E QUANDO FOR AMOR?


Quando for amor, tu amarás tudo, amarás por inteiro. Tu vai perceber que aquele rostinho de sono ao acordar ao teu lado durante as manhãs conseguirá ser mais bonito que qualquer vestido de marca. Vai perceber que todas as músicas vão se encaixar em cada momento. Quando for amor, você não vai querer que seja um conto de fadas. Tu vai querer que tenha SIM algumas horinhas de ciúmes bobos, de cuidados extremos, de briguinhas bobas (porque o melhor sempre serão as reconciliações)...Tu vai perceber que, quando for amor, até a maior distância não será capaz de separar vocês, porque a tua conexão interna será maior que qualquer conexão carnal.

Quando for amor, será recíproco.
Quando for amor, tu não precisarás mais de sorte, mas serás a pessoa mais sortuda do mundo por ter teu amor ao lado. Nem irás mais desejar mais ninguém, porque o único desejo será estar sempre com esse alguém. 

Quando for amor, apenas será. Sem explicações, sem complicações, sem restrições, sem prisões. Quando for amor, não vai faltar sorrisos, vontade de estar junto, saudade, filmes nos domingos tediosos, mãos dadas, segurança, reciprocidade.

Quando for amor, segura, cuida e não deixa ir. 
Amor, nos dias de hoje, é raridade.
                                                    ❁


MARIANNE GALVÃO

Marianne Galvão,1990, escritora, blogueira, libriana e nordestina; é amante das palavras e filha do tempo. apreciadora nata de tudo aquilo que faz sentir o sangue quente viajando entre as veias, transborda sensações e sentimentos urgentes através da escrita. Escritora do livro "tempo do tempo: as estações do coração."

PARA ESSE TAL AMOR QUE VAI CHEGAR!


 Oi, tudo bem? Por onde você anda? Precisava saber se você vai demorar muito, será que vai dar tempo de arrumar toda essa bagunça que o último hóspede deixou?

De antemão peço desculpas se encontrar a casa bagunçada, a última visita não foi gentil e deixou um rombo enorme nas paredes, estou ajeitando aos poucos e sem presa, deixando que cada machucado cicatrize devagar e ao seu tempo. Parei de querer correr contra o bendito tempo – pelo menos isso eu aprendi com a visita anterior – e, estou me esforçando ao máximo para que tudo esteja ajeitado e consertado para quando você chegar.

Preciso que você saiba que pode ser que você chegue e eu não note sua presença. E, nem me dê conta que é você quem eu tanto esperava, talvez porque ando desligada demais desse lance de relacionamentos. Acontece comigo toda vez que me entrego de cabeça para alguém que não merece e automaticamente alguma decepção me toma. Tenha um pouco de paciência que se for verdadeiro eu vou te notar, mesmo que demore um pouco.

Não pergunte sobre os meus machucados, já alerto que possuo alguns e tenho receio de falar sobre eles. Algumas cicatrizes são nítidas, outras estão bem escondidas e pode ser que eu demore um pouco para me abrir com você. Prometo tentar ir perdendo meus medos aos poucos, mas só te peço mais uma vez, tenha paciência comigo, essa será a chave para que você me entenda.

Deixo claro que já me joguei demais, aquele tipo que vai nos relacionamentos sem medo e sem medir consequência, nunca me arrependi de ser intensa demais, talvez me arrependa de ser fundo com quem era raso. Fui de cabeça em alguns relacionamentos e isso me trouxe grandes traumas e marcas eternas, depois de um longo tempo, pude notar que precisava sossegar e esperar esse bendita amor que me dizem que vai chegar.

Não me cobre e nem me sufoque. E, por favor, não odeie os meus amigos, entendi que respeito é crucial para que um relacionamento dê certo. Entendo que você também vai chegar com marcas, manias e costumes. Seremos pacientes e tenho certeza que tudo vai se ajeitar da forma mais pura possível.

Mas vou te confessar que tenho medo e de verdade, talvez por não saber quando você chegará e nem da forma que vira, porém eu sei que vai ser único e com certeza uma bela surpresa, a vida tem dessas.
Algumas vezes a vida apronta algumas surpresas e eu tenho certeza que você vai chegar nessas surpresas da vida, no acaso, na fila do pão, ponto de ônibus ou até mesmo nesses passeios sem motivo algum pelo shopping – não sei quando será e talvez seja isso que me encanta.

Não me entenda mal e nem entenda isso como um manual. Simplesmente entenda como alguém que quis te orientar e apresentar o que esperava, uma pessoa com algumas decepções, arranhões, costumes, porém, com um amor inteiro para entregar para quem for verdadeiro.

ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

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VOCÊ É A MINHA CONTRADIÇÃO FAVORITA!


Eu sou de humanas você é de exatas, eu sou da madrugada você de ver o dia raiando, eu possuo mau humor espontâneo e você sempre com o sorriso de canto, você canta e eu sou desafinada, você me encanta e eu vivo torrando seu saco, eu sou TEAM CAP, você é TEAM HOMEM DE FERRO, você gosta de culinária e astrofísica e eu sou apaixonada por futebol e luta livre, você é meio American Dad e eu torço para o coiote pegar o papa-léguas, você é louco para ser mocinho e eu sou viciada em vilões.

Eu sou de Escorpião você é de Gêmeos, você quer ir para o exército e eu espero me perder em Vegas, você é todo organizado, eu sou uma bagunça sem fim, você é tecnologia e games e eu sou livros e histórias em quadrinhos, você é da galera do Spotify e eu ainda possuo LP. Você tem um pouco de timidez eu sou completamente desinibida, você é viciado em calmaria e eu louca por adrenalina, você gosta de dias quentes eu já sou apaixonada por inverno, você espera pelo arco-íris e eu louca pra chuva vir molhar minha janela, você quer casar, ter filhos, cachorros, periquito e uma cerquinha branca, eu quero você um dia inteiro no meu quarto de solteira.

Você é terno, atencioso e tem um pouco de equilíbrio, eu sou loucura, tique-taque do relógio, desastrada e também de gargalhada escandalosa, você é passo cronometrado e eu sou o caos do meio dia, você diz que eu sou chata e eu retruco com um:

- Você tem razão!

Você vive me dizendo que está com sono, e eu nunca faço ideia do que vestir. Você gosta do Homem-Aranha, mas eu prefiro o Superman, você é muito de Narcos e eu prefiro um Jhon Snow, você se encanta por Merydth Grey e eu sou mais uma Daenerys Targaryen, você é de fomes e eu vivo de dieta, você é louco por tigres e eu vivo querendo um panda, você é viciado por Ugly Americans e eu vivo assistindo The Simpsons, eu sou da turma do cromossomos X você fica lá na galera do Y, você é Jorge & Matheus e eu sempre serei maluco beleza, eu quero Hary Potter e você o Dr. Estranho, eu vou de O Senhor Dos Anéis e você com o Atirador, eu princesa Leia e você o Darth Vader.

Nada parecidos, porém completamente iguais, as diferenças nos tornam par e assim sempre será, projetos de vida opostos, mas o mesmo gosto por felicidade, eu cuido de você, e você cuida de mim, recebi de presente o amor da minha vida e também o meu melhor amigo na mesma pessoa. O marco de nossa história fora aquela briga na faculdade, o carinha não soube levar um não e pra mim veio cheio de dedos, eu dei lhe um soco no rosto e você sorriu e se perguntou:

- Que garota maluca é essa daí? Sua gentileza ao me oferecer carona e a minha intolerância ao te mandar um:

- Vai caçar a sua turma. Mas você não desistiu, e por dias a fios me procurou, me mandou chocolates na minha sala juntamente com um bilhete. Quem é que manda bilhetes nessa altura do campeonato? Você queria me levar pra jantar, e eu te arrastei até um boteco, um beijo foi o suficiente pra me incendiar de desejo, mil beijos depois vieram e nos transformaram em casal, 2 anos de uma história que parecia uma loucura mas que por um tempo deu certo, até chegar a porra do final.

Firmamos o compromisso de sempre um do outro zelar, te ofereci o meu amor como símbolo de nossa união, no nosso contrato não precisamos de juiz, apenas olho no olho e um único sim. Prometemos e cumprimos até onde realmente deu, eu fui a sua menina e por algum tempo tu fostes o garoto meu. Hoje a saudade aperta e até das nossas diferenças ainda sinto falta. Queria uma carona de volta pra casa, mas hoje te vejo de braços dados com outra, talvez estejas implicando com as pintas de seu corpo, ou talvez esteja apenas sendo feliz como um dia também fomos.

Te observo de longe e solto um sorriso insano, lembrar que nos pertencemos é dolorido mas também é libertador. Acabou? Sim, acabou, mas eu posso contar a quem quiser, que um dia eu já vivi um grande amor.

PS: E ele tem o sorriso mais bobo e o olhar mais intenso que já conheci, de todas as minhas escolhas, tu fostes o mais contraditório, exatamente por isso se fez eterno em mim.


RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

SONNE

Ela tem a fórmula que acaba com a minha vontade de fugir.
Ela sana todas indagações.
Mas ela nunca começa os parágrafos.

Ela sussurra tiros.
Limpa a cena do crime.
Mas ela nunca fica para as explicações.

Ela é o motivo da febre.
Ela faz café para tomar o remédio.
Mas ela se vai depois que estou com 36,5°C.

Ela sabe que pode pedir tudo.
Ela pode ter o melhor de mim.
Mas ela nunca espera os sonhos virarem realidade.

Ela é a cura para dor que ela é.
Ela segura a minha mão até a dor passar.
Mas quando abro os olho ela já não está mais lá.

Eu a amo tanto.
Não queria que ela fosse embora.
Mas não posso pedir para ser dono do que nunca foi meu.

HELIARLY RIOS.
É um amante. De política, economia e futebol. É um apaixonado por F1 e NFL. Garante o pão de cada dia e um teto para descansar trabalhando como analista contábil. Seu único amor é escrever de forma irresponsável e livre de culpa. O resto são paixões.

SEGUE AS DICAS, PORÉM, ACALME-SE A SUA MANEIRA!


Todo mundo passa por umas fases que a gente se sente pra baixo, com preguiça de tudo, inseguro e todas essas coisas e acha que nunca vai passar. Mas passa.

Sempre passei por isso, mas com o tempo fui descobrindo formas de ficar mais calma, de melhorar o humor e de enfrentar essas fases de uma maneira mais leve. E hoje vim aqui dividir algumas dessas formas com vocês!

1 - Tome um banho! Parece uma coisa banal do dia a dia, mas talvez por ser tão banal as pessoas não dão o devido valor ao banho. Tire esse tempo pra você, pra relaxar, se desligar do mundo. Coloque uma música (tem uma playlist no Spotify que chama "Cantando no chuveiro", recomendo) esqueça todas as suas obrigações e se concentre em você. Te garanto que fará uma boa diferença!

2 - Descanse! Se desligue um pouco das redes sociais e tecnologias no geral, tire um tempo pra você, aproveite sua cama e relaxe. Descansar não necessariamente é dormir, mas é também apenas deixar o corpo parar, focar na respiração e colocar seu corpo em sintonia. Coloca uma musiquinha que te acalme, foque seu pensamento nela e deixe seus pensamentos voarem. Isso com certeza te fará sentir mais leve!

3 - Faça algo que você gosta! Cada dia mais atolados pelas obrigações rotineiras, temos deixado de lado coisas simples que gostamos e nos fazem bem, por exemplo ler um livro, ou cozinhar. Deixe as obrigações de lado por um tempo e foque no que te faz bem.

4 - Converse! Tudo bem, nem sempre a gente quer conversar. Mas as vezes bate uma vontade de falar sobre o que incomoda, e é muito bom poder se abrir com quem a gente gosta e confia. Parece coisa boba, mas faz uma falta danada fazer isso de vez em quando. Então aproveite esse momento e manda aquela mensagem que já foi pensada, liga pra passar o tempo. Converse!

5 - Ouça música! Eu sei que eu falei de música nas outras dicas, mas não foi especificamente delas! Tire um tempo pras músicas que você gosta, deixe elas tocando enquanto faz o que precisa, mas ouça! Músicas salvam vidas.

6 - Mude seu fundo de tela! essa dica eu vi uma vez em algum lugar que esqueci, mas dizia pra colocar como fundo de tela do seu telefone algo que te faça bem, pois sempre que você olhar você verá algo bom e se lembrará das coisas boas! Escolha um fundo que te faça se sentir bem, que te lembre de algo e coloque lá, e quando sentir a necessidade, mude para outro! Faço isso sempre, e é excelente!

Essas foram só algumas dicas que ajudam, em breve trago mais!

Mas não se esqueça, cada um tem o seu jeito de ficar mais calmo nesses dias ruins, mas a gente sempre pode variar!

Me conta aí, qual o seu jeito?

AMAR É FÁCIL. O DIFÍCIL É DEIXAR-SE AMAR.



Eu já tive muitos amores eternos. Cada um terminou por algum motivo plausível, mas todos foram intensos, eternos, verdadeiros. 

Foram amor! 

Cada um me trouxe um conhecimento, me moldou para eu ser o que sou hoje. E com eles eu aprendi que antigos amores não são sinônimo de um passado que não deu certo. No meu dicionário, significa que deu certo pra caralho, que me ensinou muito sobre o outro e sobre eu mesma. Sobre dividir os meus dias com alguém diferente de mim e multiplicar sorrisos, beijos e abraços. 

Meus antigos amores me ensinaram a amar. A amar sem temer. A amar sem me sentir vulnerável depois de um "eu te amo" ou de uma ligação às 3h da madrugada só pra dizer que estava com saudades. 

Meus antigos amores me ensinaram a amar sem esperar nada em troca, pois aprendi que expectativas frustram e me fazem criar uma pessoa ideal que não existe. Agora eu quero mesmo é conhecer alguém no seu íntimo. Saber seus medos, sua história e seus amores, suas nuances e defeitos. Suas cores.

Afinal, amar é fácil. O difícil é deixar -se amar. 

Assim como os heróis de Cazuza, alguns dos "grandes amores da minha vida" morreram de overdose, causada por uma droga chamada silêncio. Se tornaram estranhos com quem eu dividia a mesa do café - e já não sabia se uma colher de açúcar era o bastante ou não. Tudo fica amargo. É assim que o labirinto se forma pra mim. É assim que eu me perco em quem eu deveria me encontrar. A falta de conversa priva o ser humano de conhecer sonhos, desejos, medos... Até que chega um ponto em que já não o reconheço mais. Poxa, logo eu que sou de Humanas, que amo a comunicação e me delicio com a simples possibilidade de ouvir histórias sobre você ? Logo eu que sou toda ouvidos e emoção ? Que sou a interessada. Logo perco o interesse.

Se eu não conheço as dores e as delícias de quem amo, cada dia mais vou me questionar o porquê eu o amo. E o questionamento me traz incertezas, dá margem para o desencantamento, é aí que mora o perigo. 

Eu sou do tipo de ser humano que tem a necessidade de se apaixonar pela mesma pessoa há cada dia, que gosta de descobrir manias e histórias e se apaixonar por elas. De sentir que mesmo em silêncio estamos trocando confidências. De olhar nos olhos e pensar "Meu Deus! Como é bom estar com ele". Se esse encanto morre, eu já não encontro motivos para ficar. 


E assim como aprendi a amar sem temer, eu não temo dizer que já não te amo mais.

JÔ LIMA
Uma eterna nômade, facilmente encontrada em livrarias e sebos, que vive arrumando a mala sempre que pode e afirma com todas as letras que o amor é o único sentimento que não some do mapa. Se apaixona por estranhos no metrô e ama bandas que ninguém conhece. Trocou o verão do Maranhão pela garoa de São Paulo, percebeu que ser gente grande é complicado e por isso leva a vida com um jeito de menina, sempre que pode se refugia em um mundo paralelo de séris, filmes e Jeunet, livros de Fante e brigadeiro. Acredita ser jornalista e trabalha com marketing, é autora de livros infanto-juvenis e dá conselhos amorosos em mesas de bares da metrópole.

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DÊ UMA CHANCE AO AMOR



Não espero nenhum grande amor, desses de cinema, que nos fazem suspirar e perder o fôlego. É praticamente proibido fantasiar romances, num mundo moderno, onde relações são baseadas em quem faz mais joguinhos, quem demora mais pra responder, quem coleciona mais contatos, quem lembra de você por conveniência. 

Já dizia Caio Leite: "não falta amor, falta amar". 

Falta. E falta muito.

Falta falar. Falar perguntar. Falta se importar. Falta procurar saber. Falta sentir. Falta pensar. Falta entender. Falta empatia. Falta demonstrar. Falta sinceridade. Falta reparar. Falta dar atenção a quem te dá atenção. Falta filtrar. Falta querer. Falta retribuir. Falta tentar. Falta tanta coisa dento de tanta falta.

Homem quer comer. Mulher quer dar. Qual o problema? 

O problema é o vazio que ocupa um espaço gigante dentro da gente, depois de uma esbórnia. Problema é a carência que cumprimenta de manhã. Problema é esperar por uma ligação. Problema é alimentar esperanças. Problema é achar que é recíproco. Problema é romantizar o toque gentil, do cara errado. Problema é não saber quem é o cara certo. Problema é ignorar quem te quer e dar atenção pra quem te quer... ás vezes. Problema é a ausência de afeto e o excesso de desinteresse. Problema é a bagunça que a emoção faz na gente, tentando driblar a razão. 

Você não precisa se apaixonar por um cara que lhe dê tudo, você precisa se apaixonar por um cara que tenha conteúdo. Que fala te olhando nos olhos. Que te ouve. Que pergunta se você chegou bem em casa. Que se preocupa. Que mesmo não entendendo seus gostos mais malucos, aceita, respeita - e ainda acha graça nisso. Que não sente vergonha em dizer o que sente, o que pensa, o que quer. Que te faça rir. Que te faça ser uma pessoa melhor. 

A necessidade mata o desejo. A carência mata o tesão. O lance é que ninguém precisa matar as expectativas numa overdose de decepção. Nem matar a vontade de fome. E muito menos, matar sentimentos desnutridos. 

Tudo seria muito diferente, se déssemos prioridade para quem se importa. 

O amor está nos detalhes. E eles se sobrassem nesse nosso mundo supérfluo. Observe!


ANA CAROLINA DA MATA.
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.



PORQUE A LOUCURA É URGENTE E ELA RESPIRA VOCÊ



Eu sei que está tarde. Amanhã você levanta cedo e eu também. Sei que não queria ser incomodado, mas não deu para deixar passar. Não quero mais adiar. Chega. Uma hora ou outra a vida engrena e quando a gente se dá conta já foi. Não tem mais como recorrer e não quero ser escrava da saudade de como tudo teria sido se em determinado momento eu tivesse sido menos cabeça dura e mais coração. Tudo bem. Seguir o emocional nem sempre é sinônimo de sucesso garantido, mas poupa algumas horas de terapia. 

Você pelo menos quis tentar fazer alguma coisa. Não só sentiu o chão se abrir boca pra dentro e seguiu como se nada tivesse tido importância. Teve. Sempre tem. O problema é que a gente nem sempre está disposto a ouvir. O coração fraquejou, e agora? A gente senta e chora? Eu não vou. Estou aqui, costurando no vento alguma saída que encaixe o seu caminho no meu, que nos dê tempo de acolher um ao outro. 

É tão cristalino o desejo de querer perto, o interesse de tão nítido chega incomodar, mas são tantos predicados e pré conceitos que não nos vejo próximos. Longe disso. Criamos barreiras monstruosas para não sermos refém do que vem nos ocupando. É como se todos os pesos perdessem força dentro de nós, e de alguma forma peculiar nos reconhecêssemos diante das trilhas que improvisamos numa tentativa singular de sempre escapar da emoção. Eu quero estar aqui, mesmo que você não seja capaz de responder uma única dúvida que eu tenha; que te faltem palavras e até argumentos, se sobrar disposição de me acomodar dentro de seus (a)braços  já me basta. 

Não preciso que me puxe pelo braço e me explique os trechos a serem percorridos, conheço os vales sombrios que vamos enfrentar e já pus na mala uma dose de extra de ânimo para cada percalço. 
Não me vejo caindo no conto de quem sabe exatamente o que está fazendo, tudo é muito improvisado quando se trata de amor, quebramos a banca antes mesmo de iniciarmos a convivência. É susto. Vontade que se constrói com atitudes de quem de fato está na mesma página. E eu sinto que estamos conectados, ainda que faltem palavras tem nos sobrado olhares e flertes. 

Encurtei a distância, e você prolongou o encaixe do corpo quando nos rendemos ao acaso. É nosso. Não muda. Por isso, não merece ser adiado. É agora, porque a loucura  é urgente e ela respira você. 



MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.

SUPERAR NÃO É ESQUECER



É isso aí. Não vou ficar enrolando e bancando a difícil, a "não-tô-nem-aí" e "já-se-superei-te-esqueci". Isso ninguém explica, mas superar nada tem a ver com esquecer. Passei por cima de todas as merdas que fizemos, mas isso está bem longe de significar que eu te esqueci ou que o vazio do lado direito da cama não me incomoda.

Não me leva a mal, não. Eu tô bem e sei que cê tá também, mas o mundo tá complicado demais pra continuarmos com os joguinhos de indiferença, então escancaro. Sim, eu sinto saudade. De você, de nós, de tudo que acontecia quando nossa única companhia era um cobertor quente e as quatro paredes do nosso quarto.

Clichê, eu bem sei, mas tô tentando coisas novas ultimamente. Inútil quando lembro que a diferença mais gostosa era a nossa, que encaixava de um jeito incontrolavelmente irresistível, como você gostava de dizer.

O que acontece é que não tá fácil seguir em frente depois desse ano louco que a gente viveu, ainda que você aí e eu aqui. Cê viu, tudo saiu do lugar e o que era amor virou jogo, o que era amizade virou interesse e cuidado virou cobrança. Tá tudo bagunçado e até eu, que sempre tive o dom de me achar no meio do caos, to estranhando essa coisa de me sentir um peixe fora do lugar.

A gente é do tempo em que amor não era consequência, era motivo.

GISELLE F..
É uma pernambucana por nascimento e paulista por consequência da vida. Escritora, blogueira e brinca de ser poeta de vez em quando. É a típica mulher-eternamente-menina que, apesar de ter cicatrizes profundas, nunca deixou que seu medo lhe impedisse de se aventurar mais uma vez. Quando sente demais, transborda em palavras.

PORQUE NO FUNDO SEMPRE QUEREMOS MAIS



Ela era daquelas que sempre queria um pouco mais. Não se contentou em ficar durante muito tempo em um lugar, pois acreditava que o mundo é muito grande para se enraizar em um só local. Mudou uma, duas, três vezes, até chegar a perder as contas. Mudou de casa, de cidade, de estado, de país, de pessoa, mudou a ela mesma. Em cada cidade, bairro, rua, sempre aprendeu e ensinou. Aprendeu coisas que lhe serão úteis para o resto da vida, outras que nunca mais ousará a fazer novamente. Ensinou sobre coisas que nem ela mesmo tinha certeza de que sabia, mas descobriu que sabia ajudar, e ajudar os outros é ajudar a si mesmo em dobro, pois isso aceitou de bom grado ensinar o que os outros conseguiam enxergar nela.

Ela chorou, chorou tanto que daria para encher uma piscina, quem sabe um rio, foram longas noites quentes onde tudo que ela mais queria era voltar ao início e não sair de casa nem mesmo para ir até a esquina. Mas ela mesmo já não sabia onde era início, tudo havia se tornado um meio sem fim, uma caminhada longa, mas necessária.

Mas ela também sorriu, abriu um sorriso, deu gargalhadas. Com os outros, dos outros, sozinha. Descobriu nos pequenos momentos de felicidade a força para sempre continuar seguindo em frente.
Em suas mudanças ela nunca ligou de ficar sozinha, não tinha medo da solidão, pelo contrário sempre aprendia com ela. Descobriu na solidão do seu quarto que era forte, e que podia sonhar. Descobriu que ao aprender a conviver com a solidão ela aprendeu muito mais sobre a si própria.

Ela aprendeu que ela poderia sonhar sem parar e sem ser julgada. Sonhava tanto que criou um mundo paralelo, que só aparecia sempre que ela fechava os olhos. Esse mundo não era tão diferente do que ela vivia, mas como ela sempre queria um pouco mais, não se satisfazia em viver apenas em um mundo, precisava viver em dois.

Ela teve conquistas, realizou desejos. Mas apesar de tudo que viveu, conheceu, aprendeu, ela sempre arrumava um tempo de lembrar de quem era. Quem ela era. E nessa lembrança de descobertas percebeu que sempre era a mesma, aquela que sempre quer algo a mais.

TAMARA PINHO.
Jornalista por amor (e formação), mineira, e sonhadora como uma boa pisciana. Vivo na internet, então é fácil me achar. Acredito que a escrita é libertadora e nos possibilita viver em diversos mundos ao mesmo tempo.

MULHER, VÁ CONQUISTAR O MUNDO

ouça enquanto lê: Elza Soares: Dura na Queda 

Era um dia decisivo para Letícia. Depois de dois anos no escritório de contabilidade onde trabalhava, estava indo para uma reunião importante com uma empresa de grande porte. Seria excelente se ela conseguisse trazer a multinacional para ser cliente de sua equipe. Ela estava apreensiva, apesar de não ser a primeira vez que participava ativamente de um momento como esse. Na verdade, não era a segunda, nem a terceira vez. Letícia era excelente contadora e gestora de crises, mas dificilmente era reconhecida pelas suas ideias inovadoras, equilíbrio e sabedoria no ambiente de trabalho. Agora se tivesse algum deslize em qualquer um desses quesitos... já sabe, né? Era mal amada, o marido que dormiu de calça jeans ou a TPM.

O escritório era dominado por profissionais do sexo masculino e se tem uma coisa que ela aprendeu das maneiras mais doloridas, foi que por simplesmente ser mulher ela tinha que mostrar competência em dobro. Tinha que ser uma profissional impecável, mas isso não era nenhum sacrifício pra ela. Realmente Letícia era excelente em tudo que se propunha a fazer. Ela tinha sempre uma resposta pronta na ponta da língua pra explicar o porquê de não ser obrigada a fazer o cafézinho pra todos da firma, apesar de ser mulher. Inclusive o seu café era uma delícia, e Letícia sabe que obviamente servir café não diminui ninguém e não é uma função indigna. Porém, o problema era "coincidentemente" apenas ela ter que realizar essa tarefa entre outros cinco funcionários com o seu mesmo cargo.

Foi assim que ela criou uma escala de limpeza e café desde que seu chefe decidiu demitir a equipe da copa por contenção de gastos. Nem preciso dizer que atitudes como essa incomodavam, né? Afinal, elas tiram a maioria do seu comodismo. O que era pra ser algo simples e justo, acaba se tornando revolucionário. É por isso e por não aturar piadinhas do estilo "teste do sofá" que ela nem sempre era bem vista pelos colegas de trabalho.Seu chefe, Manoel, era mais flexível e confiava no seu trabalho, apesar de não reconhece-lo como deveria—- inclusive no contracheque. Mas, por isso, ele a enviou pra ser sua representante nessa reunião decisiva. O que fez alguns funcionários torcerem o nariz. Letícia não ligava, pelo contrário. Isso a estimulava a fazer o que sabia de melhor e agir da maneira mais correta possível.

Antes de qualquer coisa sentou-se a mesa pra tomar um café puro com o marido e a pequena Júlia de cinco anos. Era sobretudo por ela que Letícia lutava. Para que o mundo estivesse pelo menos mais habitável e justo quando ela crescesse. Vestiu o seu terninho preto com camisa social branca que a valoriza muito, um salto na medida que a deixava confortável, uma maquiagem que realçava bem os seus olhos confiantes e um batom leve. Separou uma pasta com tudo que precisava, respirou fundo e se olhou no espelho com a cabeça erguida. Sabia que aquela não era uma batalha apenas sua. Carregava com ela todas as suas semelhantes, e esse senso de responsabilidade lhe dava uma coragem ímpar. Ela sabia que era capaz, mas estava na hora de mostrar isso pro mundo.


SUÉLEN EMERICK.
24 anos. Brasiliense que vê poesia no cinza do concreto. Jornalista que escreve por/com amor. Uso vírgulas e crases imaginárias pra contar histórias, e o coração pra vivê-las.

EU FAÇO PARTE DA GERAÇÃO QUE MANDA NA PORRA TODA.


Já dizia Veríssimo: “Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.”

Palavras marcantes e verdadeiras de um homem inteligente ao definir uma mulher, e, contradizendo os ditados populares, não precisamos de manual de instrução, mas sim que vocês tentem ao menos produzir o mesmo diálogo, sem menosprezar a nossa inteligência. Que falem quando estão incomodados, quando querem algo novo. Não, não precisam ter medo de pedir, acreditem.Também possuímos vontades que só esperam para serem interpretadas.

O comum não cabe em nosso manequim. Seremos calmas, estressadas, loucas, tímidas, falaremos alto, calmamente. E na maioria das vezes tu vai parar, e soltar um:

— Cara, olha pra ela, a personalidade não é nada parecida com a de uma protagonista da novela das 8.

Ou, muitas vezes, irão admirar o nosso esforço ao chegar em casa após a loucura do escritório e, depois de pôr os filhos para dormir, ainda estarmos com todo o pique para uma tórrida historinha de +18.

Não, nós não nos deixamos titubear pelas balbúrdias alheias, andamos por aí como se tivéssemos a fórmula da felicidade sim, e o olhar sempre será aquele que encara sem medo de desviar. Talvez eu possa deixar a timidez tomar lugar, mas no quebrar dos ovos, eu saberei o que quero, ou possa ter um caminhão de dúvidas até acertar na decisão, mas fazer o que? Sou de Áries, Gêmeos, escorpiana ou posso ser de Leão.

Temos a adrenalina nas veias e possuímos uma loucura suficiente para te seduzir ao ponto de tu se jogar em nosso mundo também. O que esperamos de vocês?

Por mais homens que aceitem nossas individualidades, independências, sonhos, sem se sentirem menos homens por isso, que vocês nos peguem na cintura, seja ela 38, 44 ou 52. Por mais convites para assistir um jogo de futebol, ou brincar de videogame, ou uma maratona de filmes pornôs, acreditem garotos, vocês não são os únicos que se deliciam com esses programas.

Para aqueles que gostam de falar no almoço de domingo, com a família toda reunida, “que lugar de mulher é na cozinha. ”... Me desculpe, companheiro, mas desconfio que tu não sabes bem o que fazer no quarto. Lugar de mulher é onde ela quiser, é dirigindo em alta velocidade porque a correria do dia-a-dia é um saco, ou seja no final do expediente sentada numa mesa de bar tomando um Chopp com as amigas e falando sobre a vida. Mulheres não são perfeitas, tem a crise existencial, a TPM de todo mês, hormônios, dramas e melhor amiga.

Não aguenta? Viva sozinho. Quer perfeição? Compre uma boneca inflável, tenha orgasmos forçados e morra de tédio. Mulher é tão parceira quanto seu melhor amigo, basta você permitir que ela divida contigo os seus programas preferidos. Se permitir? Irá se surpreender com a prática que ela tende a ter para te agradar.

Não ligamos para o valor de sua conta bancária, e nem se sua barriga de cerveja não deixa espaço para um tanquinho todo malhado, não queremos saber qual carro você tem, gostamos mesmo de andar de mãos dadas, seja a pé ou em um camelo. Gostamos de ser cobiçadas por outros homens e ver no seu rosto um ar de orgulho por sermos somente tua. Também arrotamos, te desafiaremos em quedas de braço, somos loucas por truco e falamos palavrões. Não somos atrizes da Globo, mas sempre estaremos prontas para uma tela quente a dois, só basta convidar.

Mulher é fogo, é semente da sedução. Necessitamos de amor, mas não somos dependentes de amor, então valoriza ou rala para um puteiro. Não nascemos apenas para crescer, conhecer alguém, namorar, casar, ter filhos e ser sua Amélia para o resto da vida, Dom Casmurro criou meu nome.

— Prazer me chamo Capitu.

Sempre iremos querer mais de nós mesmas, da vida e, inclusive, de você. Vamos fazer muitas coisas juntos, mas, acredite, teremos nossos próprios programas e nem por isso iremos te amar menos. Pagamos mal para amores intensos e sinceros e, no fundo, esperamos unicamente poder um dia ter um, aquele que vai vir pra fazer uma bagunçar por completo, fazendo que nos questionemos até os nossos princípios mais guardado e que nos façam ter sede de anormalidades.

Não gostamos de seguir padrões. Mandamos nudes, recebemos nudes, pagamos a conta, te buscamos em casa, adoramos surpresas e adoramos surpreender, te convidamos pra um sexo no seu local de trabalho apenas pra quebrar a rotina, mas nos derreteremos quando for mais alma do que corpo também.

—Mas a sociedade cobra.
— Foda-se a sociedade.

Somos disfuncionais, então não esperem que sigamos as regras, não queremos entrar para a estatística da galera do “Bela, recatada e do lar”. Nasci minha, inteira e para viver a vida sem me preocupar.

Mulher é amiga, é amante, é fera. Ela é ruiva, morena, loira, ela pode gostar de homens, e pode gostar de mulheres também. Da vida ela espera por respeito e por orgasmos inesquecíveis, ela é artigo de luxo meu amigo, e só pode ter quem é capaz de conquistar. E aí topa o desafio, ou prefere amarelar?


RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.