O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ELA ESTÁ VINDO O MAIS RÁPIDO QUE PODE



Eu sei que você está cansado de esperar. Eu já sei que quando seus amigos te chamam para aquela festa (mais uma) você pensa em como está cansado e vai, porque ir é tudo que você pode fazer, afinal, ela não vai aparecer batendo na porta da sua casa. Ou será que ela vai?

Você imagina nela o sorriso que entende seu passado, enquanto você olha para ela, aceitando-a por completo. Mas ela ainda está por aí cometendo erros e ganhando novas cicatrizes e aprendizados, assim como você.

Ela ainda não encontrou o caminho que leva até você, aquela estrada estreita que só ela irá percorrer. Um caminho que leva ao mais profundo de você mesmo, que só você conhece e, quando ela chegar, porque ela vai chegar, só vocês irão conhecer.

Ela ainda não chegou, mas vai! Ela dança entre as flores e cambaleia meio bêbada, perdida de você, no meio das luzes de uma noite infinita. Ela é um vulcão pronto para entrar em erupção, fogo puro. Ela é meio triste, mas também é meio feliz. Um terremoto e calmaria também.

Ela gosta de dançar na chuva e é tudo que você pensou que jamais amaria em uma mulher. Ela é o que você precisa para pousar esse teu coração, que vem voando cansado por entre as nuvens, mas ela não quer te provar isso, não quer te provar nada.

Ela vai chegar, não para ser seu ideal, mas para ser sua. Mas sua apenas nesse pronome, apenas nesse texto, porque ela já é dela, livre, mas te deixa prendê-la por uma noite ou uma vida, só enquanto ela quiser.

Cara, não a deixe ir, porque se você deixar,  será alguém como eu. Você caminhará meio vazio e meio cheio de si mesmo. Caminhará como se ela jamais tivesse vindo, mas sem a esperança que ela virá, afinal, ela já terá ido. E, se nada puder trazê-la de volta, meu caro, você será como eu: Meio vazio, meio cheio.

Mas se ela ficar, se você souber ser melhor, se você puder ficar com ela, você será quem eu não fui, você será cheio de alegria e vazio de saudade. Mas aí você não poderá ser poeta, me perdoe. Poetas são como eu, não como você será com ela. Com ela você será feliz, sem ela, poeta.

Entenda, poetas são feitos de saudades e algumas doses viradas em noites vazias e mal iluminadas. Aliás, ela tem sido poeta, caso o fato lhe interesse. Ela tem escrito uma história melancólica, ela acha que perdeu um amor filho da puta, tipo o Bukowski. Você a fará ver algo novo, e ela não será mais poeta, será feitora de bilhetes românticos e livros sobre o amor que só achou com você, isso não será mau.

Por ela, espere. Não se acabe demais, apenas o suficiente para compreender as marcas que ela trará consigo. Ela tem se machucado no caminho, afinal,  está vindo o mais rápido que pode.


NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

CULPA



Ela beijou meu pescoço, mesmo quando olhou nos meus olhos e sabia que era o fim. Depois daquela noite não existiria mais “nós” ali, eu seguiria meu caminho ao longo da muralha e ela o que tinha escolhido, não haveria encontros no meio do caminho.

Estávamos conversando como aprendemos ao longo da nossa vida juntos; fomos um só por muito tempo, e agora ser dois era estranho demais. Não adiantava pedir perdão, ela nunca parou de fumar nem eu parei de ser grosseiro.

Tinha uma história em cada coisa que tínhamos em casa, por mais idiota, eram nossas lembranças que tínhamos sempre perto. Tinha ainda guardada a camiseta que ela rasgou quando tentava tirar com pressa numa tarde de domingo depois que chegamos de um churrasco. Era minha camiseta predileta, mas nem briguei. Eu tinha culpa no cartório, tinha mandado mensagens de texto meio safadas pra ela o dia inteiro . Ela guardou todos os rascunhos dos meus textos que pegava do lixo quando eu não estava olhando. O incompleto sempre foi belo e atraente aos olhos dela.

Fomos melhores amigos quando ficamos com medo de ter um bebê, e piores inimigos quando ela quis ter um bebê. Aprendi a gostar de macarrão a carbonara, ela aprendeu a beber cerveja. Não foi tudo rápido, não foi tudo intenso nem foi um romance de verão. Ela implicava com a forma que eu arrumava o cabelo, eu nunca entendi por que ela lia aqueles romances de banca meio bobos e era a maior niilista que já tinha conhecido.

Continuamos tentando não ser e um dia a gente apenas era, aconteceu sem ninguém perceber,  da mesma forma que acabou. Ninguém gritou ou ofendeu, eu acordei e procurei dentro de mim o que sentia e não estava lá, avisei a ela e ela procurou também e não tinha nada. Não podíamos continuar, então, o que mais iriamos fazer? Compramos umas cervejas, eu cozinhei algo, ela ligou pra irmã dela pra ver se conseguia alugar o velho apartamento. Assistimos a uns filmes bobos, eu fiz carinho no cabelo dela até ouvir ela pegar no sono, e ali naquele momento me senti triste. 
Acabou, dissemos tchau, ela pegou o gato e foi embora, não houve felizes para sempre.



VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

terça-feira, 19 de setembro de 2017

TE QUERER



Eu te queria. Ou ao menos queria te querer. Nunca fui sonhador ao ponto de achar que amor à primeira vista existisse, mas teria ficado amarradão se tivesse acontecido com a gente. Você tinha tudo que eu sempre quis. Beleza, inteligência, sagacidade, persistência, atitude. Tinha a ferocidade de um leão que persegue sua presa acompanhada da calmaria de quem relaxa na praia vendo o pôr do sol. Tinha de tudo um pouco, bem medido e bem pesado. 

Comecei a me imaginar ao seu lado, a construir imagens nossas em diversas situações, a experimentar intuitivamente de toda a sua magnitude, principalmente porque todas as vezes que nos falávamos você sempre me sorria com tanta graça que eu realmente achei que você me desse bola. 

Por isso (não exclusivamente, mas principalmente) comecei a fazer as mesmas coisas que você: troquei de curso na facul, me inscrevi na academia, passei a fazer caridade, assim como você magistralmente fazia. Eu REALMENTE te queria (ou achava que). Queria você como quem passa um dia no deserto e anseia por um copo d'água. Queria que você me ensinasse a ser como você e, quem sabe, te ensinar alguma coisa útil também (se é que tudo o que eu sabia você já não tirasse de letra). Queria que trocássemos mais que figurinhas nos nossos encontros corriqueiros, queria que trocássemos afagos, carinhos, beijos, amassos.

Eu queria te querer nesse nosso passado não tão distante. Hoje,  vejo que eu não era pra você e entendo o por quê do fora que você me deu. Eu não te acrescentava em nada e não era o que você procurava. Na verdade, você também não era pra mim naquele momento. A gente se acostuma a se apaixonar por tudo aquilo que nos falta, e você sempre teve tudo que eu nunca tive. E amor, cara, amor de verdade, não é só isso. Amor começa com o que nos falta, sim, mas passa também pelo que nos sobra. E se o que nos sobra é somente caos, a ordem que vem do outro também se bagunça. Antes de receber visita, a gente tem que arrumar a casa, né? Com o coração é igual. Se a gente não conserta o nosso caos, bagunça o coreto todo!

Te desejo sempre o melhor. À época eu achava que te queria, mas apenas queria te querer, já que meu caos me impedia de qualquer relação sã. Estou me ajeitando aos poucos e, quem sabe, a gente ainda possa estartar algo mais pra frente, né?


Estou ajeitando meu caos esperando que, um dia, sua ordem possa me colocar de vez nos eixos.


EDSON CARDOSO
Professorzim brasiliense, formado em letras, amante de (boa) música e rato de jogos online. Um cara que não é um poeta, mas que se arrisca a brincar com as palavras. Nem de longe um boêmio, tampouco um insensível nato. Gosta de ficar em casa enchendo os "pacovás" das irmãs e ouvindo o cantarolar de sua mãe. Coleciona fotos e lembranças das viagens que já fez e planeja muitas outras. Alguém que agradece a Deus diariamente o dom da vida e a graça de ter uma família com quem pode contar. 

A VIDA É FEITA DE PARTIDAS.



Eu queria que nada mudasse entre nós. Queria acreditar que a distância não enfraqueceria o nosso laço, que a falta de abraço seria só um motivo para aumentar a saudade e a consciência da importância de cada uma em nossas vidas... Mas não foi assim.

Os dias passam e a gente se perde um pouco mais. Quando celebro uma conquista, talvez você nem veja, nem saiba ou, quando vê, não é capaz — por algum motivo que desconheço e nem quero conhecer — de celebrar junto comigo, mesmo que de longe. Quando choro por alguma perda (além da nossa), você não está aqui — nem fisicamente nem de coração.
Provavelmente acontece a mesma coisa quando são tuas vitórias e dores. Porque nos perdemos mesmo.

Não honramos as promessas de que sempre seria igual e não temos mais como restaurar o que já não pode mais ser como um dia foi. Fugiu do nosso controle e a gente sabe bem que esse tipo de coisa acontece e é inevitável. É claro que lamento e que, vira e mexe, isso me entristece... Mas eu também entendo que não há mais nada a ser feito. Fizemos e ainda fazemos escolhas muito diferentes porque somos diferentes. Antes, isso não era empecilho algum, mas hoje parece ser. Talvez você não me entenda e eu também não entenda mais você.

Haverá um dia em que nem nos reconheceremos mais... E eu sinto que o tempo vai contribuir para que um dia a gente nem sequer se conheça. Ele vai amenizar a falta, vai apresentar novos cenários, novas pessoas e novos momentos. E nós? Nós vamos nos perdendo mais um pouco até não restar nada além das lembranças do que um dia fomos. Hoje isso me dá um aperto no peito, mas amanhã talvez seja só mais um dos meus inevitáveis esquecimentos...

Porque, infelizmente, a vida também é feita de partidas.

BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

E quando menos se espera, simplesmente acontece!


Até hoje me lembro do seu sorriso maravilhoso e do perfume que me chamou atenção. Aquela troca de olhares inevitável e durante todo o evento os nossos olhos se reencontravam, parecia que estávamos nos esperando, alguns goles de champanhe, sorrisos soltos, amigos em comum e a aproximação aconteceu.

Chegou sorrindo e automaticamente retribui o sorriso, nossa conversa ocorreu leve e gostosa, você me contou sobre sua paixão por Djavan e eu lhe mostrei minha playlist de funk, você fazia questão de dizer que só ouvia MPB , mas eu sorria ao notar seus ombros se mexendo  ao som de Anitta.

Depois de longas palavras trocadas, alguns sonhos compartilhados, confissões de quem acreditavam em destinos e diversos sorrisos involuntários, aquela bendita e longa promessa de se ver novamente e não deixar o sentimento que estava nascendo morrer, números de telefones trocados. Antes de virar a esquina uma mensagem chegou em meu celular.

“Com certeza a vida está me dando você de presente, só não sei por qual motivo”.

Sorri. Também tive a mesma sensação, novos encontros aconteceram, beijos surgiram, caricias trocadas e a certeza de que por algum motivo estávamos juntos e presentes na vida um do outro.

Acontecemos quando eu menos esperava, já estava desacreditada de que talvez fosse viver algo assim, tão real e extraordinário, mas com você eu aprendi que a vida nos sorri quando menos se espera e que os ventos se encarregam de colocar cada pessoa em seu devido lugar.

Você é aquele sonho que eu me recuso a acordar e diariamente entendemos que eu sou o presente que a vida te deu e você é o meu presente. Talvez se eu estivesse procurando algo não teria lhe encontrado, quem sabe se eu estivesse focada em algo não teria lhe notado.

O gostoso foi que aconteceu naturalmente, sem cobranças. Hoje eu já inclui algumas MPB's em minha playlist e você colocou funk no pen drive do seu carro, fomos cedendo aos poucos e ajeitando de acordo com o que vamos vivendo.

Quando menos se espera, simplesmente acontece, seja na fila do mercado, no trânsito, em um consulta médica ou no transporte público.  O que é seu os ventos se encarregam de levar até você e resta saber receber e aproveitar!



ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

UM VÍCIO DO TIPO LÍCITO



Enquanto uns fazem coisas para se arrependerem, eu me apaixono. E não que, talvez depois, eu não venha a me arrepender, mas se apaixonar é o tipo de coisa que todos deveriam fazer. Se apaixonar é viver, é dizer que seu coração está vivo para uma nova pessoa, que aceita as diferenças, defeitos e virtudes e ainda se coloca na posição de ajudar. Ajudar essa paixão a viver, crescer, semear, cuidar... e por que não amar? Sim, amar!

Toda paixão regada aos bons sentimentos tem como fruto o amor, aquele que chega aos poucos e vai sendo cultivado. Quando menos se espera cresce e explode no peito como um vulcão em erupção, derramando pelas veias do teu corpo a sensação de amar alguém. A gente fica meio bobo, ri até da própria sombra e quem vê pensa até ser uma droga. Pode ser que seja mesmo, afinal paixão é um vício. Do tipo lícito.


Se apaixonar é bom, mas já experimentou amar?

Sobre o amor aparecer na hora em que menos se espera: é verdade. Aconteceu comigo, vai acontecer com você também, não se preocupe. Ou melhor, até se preocupe. Preocupe-se em estar bem consigo mesma e apta a receber o novo visitante. Fique esperta aos sinais, alguns não são tão visíveis aos olhos.

Geralmente ele te desperta da realidade e te coloca em transe, parece algo fora do normal ou pouco casual talvez, mas com certeza algo que te leva a fundo nas sensações. Ele vai te fazer sentir-se flutuar, como quem veleja sem nem saber aonde poderá chegar. Tuas sensações se modificam na intensidade que é vivido. O tal do amor é danado, te remete a um vício que foge teus princípios de tudo que ouviu falar, chega a ser gritante a vontade de externar ao mundo, aquilo que teu coração começa a sentir. É assim que ele se transforma, como uma metamorfose que chega para arrebatar teu coração que desacreditava em amar.

ANNA OLIVEIRA.
Recifense, amante da tecnologia, leitura e MPB. Aspirante na escrita/poesia, uma menina mulher sempre em evolução, transcrevendo em palavras gritos oriundos do coração, deixando registros verídicos (ou não) nas entrelinhas. De braços e coação aberto para a vida e o amor.

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ONDE ESTÃO MEUS BONS AMIGOS?



Eu sempre digo que não saberia viver sem amizades. É verdade. Estes últimos anos foram um pouquinho difíceis porque vi grandes amigos mudarem para longe. A gente sabe que a distância não acaba com uma amizade verdadeira (e é verdade mesmo!), mas a saudade vira e mexe bate, assim como aquela vontade de encontrar para tomar uma cervejinha, papear e esquecer dos problemas da vida.

E nos dias difíceis, então? Aqueles em que a gente precisa de um abraço, de uma bronca, de um conselho... Daquele amigo? Pois é. Às vezes eu acho que também tenho que ir para longe, às vezes acho que preciso de novas amizades que não tenham planos de sair daqui (rs)! Mas a questão não é só essa. Eu realmente valorizo uma amizade e fico pensando se é por isso que me decepciono tanto com algumas.

Me decepciono quando vejo que só me procuram quando precisam, que esquecem quando estão bem, que só falam sobre si mesmos e não se importam nem um pouco em saber como estamos (ou só fingem que se importam quando é conveniente). Me decepciono também quando vejo qualquer sinal de disputa ou ciúme. Não entra na minha cabeça como uma amizade pode ser sincera se não existe o querer bem do outro e se você não sabe lidar com a liberdade do outro.

Me decepciono, principalmente, quando cobram o que não são capazes de oferecer. Quando não se importam com pequenas coisas e faltas que sabem que nos magoam. E também quando pensam que podem se afastar e voltar a qualquer hora que sempre estarei ali na espera.

Enfim, acho que essa reflexão toda é pela saudade enorme que sinto das amizades bonitas. Das amizades que acrescentam. Das amizades que são presentes e que marcam presença por puro carinho e vontade de estar perto. Sim, elas são raras e isso eu sempre soube. Mas é que hoje, particularmente, a falta delas está gritando dentro de mim...


BEATRIZ ZANZINI.
Jornalista, escritora e filósofa de bar. Escrevo em uma tentativa de me descobrir e também de desvendar o mundo. E então percebi que, ao compartilhar minhas ideias e sentimentos, às vezes consigo ajudar não só a mim mesma, mas também outras pessoas que se identificam com as minhas vivências. Isso me traz uma inspiração ainda maior a cada dia.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

NOTA MENTAL.


Eu preciso de inspiração, eu preciso voltar a fazer o que gosto. Eu deveria remanejar a minha lista de tarefas semanais, preenchê-la com coisas que realmente tenham sentido pra mim. Preciso de algo que me inspire: uma sobremesa nova, um livro de um autor desconhecido, uma conversa prolongada. Eu tenho que parar de matar tempo no celular. Encontrar alguma coisa que faça a alma transbordar o corpo. Cadê aquela lista dos 30 melhores filmes do século XXI? 

Alguma coisa, qualquer coisa! Um sopro do vento que acaricie meu rosto! Onde foi parar o barulho do mar? A cidade anda tão ruidosa, é preciso de silêncio para escutá-lo. Inspiração. Tem que ter algo que me tire da mesmice e abra um leque de oportunidades. Algo novo, inusitado, que provoque um medo inicial em tentar. 

Uma viagem, preciso viajar e visitar uma paisagem a qual cause estranheza à primeira vista por simplesmente nunca ter visto nada assim antes. Pode ser de avião, trem, de Uber, que seja! Não importa muito o destino, só precisa ser novo. Queria mesmo é falar com gente de língua diferente, que eu não entenda, e precise fazer mímicas para me expressar.

Quantas milhas eu devo ter juntado, será que dá prum bilhete só de ida, sem volta programada? Tanto faz Colômbia ou África do Sul, pode ser até mesmo para o interior de uma das milhares de galáxias inexploradas que habitam o cosmo do meu ser. Um bairro distante tá de bom tamanho! O fato é, algo precisa ser feito para que eu me sinta inspirado, não posso simplesmente ir desgostando daquilo que faço. Tudo que fiz até aqui não pode ser reduzido a uma coceira passageira, que já não coça tanto assim. 

Ler mais o jornal, é disso que preciso! Eu preciso ler coisas mais sérias, ser mais sério, rio de qualquer bobagem. Saber sobre corrupção, sobre o último latrocínio... talvez isso me choque, e me comova, e me inspire. Eu preciso saber de quem tem fome, eu preciso saber que sou privilegiado, que não me enquadro em minorias, que sou saudável, que nem todo mundo estuda em escolas boas, eu deveria ser mais politizado. Eu deveria, mesmo, agradecer mais aos meus pais pelo tempo dedicado a este projeto de 20 poucos anos.

Quem sabe devesse reanimar minha fé no mundo, esquecer um pouco das dúvidas quanto à existência de Deus ou qualquer birra que eu tenha com ele, e ir à igreja, ao menos uma vez, sem compromisso, só no intuito de conhecer algo novo. Eu preciso, desesperadamente, de algo novo. Está decidido: vou pedir outro sabor de sorvete quando for à sorveteria! Eu deveria tomar coragem e te chamar para irmos à sorveteria juntos.



CAIO LIMA
Eu sou tudo aquilo que deixei pra depois e que nunca fiz por preguiça. Tal como as abas que se acumulam na página de pesquisa do meu computador sobre as curiosidades que nunca vou terminar de ler. Sou uma sobrecarga de vontade contrariada, uma ansiedade passageira. Um desvio da rota, um tropeço pelo caminho. As versões que inventei de personagens folclóricos, um filme inteiro de Woody Allen. Sou um atalho impaciente pro jeito mais fácil. Chato pra cacete, mas tem quem ature e diga o contrário. Prazer, eu sou o que to podendo ser.

AINDA É SOBRE O SEU ABRAÇO.


Acho que já está na hora de admitirmos que existe uma parada muito mais forte entre nós.

Pode chamar de bruxaria, destino, karma, mandinga ou o que você quiser. Só não dá mais pra negar.

Todos os reencontros deixam esse gosto de saudade, misturado com um ‘vem cá que eu não aguentava mais’.


Tu reparou como nossos corpos ainda se encaixam perfeitamente dentro do abraço? Não sobra meio milímetro de espaço entre eles. É literalmente como se quiséssemos morar um dentro do outro.

Aliás, foi o abraço que regeu toda a nossa história. Desde o começo dela até o fim.
Abraços intermináveis que faziam o tempo parar e a dor partir.


Você ficava puta porque eu odeio guarda-chuva, mas nem sabia que era só uma desculpa pra ir assim, juntinho de você debaixo do teu. Deu certo muitas vezes!

Foda-se que tava chovendo, que os carros estavam passando e o que tava rolando em volta. A gente só queria estar ali e nada mais importava. Você ia pra aula mais leve e eu pra casa com a cara de bobo que todos conhecem quando eu falo de você.


Aceita, menina. As nossas vidas podem tomar o rumo que for, seguir por onde a gente menos esperar, mas sempre vai ser a gente. Sempre vai ser você.

Sem alusão àquela música do Luan Santana, mas podem passar os dez, vinte ou trinta anos e o seu coraçãozinho ainda vai se ajustar às batidas do meu , e a gente não vai querer se desgrudar.

A camisa de ontem virou um troféu porque ficou com o teu cheiro. Se me vir usando ela de novo, pode ter certeza que é saudade.

Até o próximo abraço.


DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 24 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

AOS DESACREDITADOS: O AMOR



A verdade é que a gente não perde a fé no amor, continua ali, apto a quebrar a cara mil vezes. Certo que há um receio ou outro de vez em quando, um medo bobo, uma mania vasta de manter distância quando as coisas começam a fluir além do esperado. Mas não dá pra se enganar, mesmo aqueles que mais negam, guardam no fundo uma vontade irracional de amar.

É como se cristalizássemos a primeira lágrima mantendo ali a idealização da dor que se pode sentir, simplesmente por sermos dotados de emoção e querermos enganar a nós mesmos. Engaiolamos a primeira decepção e usamos como arma de defesa diante de qualquer opção de futuro à frente, mas estamos só perpetuando uma primeira, segunda, ou terceira experiência sem cogitar dar chances ao novo. 

Uma coisa é fato nessa vida:  muita coisa vai dar errada antes de algo finalmente dar certo. É questão de experiências, precisamos delas, são necessárias para andarmos um passo a frente nesse jogo da vida, para evoluirmos definitivamente. E no amor as coisas não são muito diferentes.

Sei bem o quanto escasso o mundo está, o quão pouco o amor passou a ser notado. Amar está em desuso, as pessoas desaprenderam a prezar esse sentimento tão belo. Hoje em dia andar com os próprios pés é sinônimo de independência e liberdade, ninguém quer alguém ao lado por muito tempo, estamos nos tornando falsos autossuficientes. Seres que desabam ao primeiro sinal de solidão.

A questão é que não precisamos encarar uma ditadura que diz que para sermos livres necessitamos estar a sós. Não é preciso dar ouvido a um mundo que anda mesquinho demais para relacionamentos duradouros. As pessoas cansam rápido demais, é muito fácil substituir algo que não se explorou a fundo. A maioria se constrói de uma forma tão rasa que é difícil encontrar pessoas profundas.

Mas ainda há amor, esse sentimento não morre, só está à espera de corações gentis, de corações que saibam enxergar além da imagem que se passa. Não se pode perder a fé num sentimento tão bonito, não dá pra ignorar o fato só porque alguns não querem mais crer na força do amar, por isso digo que não basta privar esse sentimento só aos que já aprenderam a amar... aos desacreditados: tentem outra vez.


GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

DESEJO PRA VOCÊ ALGUÉM MELHOR QUE EU





— Por que você é tão cruel com as pessoas que tentam chegar mais perto de você?
Um silêncio árduo tomou conta de todo o bosque e até as arvores pararam pra ouvir aquela que talvez fosse a nossa última conversa.
— Eu não sou cruel. Eu só,  às vezes,  não sei o que fazer. Na verdade eu quase nunca sei o que fazer. 
— Eu só queria saber pra onde foi aquele monte de promessas que você fazia quando ficava bêbado e entender o porquê de você ter esquecido esses meses de uma hora pra outra.
— Promessas não cumpridas são só promessas... E acho que quando abri uma das muitas garrafas de vinho e virei no gargalo e logo em seguida olhei pra você, eu percebi que não daria conta. Que era muito pra mim. E que aquele monte de promessas, uma hora ou outra, entrariam pra lista de promessas/coisas que eu queria fazer e não fiz. E isso me dói.
— Mas e agora, você está feliz?
— Não me lembro de um momento da minha vida que eu realmente fui feliz. Mas também não to falando que fui triste quando estava com você. Não sei te responder. Mas espero que saiba que você era um dos meus lugares favoritos no mundo. E você, está conseguindo tentar ser feliz?
— Eu sou péssimo em fingir. Mas eu acho que tô fingindo bem que estou conseguindo tentar ser feliz. 
— Agora não sei mais dizer se estou feliz em saber disso. 
— Você nem se importa.
— Como assim?
— Você só não se importa. 
— Mas como assim? Você acha que não me importo com você?
— Você não se importa com o que a gente sentiu e com o que os outros sentem. 
— Não é assim que funciona. Você só acha que me conhece.
— O que eu faço com esse monte de coisas aqui dentro?
— Eu não sei. Eu só sei que você deixou uma marca aqui e que sempre vai estar em algum canto de um texto meu. 
— Eu não quero estar em um texto seu. E foda-se que lá é o único lugar que você se sente seguro e eterno. Eu quero mesmo é acordar do seu lado e rir da sua cara de ressaca e depois contar o monte de micos e coisas sem sentido que você disse enquanto procurava por mais uma cerveja. Eu quero que a sua mãe me ache legal e que me convide pro almoço de domingo. Eu quero continuar no porta-retratos da sua estante. Eu quero estar sempre por perto porque eu continuo te achando lindo mesmo quando você tá fazendo uma coreografia estranha só com a sua cueca dos X-men. Eu quero sentir o seu perfume quando esbarrar em alguém por aí e sentir saudade e poder te ligar e conversar nem que seja por uns dois minutinhos. 
— Eu te entendo perfeitamente — E eu também queria tudo isso...
— Certeza?
— Sim — pausa pra cerveja — Mas eu não estou em um momento bom. E pra fazer alguém se sentir bem o suficiente pra eu acreditar que vai dar certo, primeiro eu tenho que estar bem sozinho. Quem sabe ainda não é a nossa vez. 
— Vou voltar pro fim da fila.
— Você tem um monte de coisas pra descobrir ainda.
— Eu sinto que esse monte de coisas são só coisas se descobertas sem você.
— Tem um monte de amores pra se viver por aí. Eu já te falei sobre isso.
— Eu sei. Mas eu só estou procurando uma copia sua vagando por aí. E nunca nada é tão bom como é com você. O que foi que você quis de mim nesse tempo todo?
— Eu só sei que, agora, eu quero que o homem que me suceder na sua vida seja incrível. Ele vai te tocar como eu nunca te toquei e não vai precisar ficar bêbado pra esquecer dos problemas. Ele vai saber ficar o tempo que você precisar que ele fique porque ele vai ser a solução e não mais um dos seus problemas. Ele não vai ter mistérios pra você ter o trabalho de desvendá-los e não vai ter medo dos seus pais. Ele não vai ser uma versão pirateada de mim. Ele não vai ter nada de mim, porque você não merece isso de novo. Você vai lê-lo e vai entender tudo como se devorasse as palavras. E vai se esquecer de todas as palavras decoradas sobre mim. Ele vai fazer amor com o seu corpo e você vai poder fechar os olhos enquanto o beija porque não vai mais fazer um grande esforço pra que ele não se pareça comigo no escuro. O homem que me suceder na sua vida vai ser incrível, e ele vai dar conta de sentir e te retribuir todo esse amor que você tem pra dar. E que você seja feliz de verdade, mesmo sem mim.


BRUNO FIGUEREDO
Poeta e Escritor. Capricorniano com ascendente em Paulo Leminski e lua em Tati Bernardi. Fã de ficção cientifica e de romances clichês. Dono do pseudônimo @sujeitoeu. Escrevo, mas escrevo sobre mim, e nem sempre sou só amor..

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

QUEM ESTÁ NA CHUVA TAMBÉM AMA OUTRA VEZ.



Está chovendo, a cidade está um caos e eu sei que não deveria escrever. Não deveria sequer ter o trabalho de visualizar se você já me respondeu. Mas fiquei aqui pensando em todos os temporais (metáforas ou não) que você já venceu por nós dois.

No seu desprendimento ao calçar as galochas e nem sempre ter capa para dois; e do seu olhar ser o suficiente para eu bater a porta e adentrar a chuva forte com você. Quantas não foram as vezes que você segurou forte a minha mão para impedir que eu escorregasse? Tantas outras fez verdadeiros malabarismos para impedir que eu caísse de cara no chão.

Está tarde, eu sei. Não tenho a menor ideia de onde você pode estar, mas quis tentar. Ainda que eu pegue um resfriado por estar aqui sentada na calçada, vale o risco. Não quero que os sentimentos que embalam nossos passos desajeitados se resfriem. Quero tentar. Baixar a guarda e descomplicar. Deixar as horas livres para nós.

Ainda que eu tenha consciência de nossa identidade, e de todas as teorias que escrevemos, quero que o “estar junto” seja motivo para perder a hora de vez em quando. Ainda que a gente possa mudar de ideia e decidir que na última hora o melhor a fazer é abortar o plano e se bastar dentro de um abraço, eu fico. Não reclamo. Não estendo a distância. Eu sento e te observo. Quero arriscar você. Quero comprovar que a gente se dá jeito. Que apesar de todas as lutas, optamos por ser a gente.

Eu sei que não sou boa com garantias, que fujo quando acho conveniente e que crio inúmeras barreiras de concreto para você não se aproximar, mas eu me venci. Você está preso. Engasgado num querer que eu não sou capaz de apagar. Então me deixa viver a gente. Eu não estou com capa, a galocha não me serve, ainda com medo das trovoadas, eu sai e vim até você. Me deixa ficar?

Eu passo o café e você deixa as nossas diferenças na sarjeta e me faz caber naquele abraço quente que dispensa cobertor. Vem sem pressa. Quem está na chuva é para se molhar e se for para recomeçar, que sejamos nós.


MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.

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