum episódio separados.

A ducha fria não me esfria a cabeça e tão pouco me fazia esquecer o calor que vinha do seu corpo quando a gente aproveitava o mesmo banho antes de sair pra vida lá fora. Eu sinto o amor querendo rasgar minha boca até ir aos gritos bater na sua casa, fazendo questão de contar que apesar dos percalços ele se sente vivo sendo dado à você. Eu seguro a voz e engasgo peito a dentro, remoo as lembranças e vejo as fotos. Mancho cartas, recados e bilhetes de cinema com lágrimas que involuntariamente escorrem do meu rosto. Tem muita coisa da gente naquela caixinha encapada de papel vintage cheios de selos estrangeiros, de quando fomos juntos na papelaria mais cara da cidade. Tudo porque eu precisava de um envelope azul turquesa e não achava em lugar nenhum, lembra?!

Eu sei que tenho muitas coisas pra ocupar meu tempo, eu tenho dúvidas se quero sair dessa fossa que acabou sendo a única coisa que te deixa presente. Não estou arrependida de ter concordado com o nosso fim, estava insustentável, e a princípio era só um tempo de aceitarmos melhor quem somos e se de fato nos queremos inteiros, mas ando notando que você está bem, voltou a correr e arranjou tempo de viajar com seu irmão, trocou de carro e tirou a barba.

Eu passo a manhã toda rejeitando as ligações que me fazem perceber que há uma vida pra mim também, eu me amortizei nessa coisa que sobrou de nós dois, sem me dar conta de que isso só faz mal pra mim. Feito barata tonta pela casa decido, depois de horas mergulhada na dor, que o melhor é sair um pouco do cubículo que cheira a saudade do que já não pode mais acontecer. Vestida de flores e havaianas brancas sigo em direção ao mar, busco o sol pra me iluminar e energizar do que tem por aí pra me encantar.

Pra ser sincera, eu consigo dimensionar o erro que cometi durante esses 3 meses que voltei a ser só, e o quanto preciso me ganhar de volta pra então me dispor pra outra pessoa, mas creio que muita gente acaba preferindo pagar de coitado e se manter imersos em dores que de fato estão mais em nossas mentes do que em qualquer outro lugar, do que se sacudir, se enxergar e quebrar o vidro que embaça e limita a mudança que acontece de dentro pra fora.

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

FICA, TEM BOLO.


Eu mal acordo e já gosto de você vinte vezes. Lavo o rosto e em vez de planejar meu dia, como faço de costume, eu planejo nosso final de semana, totalmente desnorteada. Foi o seu beijo com gosto de brigadeiro que me provou: doces em doses extras enjoam na mesma proporção que viciam.

O problema é que eu te quero de uma forma inexplicável. Ou talvez tenha centenas de explicações, mas todas juntas não dariam uma frase que eu fosse capaz de te dizer. E se o tempo visse como eu fico ao te ver, ele provavelmente congelaria, pra eu me consertar, tomar fôlego e deixar de ficar avermelhada. Mas se o tempo te olhasse, como eu te vejo... ele também se apaixonaria por você.

É esse seu jeito de sorrir de canto, quando percebe que estou embaralhada ao ler a receita e não conseguir passar pra etapa "Como Fazer", porque eu realmente não sei como fazer com você ali, tocando as minhas mãos, dizendo com uma voz suavemente aveludada "o bolo só cresce se o forno estiver bem quente". Inevitável não ouvir isso como um convite para ir ao seu quarto, porque quando você fala, meus tímpanos derretem, a pele arrepia.

O problema é que eu já me perdi. Me perdi na receita, me perdi em você. E por mais que eu tente me concentrar em dizer que ainda falta adicionar açúcar, eu sinto vontade de dizer que não precisa, já é doce estar ao seu lado. Quando eu esbarrei na sua perna, foi proposital, só pra você me notar ali, na sua, e me fazer inteira. É fácil gostar de você. É rápido. É macio.

É esse seu jeito concentrado que se confunde com o meu jeito atrapalhado, que me faz deixar de achar tanta coisa e me faz ter certeza. É você. É seu jeitinho afermentado, capaz de fazer tudo crescer ao seu redor, que me faz crer que você tem todo o potencial de ser o homem da minha vida. Faz crescer o riso, sonhos, vontades, planos, sentimentos. É que você cresceu em mim num tom brando. Todinho brando. De forma insuspeita, incontrolável e em modo silencioso; Já pra eu não me assustar com sua presença barulhenta. E faz sentido, uma vez que longe de você, sua ausência fica ensurdecedora.

O problema é que eu nunca sei o ponto certo de tirar o bolo do forno. E eu não sei se meu coração é um amontoado de sandices contraditórias, que foge do singular, receoso de ter alguém com a tal chave mestra capaz de controlá-lo e que carece ser exercitado por tudo que lhe deixa mais leve, mais feliz. Ou se é só um músculo, cumprindo sua árdua tarefa de bombear meu sangue por todo meu corpo, batendo incansavelmente, sem precisar de um incentivo (seu).

Só quero te dizer que quando você disse "o bolo tá pronto", eu fiquei com vontade de falar que eu também estou. E que não precisa ter medo, não ofereço perigo algum. Talvez um pouco, mas tá batido em claro de neve que isso tudo é possível. É verdade. É real. Mas eu hesitei e titubeei que o bolo ficou esfarelado.

E é exatamente isso o que acontece quando você me toca, eu me esfarelo também. Me esfarelo inteira em poeira bonita, de quem sente urgência em amar e ser amada. Então, antes de ir, fica.

Fica mais um pouco. Se quiser, para sempre.

ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

TALVEZ O PRIMEIRO AMOR SEJA PARA SEMPRE


Talvez eu nunca esqueça da primeira vez que vi o seu sorriso, das primeiras palavras que trocamos, do nosso primeiro beijo. Talvez eu nunca esqueça de quando nos vimos pela primeira vez, de como logo de cara tivemos uma antipatia mútua e de como, nos meses que se seguiram, passamos implicando um com o outro, sem revelar o que realmente estávamos sentindo.

Até que um dia descobrimos que tínhamos mais afinidade do que imaginávamos, que juntos nos dávamos bem e que toda a implicância era apenas um disfarce para esconder um outro sentimento.
E esse novo sentimento, que ainda estávamos descobrindo, ia crescendo cada vez mais e a necessidade de nos encontrarmos era cada dia maior. Até que um dia nós nos descobrimos apaixonados.

Da paixão se tornou amor, um amor tão forte e puro... Nos tornamos cúmplices, nos tornamos mais fortes, pois não éramos apenas pessoas que se completam e se tornam um. Sim, nós nos completamos, mas continuamos sendo dois. Dois que, com todas as suas diferenças, se amavam, mas como a vida não é como um conto da Disney, onde tudo acaba em um “e viveram felizes para sempre”, o nosso “sempre” acabou antes do que imaginávamos. E todos os planos ficaram para trás sem a perspectiva de se tornarem reais algum dia.

Cada um foi para o seu lado, com seus amigos, casa, trabalho e tudo mais. Um de nós foi mais longe, enquanto o outro optou por caminhos diferentes. Apesar de tudo ainda nos gostamos, mas isso não seria suficiente para sustentar uma vida inteira. Alguns “para sempre” realmente precisam acabar mais cedo do que outros, mas não é porque o “juntos” não existe mais, que precisamos nos tornar completos estranhos para uma pessoa que fez parte da nossa vida por um bom tempo.

Não é porque você está do outro lado da rua que eu não vou acenar e te cumprimentar. Não é porque acabou que vamos morrer um para o outro. Talvez, e existe uma grande chance disso ser verdade, o primeiro amor seja para sempre e ele foi criado apenas para nos lembrar que se já amamos uma vez podemos amar mais e mais, e que se não deu certo não é preciso sair culpando alguém. Talvez seja apenas uma questão de momentos de vida diferentes, e essa seja uma oportunidade de encontrar uma pessoa que esteja no mesmo “lugar” que você naquele momento. Talvez essa pessoa também não fique para sempre, mas talvez você possa fazer o seu sempre com ela por um momento.

TAMARA PINHO.
Jornalista por amor (e formação), mineira, e sonhadora como uma boa pisciana. Vivo na internet, então é fácil me achar. Acredito que a escrita é libertadora e nos possibilita viver em diversos mundos ao mesmo tempo.

ME ESPERA?



Está chovendo e, para variar, a cidade parou. Já andei dois quarteirões e nada. Nenhuma saída disponível para voltar para casa. O trânsito está um caos. Para todos os cantos que olho percebo o aborrecimento e a mesma urgência que estou tendo, de chegar e finalmente esquecer a rotina maçante que tem corroído qualquer vestígio de esperança. Hoje foi um dia daqueles, e você bem sabe que detesto reclamar. Insisto em enxergar os pontos positivos, mas fica difícil quando tudo se amontoa no meio fio e nada desata.

Percebi que ando ranzinza. Franzir a testa não tem custado tanto. E ando impaciente. Nunca fui boa com esperas — é verdade — mas de uns tempos para cá nem me esforço em disfarçar. Dá vontade de tomar o outro pela mão e dizer que é preciso arriscar um caminho, que cruzar os dois braços e contar com a sorte não será suficiente, mas daí me lembro de mim diante dessas ciladas em que tudo vale muito e me aquieto. Que direito eu tenho de apressar o passo alheio? Nenhum. Repito três vezes e me convenço de que o direito de experimentar as próprias escolhas é fundamental na hora de crescer.

Eu mesma demoro um bocado para aprender. Normalmente me rasgo duas vezes só pra ter certeza, e é nessas permissões masoquistas que fui me dando conta do quanto que a gente amadurece entre uma porta fechada e outra. Estou com tempo. O semáforo abre, cinco carros no máximo atravessam e logo ele fecha. Que tédio. As luzes da cidade inspiram a lembrar daquele Natal que passamos juntos no improviso. Lembra?

Abrimos mão de todo ritual só pra estarmos a sós. Sem a loucura da troca de presentes e aquele clichê todo envolvendo pessoas que só se bastam numa única data do ano. E deu saudade do porre de verdades que tomamos, das mãos entrelaçadas naquela varanda especialmente iluminada pra ocasião. Lembrei de recostar a cabeça no seu ombro e ver a vida passar enquanto fazíamos planos secretos traduzidos no olhar. Senti falta do refúgio. Do silenciar sem ter de justificar. Essa facilidade me encanta e você bem sabe que trocaria a algazarra toda para me caber no seu abraço.

Você chegou a ler a pesquisa que te enviei? Sobre a cura que abraçar demorado traz? E você que acreditava que essa necessidade de estender o namoro dos nossos corações era bobagem da carência. Que nada. Era paz dobrada e a certeza de que tudo daria certo.

Continuo falando sem parar e emendando um assunto no outro, espero que não se perca e que não se importe. A chuva apertou. Os raios estão iluminando o céu e pode supor que vontade de cobrir os olhos e me esconder embaixo do cobertor não faltam. Engraçado como somos forçados a lidar com as tempestades da vida e voltamos a ser criança quando o temporal ali fora começa. Tudo parece muito maior do que realmente é e a falta de controle me deixa desconfiada. Não poder prever os estragos me desespera.

Eu sei que está ficando tarde e que já me atrasei quase duas horas, sei que não tenho sido pontual com a gente e que nos últimos meses você foi a peça que mais desloquei na agenda, mas eu juro que estou tentando. Que tenho me esforçado. Talvez você se irrite outra vez e me deixe porta pra fora, que sequer visualize a mensagem que estou escrevendo, mas precisava deixar registrado que sinto sua falta. Ainda que eu tenha demorado um tempo para me dar conta do tanto que a rotina estava consumindo as nossas horas livres de amor, eu me importo com o que a gente escreve no travesseiro.

Me importo com seus medos, e me desdobro pra estar perto mesmo quando o relógio não adianta o nosso lado. Eu sei, eu podia ter saído mais cedo, me precavido sobre a chuva, podia ter antecipado a volta pra casa, ter passado naquela padaria que você gosta e ter te surpreendido com a mousse de chocolate, mas se eu tivesse feito tudo isso, não teria parado pra sentir o quanto seria sem graça viver sem você por perto pra dividir as preocupações e aqueles anseios bobos que só a gente entende.

Se eu tivesse mudado a rota, adiantado quinze minutos que fosse eu não teria sentido na pele a vontade de largar tudo só para me encontrar com você e contar que está tudo bem. Eu vou atrasar mais trinta minutos, mas se quiser, temos a vida adiante para combinar.

MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.